Acordo da COP21 Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam

Acordo da COP21 Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam

Sugerimos a leitura de “Acordo de Paris Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Acordo da COP21 não evita devastação da mudança climática
Um grave e contundente artigo do The Independent, no qual estou materialmente mencionado: COP21: Acordo de Paris é fraco demais para evitar a mudança climática devastadora, académicos advertem. Começa assim (aqui está uma parte; clique no link para o artigo completo. A nossa carta ao jornal, contudo, encontra-se na íntegra, mais abaixo na página):
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“Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que elas querem ouvir e ignorar o resto”.

O Acordo de Paris para travar o aquecimento global tem, na verdade, constituído um grande revés para a luta contra as alterações climáticas, académicos especialistas avisam.

O acordo pode ter sido apregoado por líderes mundiais mas é demasiado fraco para ajudar a impedir o dano devastador para a Terra, alegam.

Numa carta conjunta ao The Independent, alguns dos principais cientistas do clima do mundo lançaram um duro ataque ao acordo, alertando que oferece “falsa esperança”, que poderia, em última instância, provar ser contraproducente na batalha para travar o aquecimento global.

A carta, que carrega onze assinaturas incluindo os professores Peter Wadhams e Stephen Salter, das universidades de Cambridge e Edimburgo, adverte que o Acordo de Paris é perigosamente inadequado.

Por causa do fracasso de Paris, os académicos dizem que a única chance do mundo de se salvar do aquecimento global desenfreado é um impulso gigante em direção a tecnologias de geo-engenharia controversas e amplamente não testadas que procuram esfriar o planeta através da manipulação do sistema climático da Terra. …

“Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que eles querem ouvir e ignorar o resto . O que eles desconsideraram foram as falhas mortais que se encontravam logo abaixo do seu verniz de sucesso,” os académicos escreveram na carta, …assinada por … Professor Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, no Canadá.

“O que as pessoas queriam ouvir era que um acordo havia sido alcançado quanto às alterações climáticas que iria salvar o mundo enquanto deixando os estilos de vida e aspirações inalterados. A solução que propõe não é chegar a acordo sobre um mecanismo urgente que garanta cortes imediatos nas emissões, mas chutar a lata pela estrada abaixo.”

… Mas eles dizem que as ações acordadas são demasiado fracas para se chegar nem próximo desse alvo. Além disso, os compromissos que os países fizeram para cortarem nas suas emissões de carbono não são suficientemente vinculativos para garantir que sejam cumpridos, enquanto que o Acordo de Paris não vai forçá-los a se “ajustarem” tão frequentemente quanto for necessário.

Mais preocupante ainda, dizem eles, é a falta de ação dramática imediata que se acordou para combater o aquecimento global. O Acordo de Paris só entra em vigor em 2020 – ponto no qual enormes quantidades de CO2 adicional terão sido bombeadas para a atmosfera. Os signatários afirmam que isto torna quase impossível limitar o aquecimento global a 2C, muito menos 1.5C.

“O coração do Acordo de Paris estava no lugar certo, mas o conteúdo é pior do que inepto. Foi um verdadeiro triunfo para a diplomacia internacional e envia uma forte mensagem de que os céticos perderam o caso e que a ciência está correta quanto às alterações climáticas. O resto é pouco mais do que paródia e arrisca limitar-se ao fracasso “, disse o professor Kevin Anderson, da Universidade de Manchester, que não assinou a carta mas concorda com o seu argumento.

Peter Wadhams, professor de física do oceano na Universidade de Cambridge e um dos signatários da carta, disse que as perspectivas para conter o aquecimento global consequentes ao Acordo de Paris, são agora tão calamitosas que ele defende uma investida em geo-engenharia – o que não é algo que ele recomenda de ânimo leve. “Pesando com tudo o mais, não sou um grande fã de geo-engenharia, mas acho absolutamente necessário, dada a situação em que estamos. É um adesivo pestilento, como solução. Mas você precisa dela porque, olhando para o mundo, ninguém está a mudar instantaneamente o seu padrão de vida”, disse o professor Wadhams.

Bombear grandes quantidades de água pulverizada para as nuvens para torná-las maiores e mais brilhantes para que reflitam a luz solar de volta para a atmosfera – conhecida como Abrilhantamento da Nuvem Marinha – oferece a melhor perspectiva de geo-engenharia, disse ele.

Tecnologias de geo-engenharia – que também consideram colocar espelhos gigantes no espaço ou o branqueamento da superfície do oceano para desviar a radiação solar de volta para o espaço – são controversos por causa dos receios de que sejam tecnicamente exigentes, seriam extremamente caros, para além de que interferir com o sistema climático poderia ter consequências inesperadas prejudiciais para o planeta.

