Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

Sugerimos a leitura de “Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Os cientistas estão perplexos e nós também devíamos estar. O calor global e especialmente as temperaturas extremamente altas em relação à média que vimos no Ártico ao longo do mês passado são absolutamente sem precedentes. É estranhamente bizarro. E o que parece, para este observador em particular, é que a sazonalidade do nosso mundo está a mudar. O que estamos a testemunhar, neste momento, parece o começo do fim para o Inverno tal como o conhecemos.

Janeiro Mais Quente do Registo – Mas o Ártico Está Simplesmente Bizarro

Qualquer pessoa que observe o Ártico – de cientistas a ambientalistas, a especialistas em ameaças emergentes, a entusiastas do tempo e do clima, até simplesmente pessoas normais, inquietos com o estado do nosso sistema climático global o qual se revela rapidamente – deviam estar muito, muito preocupados. A emissão humana de gases de efeito estufa – agora a empurrar os níveis de CO2 acima das 405 partes por milhão e a adicionar uma série de gases extra que retêm o calor – parece estar a forçar rapidamente o nosso mundo a aquecer. E a aquecer mais rapidamente num dos absolutamente piores lugares que se possa imaginar – o Ártico.

Não só foi este janeiro de 2016 o mês de janeiro mais quente já registado no registo climático global de 136 anos da NASA; não só janeiro mostrou a maior diferença de temperatura em relação à média para um único mês – com 1,13°C acima da linha de base do século XX da NASA, e cerca de 1,38°C acima das médias de 1880 (apenas 0,12°C abaixo da perigosa marca de 1,5°C); como o que observámos na distribuição global dessas temperaturas quentes recorde foi ao mesmo tempo estranho e perturbador.
Anomalia da Temperatura Janeiro de 2016 NASA

(Um mundo quente recorde em janeiro mostra calor extremo no Ártico. O mapa global de anomalia da temperatura da NASA, em acima, sugere que o calor tropical – acentuado por um El Nino recorde – viajou para o norte e pelo Ártico dentro por meio de pontos fracos na corrente de jato sobre a América do Norte Ocidental e a Europa Ocidental. Fonte da imagem – NASA GISS).

Apesar de que o mundo estava quente no seu todo – com o calor do El Nino a dominar as zonas tropicais – os extremos das temperaturas acima da média concentraram-se exatamente no telhado do nosso mundo. Lá, nas terras do Ártico e do gelo glacial e da permafrost agora a descongelar – sobre a Sibéria, sobre o norte do Canadá, sobre o norte da Gronelândia e por toda a zona do Oceano Ártico acima da Latitude Norte 70 – as temperaturas andavam em média entre os 4 e os 13 graus Celsius acima do normal. Isso é entre 7 e 23 graus Fahrenheit mais quente do que o normal para o período extraordinário de um mês inteiro.

E quanto mais para norte se ia, mais calor se obtinha. Acima da linha de Latitude Norte 80, as médias de temperatura para toda a região subiram para cerca de 7,4 graus C (13 graus F) mais quentes que o normal. Para esta área do Ártico, isso é tipo igual à diferença típica entre janeiro e abril (abril é cerca de 8 C mais quente do que janeiro, durante um ano normal). Assim, o que temos visto é absolutamente sem precedentes – no Ártico, para o mês inteiro de janeiro de 2016, as temperaturas foram aquelas de uma primavera.

Desvio das temperaturas em relação à média no Ártico para 2016

(Para janeiro e fevereiro de 2016, a região de Latitude Norte 80 e em direção ao norte experienciou as suas condições mais quentes jamais registadas. As temperaturas mantiveram-se num intervalo de -25 a -15 C para a zona, um conjunto de temperaturas mais típicas de meados ou final de abril. Fonte da imagem: NOAA).

E para o inverno de 2016, é possível que o Ártico nunca experiencie condições típicas. Pois, de acordo com a NOAA, a primeira quinzena de fevereiro viu este calor recorde, tipo Primavera, prolongar-se até hoje. É como se estas zonas mais frias do Hemisfério Norte ainda não tivessem experienciado Invernocomo se a tempestade anormal que levou as temperaturas do Ártico para níveis recorde durante o final de dezembro tenha, desde então, enfiado o termómetro em níveis típicos de abril e o deixado lá preso.

Calor do El Niño Teleconecta com o Polo

Porque é isso tudo tão ameaçador?

