"Eu não acredito no aquecimento global" Porque é que 400.000 pessoas nas ruas na Marcha do Povo Pelo Clima, não são uma ameaça ao status quo.
“Eu não acredito no aquecimento global”
Porque é que 400.000 pessoas nas ruas na Marcha do Povo Pelo Clima, não são uma ameaça ao status quo.

Um novo relatório do Global Carbon Project mostra que as máquinas do mundo estão a arrotar mais dióxido de carbono do que nunca. O relatório, que mede as emissões globais de CO2, descobriu que gases de todas as fontes aumentaram mais de 750 milhões de toneladas em 2013 – um aumento de 2,3 por cento neste gás de estufa perigoso em cima do níveis já extremos de 2012. No total, 39,8 bilhões de toneladas de CO2 atingiram a atmosfera em 2013, um aumento sobre as 39,1 bilhões de toneladas em 2012.

Na caminho atual, as emissões globais de CO2 vão duplicar em cerca de 30 anos. Tal aumento maciço de fontes humanas não inclui as emissões de feedback (realimentação) amplificador das reservas de metano ou dióxido de carbono, tais como aquelas que agora, aparentemente, se desestabilizam no Ártico. Este enorme sopro seria mais do que suficiente para desencadear um evento de extinção por efeito de estufa – um que poderia muito bem rivalizar ou exceder o Permiano (também conhecido como “a grande morte”) na sua ferocidade, devido ao muito rápido ritmo de acumulação de calor provocada pelos humanos.

Uma maior adoção de energias renováveis ​​abrandou a emissão global de carbono dos níveis de cenário pior. Contudo, o ritmo de adoção de energias renováveis e o aumento da eficiência energética ainda não é o suficiente para salvar o mundo do terrível rumo do cenário RCP 8,5. Entretanto, os níveis globais de CO2 estavam a pairar perto de seu mínimo anual, um pouco acima de 395 partes por milhão, depois de ter atingido um nível máximo perto de 402 partes por milhão em Maio de 2014. No ritmo atual de aumento, o CO2 global é provável que se mantenha acima das 400 partes por milhão (ppm) de concentração durante todo o ano, já daqui a menos de três anos.

Emissões de Carbono Globais continuam ao longo de 2013 no caminho do pior cenário considerável. Notem que os aumentos da temperatura estimados são para este século.Para contextualizar, levou 12.000 anos para que o mundo aquecesse 5 graus Celsius no início da última idade do gelo. Fonte da imagem: Global Carbon Project
Emissões de Carbono Globais continuam ao longo de 2013 no caminho do pior cenário considerável. Notem que os aumentos da temperatura estimados são para este século.Para contextualizar, levou 12.000 anos para que o mundo aquecesse 5 graus Celsius no início da última idade do gelo. Fonte da imagem: Global Carbon Project

Para colocar em contexto, da última vez que os níveis de CO2 estavam tão altos, as temperaturas globais eram de 2 a 3 graus Celsius mais quentes do que hoje e os níveis do mar eram, pelo menos, 75 pés (~23 metros) mais altos. Mas como os humanos emitem uma série de outros gases de efeito estufa poderosos, a medida global de CO2 por si só não tem em conta o quadro todo. Se todos os outros gases libertados por humanos, e que bloqueiam o calor de se escapar, forem adicionados, o efeito de calor do CO2 equivalente (CO2e) é de cerca de 481 ppm, o que é suficiente para aumentar as temperaturas, a longo prazo, em cerca de 3,8 graus Celsius, e para derreter mais da metade das camadas atuais de gelo no mundo.

No ritmo atual de emissões, vai demorar menos de 30 anos a garantir na atmosfera um valor de CO2 equivalente (CO2e) de 550 ppm – o suficiente para derreter todo o gelo da Terra e para elevar a temperatura entre 5 e 6 graus Celsius a longo prazo.

Esta compilação de números e análises por ‘robertscribbler’, e como ele disse neste mesmo texto, “não inclui as emissões de feedback (realimentação) amplificador das reservas de metano ou dióxido de carbono, tais como aquelas que agora, aparentemente, se desestabilizam no Ártico.