A carta

Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que eles querem ouvir e ignorar o resto. O que as pessoas queriam ouvir era que um acordo havia sido alcançado quanto às alterações climáticas que iria salvar o mundo, deixando os estilos de vida e aspirações inalterados.

O que eles desconsideraram foram as falhas mortais que se encontram mesmo por abaixo do seu verniz de sucesso. Logo na terceira página do projecto de acordo está o reconhecimento de que a sua meta de CO2 não vai manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 graus Celsius, o nível que já havia sido definido como o limite seguro crítico. A solução que se propõe não é chegar a acordo quanto a um mecanismo de urgência que garanta cortes imediatos nas emissões, mas chutar a lata pela estrada abaixo, ao comprometerem-se a calcular um novo orçamento de carbono para um aumento da temperatura de 1,5 graus, que poderá ser falado em 2020.

Dado que não podemos concordar quanto aos modelos climáticos ou o orçamento de CO2 para manter o aumento da temperatura a 2°C, então somos ingénuos ao pensar que vamos concordar quanto a uma meta muito mais difícil em cinco anos, quando, com toda a probabilidade, o aumento exponencialmente dos níveis atmosféricos de CO2 dizem-nos que vai ser tarde demais.

Mais preocupante, essas metas inadequadas exigem que a humanidade faça muito mais do que cortar nas emissões com um programa de tecnologia renovável glorioso que ultrapassará qualquer outro esforço humano do passado. Elas também requerem que o carbono seja sugado do ar. O método preferido é eliminar a indústria de combustíveis fósseis pela competição através do fornecimento de biomassa às centrais térmicas. Isso envolve um crescimento rápido das árvores e plantas, mais rápido do que a natureza alguma fez em solo que não temos, depois queimá-la em estações de energia que irão capturar e comprimir o CO2 usando uma infra-estrutura que não temos e com tecnologia que não irá funcionar na escala que precisamos e, finalmente, armazená-lo em lugares que não podemos encontrar. Para se manter a agenda com boas notícias, tudo isto foi omitido do acordo.

O rugido das tempestades globais devastadoras já afogou os falsos festejos de Paris e colocou brutalmente em foco a extensão da nossa incapacidade para lidar com a mudança climática. A triste verdade é que as coisas vão ficar muito piores. O excesso de calor do planeta está agora a derreter a capa de gelo do Ártico como uma faca quente na manteiga e está a fazê-lo a meio do Inverno. A menos que seja travado, este aquecimento do Ártico vai levar a uma rápida libertação dos hidratos de metano do fundo do mar do Ártico e anunciar a próxima fase de mudança climática catastrófica intensa à qual a nossa civilização não vai sobreviver.

O tempo para a opinião esperançosa e otimismo cego que tem caracterizado o debate sobre as alterações climáticas acabou. O tempo para factos duros e decisões é agora. As nossas costas estão contra a parede e agora temos que iniciar o processo de preparação para geo-engenharia. Temos que fazer isso no conhecimento de que as suas chances de sucesso são pequenas e os riscos de implementação são grandes.

Temos de olhar para o espectro completo de geoengenharia. Isto irá cobrir iniciativas que aumentem o sequestro de carbono por restauração de florestas tropicais até à fertilização dos oceanos. Irá estender-se a técnicas de gestão de radiação solar, como o branqueamento artificial de nuvens e, in extremis, replicar os aerossóis de atividade vulcânica. Vai ter que ter em conta para quais áreas nos focamos seletivamente, como as regiões do Ártico que emitem metano, e quais áreas devemos evitar.

Os elevados riscos políticos e ambientais associados a isto têm que ser esclarecidos para que nunca seja usado como alternativa a fazer-se os cortes de carbono que são urgentemente necessários. O reconhecimento destes riscos deve ser usado ​​para desafiar a narrativa de opinião esperançosa que infestou as conversações sobre as alterações climáticas ao longo dos últimos vinte e um anos, e que atingiu o seu apogeu com o acordo COP21. No vácuo internacional presente quanto a esta questão, é imperativo que o nosso governo toma uma iniciativa.