Seria mau se fosse o caso em que o calor no Ártico simplesmente resultasse no cada vez mais rápido derretimento dos glaciares – forçando os mares a subirem centímetros, polegadas e pés. Seria muito mau se o aquecimento polar se amplificasse à medida que o gelo branco sobre a terra e sobre o mar regredisse, tornando uma superfície refletora de calor numa característica de absorção de calor azul escura, verde e castanha. Seria surpreendentemente mau se tal calor também resultasse em degelo da permafrost, mais uma vez agravando o aquecimento forçado pelos humanos ao desbloquear até 1.300 biliões de toneladas de carbono e, eventualmente, transferir cerca de metade disso para a nossa atmosfera. E seria muito ruim se todo esse calor extra no Ártico começasse a intrometer-se com o clima do Hemisfério Norte, ao alterar o fluxo da corrente de jato. Resultando em sulcos muito persistentes produtores de secas e depressões produtoras de tempestades.

Ondas de Amplitudes Elevadas na Corrente de Jato

(Ondas de amplitudes elevadas na Corrente de Jato – uma sobre a parte ocidental da América do Norte e uma segunda sobre a Europa – transferem calor de Latitudes inferiores para o Ártico durante um ano de El Nino a 7 de fevereiro de 2016. Enquanto a amplificação polar encrencava em novos extremos durante os meses quentes recorde de dezembro e janeiro, parecia que a capacidade do El Nino para fortalecer a Corrente de Jato, e assim separar o calor equatorial do Polo frio, havia sido comprometida. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Infelizmente, estes eventos já não são apenas hipotéticos. O gelo do mar está a recuar. A permafrost está a descongelar. Os glaciares estão a derreter. E o fluxo da Corrente de Jato parece estar a enfraquecer.

Mas e se todo esse acumular polar de calor devido à queima de combustíveis fósseis pelos humanos tivesse ainda mais um efeito adicional? E se essa pedra quente atirada para o rio da circulação atmosférica que chamamos de El Nino pudesse de alguma forma transferir a sua acumulação de calor tropical lá para acima até ao Polo? E se o fluxo da Corrente de Jato no Hemisfério Norte tivesse ficado tão fraca que até mesmo um aquecimento nos trópicos devido a um forte El Nino recorde não pudesse acelerá-lo significativamente (através do aumento do diferencial de calor entre o Equador e o Polo). E se essas novas zonas ondulantes da Corrente do Jato se estendessem até ao Ártico – empurrando o calor tropical para o extremo norte durante eventos El Nino? Em momentos em que o mundo, como um todo, estivesse no seu mais quente? Durante um período em que o calor e a humidade na superfície do Oceano Pacífico estivessem a explorar um novo pico devido a uma combinação de aquecimento forçado pelos humanos e um El Nino atingir o topo do ciclo de variabilidade natural?

E se, de alguma forma, esse pico de calor tropical pudesse fluir desde o Equador até ao Pólo?

O que veríamos, então, seria uma aceleração das perigosas mudanças no Ártico descritas em cima. O que veríamos seria um aliar do sinal de amplificação polar, associado ao aquecimento global, com o topo da escalada quente de variabilidade natural que é o El Nino. E quanto ao Ártico sem inverno que foi o primeiro mês e meio de 2016, foi isso o que parece que acabámos de experienciar.

Os cientistas estão perplexos. Bem, deviam estar. Devíamos estar todos.

Links:

NASA GISS

NOAA

Os Cientistas estão Perplexos pelo que Está a Acontecer no Ártico Neste Momento

Tempestade Quente no Ártico para Descongelar o Polo Norte

Clima do Polo Norte

O Blog do Gelo do Mar Ártico

Impactos da Perda de Gelo do Mar

Earth Nullschool

Jennifer Francis sobre o Impacto do Aquecimento no Árctico Sobre a Corrente de Jato

Traduzido do original No Winter For the Arctic in 2016 — NASA Marks Hottest January Ever Recorded, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 18 de Fevereiro de 2016.

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Acordo da COP21 Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam

Acordo da COP21 Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam

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Acordo da COP21 não evita devastação da mudança climática
Um grave e contundente artigo do The Independent, no qual estou materialmente mencionado: COP21: Acordo de Paris é fraco demais para evitar a mudança climática devastadora, académicos advertem. Começa assim (aqui está uma parte; clique no link para o artigo completo. A nossa carta ao jornal, contudo, encontra-se na íntegra, mais abaixo na página):
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“Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que elas querem ouvir e ignorar o resto”.

O Acordo de Paris para travar o aquecimento global tem, na verdade, constituído um grande revés para a luta contra as alterações climáticas, académicos especialistas avisam.

O acordo pode ter sido apregoado por líderes mundiais mas é demasiado fraco para ajudar a impedir o dano devastador para a Terra, alegam.