Então o quadro poderá ser bem pior e estamos apenas a iludir-nos a nós próprios enquanto não considerarmos o metano e CO2 a ser libertado neste momento do fundo do Ártico e na Sibéria. Mas e então, quem é que está a considerar o quadro total para que possamos saber qual a verdadeira situação da humanidade quanto ao aquecimento global? Paul Beckwith é um deles, um cientista que tem um estudo feito em Clima Paleontológico e até faz vídeos com gatos e põe no youtube para chamar a atenção das pessoas para esta questão. O quadro prognóstico pelos modelos climáticos é aterrorizante, mas a ciência do clima é super interessante. O que está a ser explorado no mesmo blogue que publicou a transcrição desta entrevista a Paul Beckwith, em português.

E para aqueles que dizem que a tecnologia de energias renováveis está a evoluir imenso (e está), que a Alemanha está a dar o exemplo e com certeza a humanidade pode, e está, a dar a volta a esta situação, e que ‘até houve uma marcha do clima recentemente com 400.000 pessoas só em Nova Yorque!’,… Pois, mas é que parece que muito poucos nessa marcha estão conscientes da ciência do clima. Os poucos que estavam a abanar cartazes sobre metano falavam da captura de metano por fracturação hidráulica, e nada das Gigatoneladas de metano a escaparem do fundo do Ártico e da permafrost na Sibéria. E olhem só o que o Chris Hedges, autor premiado e jornalista que ganhou o Pulitzer e conhecido pela sua crítica ao sistema insustentável do capitalismo, tem a dizer sobre a famosa Marcha do Povo Pelo Clima neste vídeo do show Breaking The Set, da RT, introduzido por Abby Martin: “tais mobilizações são, em última análise, ineficientes, acrescentando que os grupos principais que patrocinam a marcha em Manhattan são desenhados para neutralizar resistências.” Abby perguntou-lhe ainda porque é que 400.000 pessoas nas ruas de Manhattan não são uma ameaça ao status quo. Ele foi muito elucidativo:

“Primeiro porque não havia agenda. Segundo, porque as instituições estabelecidas faziam parte da marcha; grupos como Environmental Defense Fund (Fundo Para a Defesa do Ambiente) que apoiam a fracturação hidráulica e recebem apoios das gigantes petrolíferas como a BP. Eles ficaram dentro dos perímetros que lhes foram dados pela polícia de Nova Yorque, em contraste com a marcha da qual eu fiz parte Segunda de manhã “Flood Wall Street” (Inunda Wall Street), onde, sem permissão, 4000 pessoas sairam às ruas e fecharam as ruas em Wall Street; sentadas no meio da estrada. Até que comecemos a engajar-nos em actos de desobediência civil, especialmente dado o facto de que as elites em poder, e em particular o partido democrático, adoptam a retórica das mudanças climáticas, não vamos fazer grande diferença. O Obama fala de Alterações Climáticas como sendo real e como algo com o qual ele pretende lidar na sua administração, e ainda assim temos visto o Obama a expandir massivamente a perfuração em terreno público, perfurações no mar, fracturação hidráulica, aprovando a extensão sul do oleoduto de Keystone, a qual está desenhada para trazer Petróleo Shell das areias betuminosas de Alberta (…) a retórica do estabelecimento democrático em particular não encaixa na realidade. A realidade é que o sistema político está monopolizado pela indústria dos combustíveis fósseis, carvão, petróleo, gás, e a não ser que comecemos a romper com sistema eles vão continuar com esta forma de ecocídio, destruindo o que resta do planeta para a obtenção de lucros a curto prazo.”

O aquecimento GLOBAL afecta todo e cada ser humano, e tem que ser resolvido por TODO E CADA SER HUMANO. “Se votar mudasse alguma coisa, já estaria proibido” – Edward Bellamy. E não se trata de reciclar, mudar para lâmpadas mais eficientes ou desligar o interruptor da luz; trata-se de uma mudança cultural necessária que torne esta distorção social milenar, e perpetuada até hoje, obsoleta. Trata-se de informação e consciencalização para além dos limites confortáveis do status quo, e abandonando a confiança que depositamos neste. Não se preocupem, ele seguirá com a mudança, mas cada dia mais revolucionado que no anterior.

Para mais clarividência sobre essa tão necessária transformação pessoal e social, vejam a última entrevista de Peter Joseph por Abby Martin na RT.

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One thought on “Será que a Humanidade Está a Dar a Volta ao Aquecimento Global?

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