Assinado por

Professor Paul Beckwith, Universidade de Ottawa
Professor Stephen Salter – Universidade de Edimburgo
Professor Peter Wadhams – Universidade de Cambridge
Professor James Kennett, da Universidade da Califórnia.
Dr Hugh Hunt – Universidade de Cambridge
Dr. Alan Gadian – Cientista Sénior, Centro da Nação para as Ciências Atmosféricas da Universidade de Leeds
Dr. Mayer Hillman – Membro Sénior Emérito do Instituto de Estudos Políticos
Dr. John Latham – Universidade de Manchester
Aubrey Meyer – Diretor, Global Commons Institute.
John Nissen – Presidente do Grupo de Emergência para o Metano no Ártico
Kevin Lister – Autor de “O Vortex da Violência e por que estamos a perder a guerra contra as alterações climáticas

Traduzido do original COP21 Deal Cannot Prevent Devastating Climate Change, Academics warn, publicado por Paul Beckwith em http://paulbeckwith.net/.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Como a Mudança Climática Pode Conectar a Humanidade

em http://focoempatico.net

Gelo do Mar do Ártico no Recorde Mais Baixo para Janeiro

em https://alteracoesclimaticas…


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Os Céticos do Metano e da Extinção: O Novo Desafio Das Alterações Climáticas

Os Céticos do Metano e da Extinção: O Novo Desafio Das Alterações Climáticas


Os novos céticos na ciência climática estão em negação na questão do metano e da extinção. Como podemos ultrapassar a negação. Já foi um desafio ultrapassar a campanha de negação do aquecimento global; as pessoas não querem ouvir sobre extinção no nosso tempo de vida… E quanto aos governos? Não se pode fazer negócio e promover uma economia baseada no consumo e a guerra quando a possibilidade de extinção está nas noticiário. Como vamos dar a volta a esta? O gelo do Ártico está a derreter e vai desaparecer completamente em entre 1 a 3 anos. As emissões de CO2 estão a aumentar em vez de diminuir. O Aquecimento Global tem um “Fugidío” anexado agora. Como vamos apanhá-lo?

Uma compilação com algumas das referências mais interessantes na ciência e Internet:
Peter Sinclair, Greenmanstudios; David Wasdell, Appolo-Gaia Project; Prof. Kevin Schaefer; Professor Martyn Poliakoff – Periodic Videos; James Hansen; Supreme Master Ching Hai; Peter Ward; Jason Box; Dra. Natalia Shakhova; Dr. Igor Semiletov; Thom Hartmann, entre outros…

Segue em baixo a transcrição do vídeo traduzida para português:

Quando a realidade parece muito difícil de enfrentar, batemos em retirada com mecanismos de defesa. Havia a garota que sempre explicava que ela na realidade não queria algo após ela descobrir que não poderia obtê-lo. Ela era de duas caras. O seu mecanismo de defesa era a racionalização. Ele viu a doença como uma saída. Uma saída para trás, é verdade, mas uma saída. Quando era hora de trazer a madeira, as pernas doíam-lhe. Quando a neve caiu algo se passou com o seu braço. E ele adorava a atenção que recebia. Seu mecanismo de fuga foi o fingimento. O Exército chama-lhe “gold-bricking”. Ele se identificou com um campeão de pesos pesados. Cada luta que o campeão venceu, ele venceu. Cada soco que o campeão levou, ele levou. E ele aguentava-se. O seu mecanismo de fuga foi a identificação com outra pessoa. Ela pensou que se fizesse de conta que uma coisa não estava lá, poderia desaparecer. Se você fingisse que algo não tivesse acontecido, talvez não tivesse. Se você escondesse a verdade, talvez viesse a revelar-se sendo uma mentira. O seu mecanismo de fuga era a supressão. Você experiencia mecanismos de defesa enquanto assiste o vídeo seguinte? Vamos contar em decrescente desde cinco. Em que número eles aparecem?

Este pedaço de gelo pode parecer muito banal à primeira vista, mas, acenda-lhe um fósforo e algo surpreendente acontece. Conforme relatado na edição de ‘The Atlantic’ deste mês, chama-se “hidrato de metano”, e, na verdade, não é incomum de todo. De fato, existem mais de 100,000 triliões de pés cúbicos daquilo na Terra. Em termos de volume, que é como o tamanho do mar Mediterrâneo, e tem uma capacidade de energia maior do que todo o carvão, petróleo e gás natural na Terra combinados. E enquanto o metano queima limpinho, o metano não queimado é um potente gás de efeito estufa, e se escapa pode ser devastador para o meio ambiente.

[Peter Sinclair, Greenman Studios] Você talvez se lembre que em 2007 houve um grande estudo que saiu deste grupo chamado Painel Intergovernamental para a Mudança Climática e eles olharam para modelos de computador de quão rapidamente o gelo do Ártico iria desaparecer, e no início de 2007, isto é o que eles nos estavam a dizer. Que iríamos ver uma queda gradual no mínimo de gelo do Ártico, descendo provavelmente para onde ainda teríamos uma boa quantidade de gelo restante no ano de 2100, no pior caso, talvez em 2070 veríamos águas abertas … ..no Ártico durante o Verão. Naquele mesmo ano, vimos nas observações reais, uma enorme queda no gelo do Ártico, e essa queda continuou de modo que, em 2012, isto é agora onde estamos.