Numa carta conjunta ao The Independent, alguns dos principais cientistas do clima do mundo lançaram um duro ataque ao acordo, alertando que oferece “falsa esperança”, que poderia, em última instância, provar ser contraproducente na batalha para travar o aquecimento global.

A carta, que carrega onze assinaturas incluindo os professores Peter Wadhams e Stephen Salter, das universidades de Cambridge e Edimburgo, adverte que o Acordo de Paris é perigosamente inadequado.

Por causa do fracasso de Paris, os académicos dizem que a única chance do mundo de se salvar do aquecimento global desenfreado é um impulso gigante em direção a tecnologias de geo-engenharia controversas e amplamente não testadas que procuram esfriar o planeta através da manipulação do sistema climático da Terra. …

“Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que eles querem ouvir e ignorar o resto . O que eles desconsideraram foram as falhas mortais que se encontravam logo abaixo do seu verniz de sucesso,” os académicos escreveram na carta, …assinada por … Professor Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, no Canadá.

“O que as pessoas queriam ouvir era que um acordo havia sido alcançado quanto às alterações climáticas que iria salvar o mundo enquanto deixando os estilos de vida e aspirações inalterados. A solução que propõe não é chegar a acordo sobre um mecanismo urgente que garanta cortes imediatos nas emissões, mas chutar a lata pela estrada abaixo.”

… Mas eles dizem que as ações acordadas são demasiado fracas para se chegar nem próximo desse alvo. Além disso, os compromissos que os países fizeram para cortarem nas suas emissões de carbono não são suficientemente vinculativos para garantir que sejam cumpridos, enquanto que o Acordo de Paris não vai forçá-los a se “ajustarem” tão frequentemente quanto for necessário.

Mais preocupante ainda, dizem eles, é a falta de ação dramática imediata que se acordou para combater o aquecimento global. O Acordo de Paris só entra em vigor em 2020 – ponto no qual enormes quantidades de CO2 adicional terão sido bombeadas para a atmosfera. Os signatários afirmam que isto torna quase impossível limitar o aquecimento global a 2C, muito menos 1.5C.

“O coração do Acordo de Paris estava no lugar certo, mas o conteúdo é pior do que inepto. Foi um verdadeiro triunfo para a diplomacia internacional e envia uma forte mensagem de que os céticos perderam o caso e que a ciência está correta quanto às alterações climáticas. O resto é pouco mais do que paródia e arrisca limitar-se ao fracasso “, disse o professor Kevin Anderson, da Universidade de Manchester, que não assinou a carta mas concorda com o seu argumento.

Peter Wadhams, professor de física do oceano na Universidade de Cambridge e um dos signatários da carta, disse que as perspectivas para conter o aquecimento global consequentes ao Acordo de Paris, são agora tão calamitosas que ele defende uma investida em geo-engenharia – o que não é algo que ele recomenda de ânimo leve. “Pesando com tudo o mais, não sou um grande fã de geo-engenharia, mas acho absolutamente necessário, dada a situação em que estamos. É um adesivo pestilento, como solução. Mas você precisa dela porque, olhando para o mundo, ninguém está a mudar instantaneamente o seu padrão de vida”, disse o professor Wadhams.

Bombear grandes quantidades de água pulverizada para as nuvens para torná-las maiores e mais brilhantes para que reflitam a luz solar de volta para a atmosfera – conhecida como Abrilhantamento da Nuvem Marinha – oferece a melhor perspectiva de geo-engenharia, disse ele.

Tecnologias de geo-engenharia – que também consideram colocar espelhos gigantes no espaço ou o branqueamento da superfície do oceano para desviar a radiação solar de volta para o espaço – são controversos por causa dos receios de que sejam tecnicamente exigentes, seriam extremamente caros, para além de que interferir com o sistema climático poderia ter consequências inesperadas prejudiciais para o planeta.

A carta

Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que eles querem ouvir e ignorar o resto. O que as pessoas queriam ouvir era que um acordo havia sido alcançado quanto às alterações climáticas que iria salvar o mundo, deixando os estilos de vida e aspirações inalterados.

O que eles desconsideraram foram as falhas mortais que se encontram mesmo por abaixo do seu verniz de sucesso. Logo na terceira página do projecto de acordo está o reconhecimento de que a sua meta de CO2 não vai manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 graus Celsius, o nível que já havia sido definido como o limite seguro crítico. A solução que se propõe não é chegar a acordo quanto a um mecanismo de urgência que garanta cortes imediatos nas emissões, mas chutar a lata pela estrada abaixo, ao comprometerem-se a calcular um novo orçamento de carbono para um aumento da temperatura de 1,5 graus, que poderá ser falado em 2020.

Dado que não podemos concordar quanto aos modelos climáticos ou o orçamento de CO2 para manter o aumento da temperatura a 2°C, então somos ingénuos ao pensar que vamos concordar quanto a uma meta muito mais difícil em cinco anos, quando, com toda a probabilidade, o aumento exponencialmente dos níveis atmosféricos de CO2 dizem-nos que vai ser tarde demais.

Mais preocupante, essas metas inadequadas exigem que a humanidade faça muito mais do que cortar nas emissões com um programa de tecnologia renovável glorioso que ultrapassará qualquer outro esforço humano do passado. Elas também requerem que o carbono seja sugado do ar. O método preferido é eliminar a indústria de combustíveis fósseis pela competição através do fornecimento de biomassa às centrais térmicas. Isso envolve um crescimento rápido das árvores e plantas, mais rápido do que a natureza alguma fez em solo que não temos, depois queimá-la em estações de energia que irão capturar e comprimir o CO2 usando uma infra-estrutura que não temos e com tecnologia que não irá funcionar na escala que precisamos e, finalmente, armazená-lo em lugares que não podemos encontrar. Para se manter a agenda com boas notícias, tudo isto foi omitido do acordo.

O rugido das tempestades globais devastadoras já afogou os falsos festejos de Paris e colocou brutalmente em foco a extensão da nossa incapacidade para lidar com a mudança climática. A triste verdade é que as coisas vão ficar muito piores. O excesso de calor do planeta está agora a derreter a capa de gelo do Ártico como uma faca quente na manteiga e está a fazê-lo a meio do Inverno. A menos que seja travado, este aquecimento do Ártico vai levar a uma rápida libertação dos hidratos de metano do fundo do mar do Ártico e anunciar a próxima fase de mudança climática catastrófica intensa à qual a nossa civilização não vai sobreviver.

O tempo para a opinião esperançosa e otimismo cego que tem caracterizado o debate sobre as alterações climáticas acabou. O tempo para factos duros e decisões é agora. As nossas costas estão contra a parede e agora temos que iniciar o processo de preparação para geo-engenharia. Temos que fazer isso no conhecimento de que as suas chances de sucesso são pequenas e os riscos de implementação são grandes.

Temos de olhar para o espectro completo de geoengenharia. Isto irá cobrir iniciativas que aumentem o sequestro de carbono por restauração de florestas tropicais até à fertilização dos oceanos. Irá estender-se a técnicas de gestão de radiação solar, como o branqueamento artificial de nuvens e, in extremis, replicar os aerossóis de atividade vulcânica. Vai ter que ter em conta para quais áreas nos focamos seletivamente, como as regiões do Ártico que emitem metano, e quais áreas devemos evitar.

Os elevados riscos políticos e ambientais associados a isto têm que ser esclarecidos para que nunca seja usado como alternativa a fazer-se os cortes de carbono que são urgentemente necessários. O reconhecimento destes riscos deve ser usado ​​para desafiar a narrativa de opinião esperançosa que infestou as conversações sobre as alterações climáticas ao longo dos últimos vinte e um anos, e que atingiu o seu apogeu com o acordo COP21. No vácuo internacional presente quanto a esta questão, é imperativo que o nosso governo toma uma iniciativa.

Assinado por

Professor Paul Beckwith, Universidade de Ottawa
Professor Stephen Salter – Universidade de Edimburgo
Professor Peter Wadhams – Universidade de Cambridge
Professor James Kennett, da Universidade da Califórnia.
Dr Hugh Hunt – Universidade de Cambridge
Dr. Alan Gadian – Cientista Sénior, Centro da Nação para as Ciências Atmosféricas da Universidade de Leeds
Dr. Mayer Hillman – Membro Sénior Emérito do Instituto de Estudos Políticos
Dr. John Latham – Universidade de Manchester
Aubrey Meyer – Diretor, Global Commons Institute.
John Nissen – Presidente do Grupo de Emergência para o Metano no Ártico
Kevin Lister – Autor de “O Vortex da Violência e por que estamos a perder a guerra contra as alterações climáticas

Traduzido do original COP21 Deal Cannot Prevent Devastating Climate Change, Academics warn, publicado por Paul Beckwith em http://paulbeckwith.net/.