[David Wasdell, Apollo Gaia Project] Quanto mais rápido aquece, mais vapor de água. Quanto mais vapor de água, mais rápido aquece. Quanto mais rápido aquece, menos gelo. Quanto menos gelo, menos reflexão e mais rápido aquece. Você começa a ficar com a ideia? Tem que ser uma curva descendente no que chamamos de “decaimento exponencial”. E se você projetar essa linha no futuro, como foi feito neste particular … … conjunto de equações e entendimento da perda de massa de gelo do Ártico, então, mais uma vez, mostra zero gelo a flutuar no Oceano Ártico pelo final do Verão de 2015.

A temperatura média do mundo subiu apenas 1ºC, mas lá em cima no Ártico subiu 5ºC … O espelho que está no topo do mundo vai desaparecer. Não vai desaparecer no Inverno, mas o sol não está a brilhar sobre ele durante o inverno, logo … o que importa é o horário de Verão. Um dos principais efeitos que isto tem é que, quando todas estas áreas no norte estão cobertas de neve branca e gelo refletores, ressalta a maioria da energia solar para fora; ressalta-a de volta para o espaço. Mas quando estamos a ver mais e mais água aberta, solo escuro e superfícies escuras, então a energia solar tende a ser absorvida; assim, em vez de refletir 90% de toda a energia, está a absorver 90% de toda a energia, então … isto é o que os cientistas chamam de feedback positivo, e eles não querem dizer que é bom. Não é uma coisa positiva para nós, é mais como um ciclo vicioso. Mais calor significa menos gelo e menos gelo significa mais calor e apenas continua numa espiral e é isso que estamos a ver no Ártico.

[Prof. Kevin Schaefer] Aaah, permafrost! Aqui está. Terra congelada. A permafrost derrete; a matéria orgânica da permafrost derrete também e começa a decompor-se, os microorganismos começam a comê-la. Se não há oxigénio, os microorganismos fazem metano.

[Professor Martyn Poliakoff – Periodic Videos, youtube] Portanto, isto é metano. Um carbono com quatro hidrogénios à volta. CH4. O metano é o composto mais simples de carbono e hidrogénio. E é uma molécula extremamente disseminada em todo o mundo. É a base do chamado “gás natural”, o gás que se encontra fundo na Terra e o qual se pode perfurar e recuperar. É usado para aquecimento e energia em todo o mundo. Também é formado quando o material das plantas se decompõe. Se você tem um charco, um lago pequeno, e material de plantas cai lá dentro e decompõe-se no fundo, se você enfiar uma vara, bolhas de gás vêm para cima. Se você coletar esse gás pode de facto acendê-lo com um fósforo e ele arde, e eu fiz isso quando era mais jovem. O metano, quando passa para a atmosfera, comporta-se como o dióxido de carbono porque ele pode absorver a radiação, radiação infra-vermelha, e causar aquecimento global. E ele absorve a radiação pelas vibrações das ligações carbono-hidrogénio, nas vibrações quando elas esticam e também quando … vibram; chamadas de vibrações tesoura. O metano de facto absorve radiação de modo muito mais forte que o dióxido de carbono na atmosfera, mas o seu tempo de vida, a vida da molécula na atmosfera, é mais curto, porque, eventualmente, reage com o oxigénio e se transforma em dióxido de carbono.

[James Hansen] Há efeitos potencialmente irreversíveis no derreter do gelo do mar. Se começar a permitir que o Oceano Ártico aqueça e que aqueça o fundo do oceano, então vai começar a libertar hidratos de metano.

[Supreme Master Ching Hai] De acordo com Dr. Hansen, o nosso planeta está num caminho perigoso para passar um ponto de não retorno irreversível, com consequências desastrosas. Este … permafrost em derretimento, por sua vez, liberta gás metano tóxico, resultando em mais aquecimento da atmosfera. As razões porque os cientistas estão agora voltando as atenções para o metano é que a pesquisa mostrou que este gás tem uma capacidade de aquecimento 100 vezes maior do que o CO2 nos primeiros 5 anos. É muito lógico, cientificamente falando ou não.

[Peter Ward] O metano é muito pior do que o dióxido de carbono. Está inerte agora no solo, não está a afetar ninguém de nenhuma forma. Quando você o aquece torna-se gás, e então começa a agir imediatamente como um gás de estufa, logo, esta é uma ameaça imediata e de muito curto prazo para a civilização planetária.

[Jason Box] Isso é provavelmente o maior problema que enfrentamos. A elevação do nível do mar também é um grande problema, um muito caro de administrar, mas … a libertação de metano a partir da tundra, uma vez que se põe em curso, chegamos a um ponto em que perdemos a opção de ter uma estratégia eficaz de mitigação.

[Dra. Natalia Shakhova, Centro de Pesquisa Internacional do Ártico] Cerca de oito anos atrás começámos a estudar a Placa Continental do Ártico na Sibéria Oriental, e, na verdade, temos vindo a estudá-la durante os últimos oito anos continuamente, ano após ano, realizando uma a duas expedições por ano. Os hidrocarbonetos que são produzidos dentro da cortina sedimentar foram selados o que impediu o metano de escapar para a atmosfera. É por isso que estamos a dizer que esta deve ser a maior reserva de hidrocarbonetos de todas. O metano na atmosfera, a quantidade total de metano na atmosfera de carbono, é de cerca de 5 Gigatoneladas. A quantidade de carbono conservada sob a forma de metano na placa continental Siberiana do Árctico, é aproximadamente de centenas a milhares de Gigatoneladas. E, claro, apenas um por cento desse montante é necessário para duplicar a carga atmosférica de metano. Para desestabilizar um por cento desta reserva de carbono, acho que não é necessário muito esforço, considerando o estado do permafrost e a quantidade de metano atualmente envolvida, porque o que divide este metano da atmosfera é uma coluna de água muito rasa e uma permafrost a enfraquecer, que está a perder a sua capacidade para servir como vedante. Não a qualquer momento, eu acho que … A qualquer momento soa como pode acontecer hoje, pode acontecer amanhã, depois de amanhã … [Igor Semiletov] Pode acontecer a qualquer momento. – Você acha? – Eu estou pessimista. – O Igor está muito convencido, porque ele passou muito tempo lá. … e onde o gelo do mar devia ter cerca de 2 metros de espessura, tinha 40 centímetros de espessura. Isso significa que todos os processos servem a desestabilização; todos, o gelo do mar, a coluna de água, as correntes a aumentarem, com as correntes quero dizer o movimento da água sob o gelo do mar tem aumentado … tudo parece tão anómalo; mesmo a partir de nossa experiência destes 10 anos, tudo parece anómalo, e é isso que o faz … pensar que … fazendo-o pensar que … … o pior pode acontecer. – Não podemos excluir isso. Talvez seja de 5%, talvez seja menos, mas não podemos excluir, porque … – Em poucas palavras, não gostamos do que vemos lá. Absolutamente não gostamos.

A Extinção em Massa do Permiano é, em essência, é apenas a maior crise que a vida na Terra já sofreu. Pelo final da Extinção em Massa do Permiano, 95% de toda a vida no planeta estava morta. E por que é que isso é importante hoje? Porque hoje uma sexta extinção está em curso. Uma que vai testar a sobrevivência não apenas da civilização humana, mas possivelmente da própria espécie humana. E tem uma semelhança horrível a vários eventos anteriores derivados de aquecimento global, como a Extinção em Massa do Permiano. Durante a Extinção em Massa do Permiano, gases de efeito estufa foram libertados por erupções vulcânicas numa área que é chamada hoje de Armadilhas da Sibéria. Estas, juntamente com o calor do fluxo da própria lava, aqueceram a atmosfera da Terra em, pelo menos, 6ºC. Esse tanto de aquecimento global causou um número de baixas enorme nos animais terrestres e plantas mas, muito pior, aqueceu os oceanos o suficiente para que o metano, congelado sob o mar profundo, derretesse e fosse libertado para a atmosfera. Essa enorme libertação de metano, um poderoso gás de estufa, praticamente duplicou o nível de aquecimento global e matou mais de 95% de toda a vida tanto na terra como no mar.

Olhe para isto. Numa questão de … … dias, poucos dias, temos esta enorme área, olhe para isto, quase a explodir em metano. A única maneira que isso é possível é pelo derretimento de hidratos de metano. É simplesmente a única explicação. [Níveis de metano] [Mar de Laptev] Muitos de nós recusam-se a encarar a realidade.

Muitos de nós tentam fugir, escapar aos nossos deveres e identidades, aos nossos rostos e às nossas famílias, mas todas estas coisas permanecem. Todas as realidades permanecem, sempre que deixamos os nossos sonhos e voltamos para o mundo real.

Todos os Dias nas Notícias Vemos Evidência da Extinção Humana a Curto Prazo

Todos os Dias nas Notícias Vemos Evidência da Extinção Humana a Curto Prazo
Pela primeira vez na história os humanos estão em posição de destruir os prospectos para uma existência decente e a maioria da vida. O ritmo de destruição das espécies hoje é perto do mesmo de há 65 milhões de anos, quando uma catástrofe maior, presumivelmente um asteróide enorme, acabou com a era dos dinossauros abrindo caminho para os mamíferos proliferarem. A diferença é que hoje nós somos o asteróide e o caminho vai provavelmente ser aberto para os escaravelhos e bactérias quando tivermos concluído o nosso trabalho.
Pela primeira vez na história os humanos estão em posição de destruir os prospectos para uma existência decente e a maioria da vida. O ritmo de destruição das espécies hoje é perto do mesmo de há 65 milhões de anos, quando uma catástrofe maior, presumivelmente um asteróide enorme, acabou com a era dos dinossauros abrindo caminho para os mamíferos proliferarem. A diferença é que hoje nós somos o asteróide e o caminho vai provavelmente ser aberto para os escaravelhos e bactérias quando tivermos concluído o nosso trabalho.

Todos os dias, nas notícias, vemos evidência da extinção da humanidade a curto prazo. Vamos dar uma voltinha pelas publicações? Bem, talvez apenas a uma, por hoje, mas muito relevante!

Na página Facebook ‘End Ecocide in Europe’ acabram de publicar um artigo intitulado “Building an Ark For the Anthropocene” (Construindo uma arca para o Antropoceno) pelo New York Times. O artigo começa com “Estamos a rebolar para o Antropoceno, a sexta extinção em massa na história do planeta…” e continua fazendo referência a um estudo publicado na ‘Science’ que conclui que “as espécies estão a desaparecer 1000 vezes mais rápido do que o ritmo em que se extinguem naturalmente.” Este quadro dá-nos pausa; é triste e desesperante. Mas não é a razão porque este artigo mostra evidência de que nos vamos extinguir a curto prazo. É que logo a seguir continua “…condições meteorológicas extremas pelas alterações climáticas causam ainda mais danos. Em 2100, investigadores dizem, entre um terço e metade as espécies da Terra poderiam ser aniquiladas.” 2100!? Aí é que está a evidência! Tudo o que tem a ver com previsões de consequências do aquecimento global está a falar em 2100, uma data que não diz muito a ninguém que ainda esteja vivo hoje pois muito provavelmente já não estará cá. E é assim que se mostra preocupação pelo aquecimento global e se mantém a confiança das massas quando na realidade nem faz parte dos nossos planos principais e ninguém se vai apressar nas verdadeiras medidas para resolvê-lo (desligar o botão do CO2 e colocar energias renováveis e que tendem para custo zero em todo o lado) quando se fala numa data em que quase ninguém dos que cá andam hoje vai estar vivo nessa altura. E é por isso que nos vamos extinguir; não tanto pelo CO2, pois é de fácil resolução, mas pela distorção político-económica, que essa sim é difícil de abandonar. O gelo do Ártico levou uma tareia em 2012 e estava a cair a pique de tal modo que estávamos a prever vê-lo desaparecer pela primeira vez já em Setembro de 2015. Mas foi uma sorte que este ano não tivemos El Niño e muito do calor absorvido pelo planeta ficou nos oceanos Atlântico e Pacífico e a curva de degelo do Ártico aliviou um bocadinho. Bem, uma sorte talvez não, pois o calor acumulado ainda está lá e a acidificação do oceano é outro problema. Agora é previsto o Ártico desaparecer lá para 2018. Digam-me que as consequências de o Ártico ficar sem gelo devem focar-se no ano de 2100? O que é que se passa aqui então? Porque é que estes artigos focam todos estudos que referem a data de 2100 como referência de prognósticos? Que nos interessa ouvir dizer que talvez mais de metade das espécies vão desaparecer no final do século com um aumento de temperatura na ordem dos 6ºC se já daqui a 30 anos com um aumento de 3ºC já poderemos cá não estar (pois com um aumento de 0,85 que atingimos hoje, os oceanos e florestas estão a passar de absorventes de carbono a libertadores de carbono [1] e [2], para não falar no metano)? Não vêm o ridículo? o quanto a política é motivada por posse, estatuto e poder e está desalinhada das leis naturais? não vêm o mecanismo que nos está a levar à extinção? Não é fácil, eu sei, especialmente se andas a ver muita televisão ultimamente, mas vamos tentar. Talvez o artigo tenha algo mais para nos dizer…

“Como resultado, os esforços para proteger espécies estão a aumentar quando governos, cientistas e ONGs tentam construir uma versão da Arca de Noé.” Esta arca tem um sentido figurativo, segundo o artigo, e em vez de um barco trata-se de uma “manta de abordagens de remendos, incluindo migração assistida, bancos de sementes e novas zonas de preservação e corredores de passagem baseados em onde é que as espécies deverão emigrar enquanto os níveis do mar sobem e as fontes de alimento se esgotam.” Quando se fala abertamente em remendar a Natureza ao invés de resolver a verdadeira causa do problema, é sinal que a distorção humana foi abraçada com naturalidade. E é aí que está outra evidência de que nada se vai resolver e da certeza da nossa extinção. O artigo diz que esta é uma iniciativa do Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e Serviços de Ecosistema, fundada em 2012 por governos de 121 países. E então tudo faz mais sentido. “Trabalho de remendos” é algo típico de governos e o modelo de análise usado por governos, já sabemos, é o político, não o científico; foca-se em discursos e iniciativas com fachadas bonitas e no crescimento da economia, onde datas como 2100 dão imenso tempo para continuarem a investir em guerras, combustíveis fósseis e estratégia geopolítica de controle de outros países através da “Globalização”. Tudo o que mete “Painéis Intergovernamentais…” cheira mal. O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) é acusado por cientistas climáticos veteranos (alguns dos quais anteriormente fizeram parte desse mesmo painel) de terem “projecções muito erradas e até o seu pior cenário (previsão) ser muito irreal pois não têm em conta o que está a acontecer no Ártico”, disse um destes cientistas, John Nissen, presidente do Arctic Methane Emergency Group. Ele acrescenta que estes cenários estão muito fora da zona de comforto do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que eles trabalham na base de que as coisas vão levar 100 anos para acontecer e isso parece perverter a sua análise. Artigos que apresentam cenários mais extremos, preocupantes, não são publicados e há um ciclo vicioso de supressão embutido nos procedimentos do IPCC, disse John Nissen. “Lembrem-se que é uma organização INTERGOVERNAMENTAL”, acrescentou ele., nesta entrevista.

Quando colocar painéis solares em cada telhado de todas as casas existentes teria um custo e seria um esforço que nem é merecedor da palavra “esforço” quando comparado com o dinheiro, energia e recursos despendidos no consumo cíclico e obsolescência planeada para manter a economia a funcionar, assim como no perpetuar do status quo e de indústrias monopolizadas que são completamente desnecessárias à sobrevivência e sustentabilidade do planeta (Cowspiracy, a conspiração da vaca, se quiserem, é outro documentário merecedor da vossa atenção, e pode ser visto aqui) para não falar do investimento na guerra e competição geopolítica de todos os dias… torna-se claro que a questão não é “Temos dinheiro para fazer isso?”, apesar de que sim, mesmo neste sistema “económico”, (ou devíamos antes dizer “antieconómico”) temos; mas sim “Temos os recursos e o conhecimento técnico?”; e a resposta é óbvia. Como Douglas Mallette explica tão bem neste vídeo, se conseguimos fornecer energia, abrigo, comida, ar limpo e todas as necessidades básicas aos astronautas numa estação espacial, por que raio não o conseguimos fazer a todas as pessoas aqui na Terra?

Qual a evidência científica de libertação de metano no Ártico?

Qual a evidência científica de libertação de metano no Ártico?

Qual a evidência científica quanto à existência e libertação de hidratos de metano do leito do Oceano Ártico?

Níveis Atmosféricos Globais de Metano. A 30 de Agosto de 2014 foram registados 1838 partes por bilião (ppb) demetano a 24.000 pés de altitude (7,5 km). Um número muito superior às médias de 2000-2007 e 2012-2013.
Níveis Atmosféricos Globais de Metano. A 30 de Agosto de 2014 foram registados 1838 partes por bilião (ppb) demetano a 24.000 pés de altitude (7,5 km). Um número muito superior às médias de 2000-2007 e 2012-2013.

Peter Wadhams, professor de Física dos Oceanos e director do Grupo de Física dos Oceanos Polares (Polar Ocean Physics Group) no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da Universidade de Cambridge, entrevistado por Nick Breeze, é uma referência interessantíssima no assunto do aquecimento global e alterações climáticas, especialmente no que diz respeito ao Ártico e metano. Ele esclarece a situação e acrescenta implicações para a humanidade e sustentabilidade do planeta. A entrevista está legendada em português cuja tradução e publicação foi iniciativa da www.NOVACOMUNIDADE.org – O MODELO COOPERATIVO FAMILIAR. Um canal youtube que promete compensar a subscrição.

A transcrição da entrevista será também copiada neste post, para aqueles que preferem ler, assim que disponível. É interessante no mínimo,ouvir um professor com tal historial de carreira falar-nos assim sobre o futuro próximo a humanidade.


Transcrição do vídeo:

Entrevista a Peter Wadhams, Professor de Física dos Oceanos, e Chefe do Grupo de Física do Oceano Polar no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da Universidade de Cambridge. Pode explicar o impacto que a libertação de 50 gigatoneladas de metano teria sobre a atmosfera e quais seriam os efeitos para a vida na Terra e para a Humanidade em particular? Num artigo para a “Nature” nós modelámos o efeito duma libertação de 50 gigatoneladas e convertendo o metano no dióxido de carbono equivalente e olhando para o que isso faz ás temperaturas globais descobriu-se que as temperaturas globais aumentavam até a um máximo de cerca de 0,6 graus e isso seria alcançado 20 anos depois da libertação e assumimos que a libertação ocorreria ao longo de 10 anos. Que 20 anos depois da emissão começar as temperaturas teriam aumentado 0,6 graus. E isso é uma adição bastante substancial para o aquecimento global. Existem pesquisas que mostrem que estamos a caminho duma tão grande libertação de metano? E se a resposta for sim, na sua opinião quão sólidas são essas pesquisas? As pesquisas sólidas que mostram que a libertação está a acontecer, do trabalho que o grupo americano e russo da Universidade do Alaska Pacific Oceanografic Lab tem vindo a fazer todos os verões no mar siberiano, está mostrando que a cada ano estamos vendo cada vez mais e mais emissões de metano no fundo do mar e que atingem a superfície porque a água é rasa, com uma profundidade de cerca de 70 metros, já vimos muitas fotos, filmes, e dados a partir deles mostrando essas emissões. E no próximo ano vamos juntar-nos a eles para continuar a fazer esse trabalho. Então, existe evidência sólida das emissões de metano do fundo do mar raso e também existe evidência sólida de emissões nas águas profundas em Spitsbergen mas aí o metano tem tempo para se dissolver na água durante a subida portanto não é diretamente libertado na atmosfera, enquanto que o metano das aguas rasas é. Então isso é bastante sólido. A questão da quantidade é a pergunta mais difícil porque olhar para o atual ritmo de emissões e para o conteúdo de hidratos de metano nos sedimentos é o que permite estimar quanto metano irá ser libertado num futuro derretimento de sedimentos devido a um aumento da temperatura das aguas. E neste momento para essas estimativas temos que confiar no trabalho que tem vindo a ser feito por Natalia Shakhova e Igor Semiletov. Eles tem um conhecimento especializado das condições do leito marinho e foram eles que estimaram as 50 gigatoneladas. Então esse valor pode ser revisto para cima ou para baixo se mais trabalhos futuros forem feitos nessa área.

Pensa que a civilização poderia sobreviver a uma libertação de 50 gigatoneladas de metano?

Não, não penso que consiga. Se olharmos para as atuais previsões de aumento do aquecimento global o que é um bocado estranho é o facto das projeções institucionais – mesmo as mais cautelosas produzidas pelo IPCC – ainda nos dão cerca de 4 graus de aquecimento até ao final do século. E 2 graus foi o numero tomado arbitrariamente como o nível a partir do qual coisas desagradáveis acontecerão – não sei porque 2 graus mas… –

e esses 2 graus serão alcançados no meio do século, e 4 graus no final do século. Então, as pessoas que calculam o que 4 graus fariam para a produção de alimentos, para a morte de florestas, para a aceleração do aquecimento devido á entrada de vários feedbacks extras… a conclusão geral é bastante medonha: que se tivermos um aquecimento de 4 graus acontecerá o colapso da civilização porque o mundo não vai de forma alguma conseguir sustentar nem de perto nem de longe a sua atual população por isso seria o caos, guerras…

A coisa estranha é que isso está previsto nos relatórios do IPCC… Preveem um aquecimento de 4 graus até ao final do século mas em nenhum lado eles afirmam que 4 graus seria uma catástrofe economicamente e socialmente para o planeta. E agora com este metano do Ártico estamos simplesmente adicionando outro elemento de aquecimento mesmo que seja apenas uma adição de 0,6 isso adianta a data em que aconteceria um aquecimento catastrófico em talvez 20 anos. Por isso iremos entrar num estado em que o ritmo de aquecimento nos está dando algo que levará a sociedade a colapsar e iremos entrar nesse estado mais rapidamente por causa das emissões marítimas.