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Como a Mudança Climática Pode Conectar a Humanidade

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Gelo do Mar do Ártico no Recorde Mais Baixo para Janeiro

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Cientistas Russos Excluídos de Apresentar Pesquisas Observacionais Enquanto o Director da NASA Goddard Procura Desacreditá-los

Cientistas Russos Excluídos de Apresentar Pesquisas Observacionais Enquanto o Director da NASA Goddard Procura Desacreditá-los

Excerto da introdução à re-publicação deste artigo sobre a exclusão de cientistas russos pela Royal Society, por Robin Westenra no seu blog Seemorerocks

A nossa própria Royal Society está entre os piores. Kevin Hester teve a sua própria experiência:

“Eles organizaram a “Semana da Ciência”, onde eu tive o meu ………… ‘Run-in” com Sir Peter Gluckmann, A simples menção de hidratos de metano” provocou o “olhar fixo de morte” do chefe dos governos para a Ciência. Tire as suas próprias conclusões “. – Kevin Hester

Nos 26 anos desde a criação do IPCC, estetem nos avisado para reduzirmos as emissões de CO2 e não o fizemos. Existem mais de 1000 centrais a carvão a serem planeadas no mundo inteiro e nada irá fazê-los parar. - Kevin Hester
Nos 26 anos desde a criação do IPCC, estetem nos avisado para reduzirmos as emissões de CO2 e não o fizemos. Existem mais de 1000 centrais a carvão a serem planeadas no mundo inteiro e nada irá fazê-los parar. – Kevin Hester

Cientistas Russos Excluídos de Apresentar Pesquisas Importantes Enquanto o Director da NASA Goddard Tenta Desacreditar Pesquisa Científica Observacional

Envisionation,
05 de Outubro de 2014
Na sequência do meu post recente sobre a tentativa do Dr. Gavin Schmidt de classificar como lixo a pesquisa de cientistas russos, liderados pela Dra. Natalia Shakhova e o Dr. Igor Semiletov, agora surge que estes últimos nem foram sequer convidados para a reunião de alto perfil na Royal Society.

O evento, realizado há duas semanas, ainda está a causar polémica para além do twittar negativo pelo Director da NASA Goddard, Dr. Gavin Schmidt. Schmidt focou a sua apresentação no desacreditar do trabalho dos russos, usando modelos teóricos, sem experiência em metano, ou dados credíveis. O resultado final é que a equipe russa compôs uma carta ao Presidente da Royal Society, Sir Paul Nurse, pedindo uma oportunidade para apresentar as suas descobertas, incluindo as contribuições de mais de 30 cientistas que trabalham na região há mais de 20 anos.

Um dos maiores triunfos de longa data da comunidade científica tem sido um compromisso com a análise apolítica de pesquisa importante. Todos nós sabemos que existem tensões geopolíticas entre a Rússia e o Ocidente, mas estarão estes agora a fazer uma entrada indesejada numa área que poderia colocar um enorme risco para a humanidade em geral?

O risco de libertações em grande escala do gás de efeito estufa mortal, metano, da Placa Continental do Ártico da Sibéria Oriental (East Siberian Arctic Shelf (ESAS)) pode ser um tema de debate na comunidade científica, mas para excluir propositadamente um lado do debate e denunciar abertamente os seus resultados não apenas imoral, é imprudente.

A carta, assinada por Semiletov e Shakhova em nome de mais de 30 cientistas, anuncia ao Presidente da Royal Society que a evidência mostrada pelo Dr. Schmidt (baseada no trabalho do Dr. David Archer) é puramente teórica e que, apesar de ambos serem modeladores do clima muito qualificados, nenhum deles tem experiência em metano ou na área em questão, A Placa Continental do Ártico da Sibéria Oriental.

Enquanto a reunião estava a decorrer, uma expedição estava em progresso na ESAS, com mais de 80 cientistas russos e suecos. Então, por que é que esses cientistas ocidentais de alto perfil tentam desacreditar um grande e crescente corpo de pesquisa? É uma pergunta difícil de responder, mas a intenção é certamente evidente.

É uma questão que merece toda a nossa preocupação se implicar um risco de devastação ambiental que emane de qualquer região do mundo. O sistema Terra não reconhece a soberanias ou interesses nacionalistas. A colaboração internacional e o respeito são essenciais se quisermos entender as mudanças que estão a acontecer como resultado da mudança climática feita pelo homem. A Terra está a aquecer e muitos feedbacks [retroacção] do aquecimento, como a libertação de metano, não são totalmente compreendidos, mas sabe-se que causaram mudanças enormes no clima global.

A divisão entre o campo de modelagem climática e os cientistas que realizam a pesquisa observacional é completamente sem sentido. Parece perfeitamente lógico que os dados recolhidos por um grupo deverá ser utilizado pelo outro, a fim de tornar os modelos mais precisos. Se os modelos climáticos não têm base na realidade, então como podemos nós confiar na sua fiabilidade?

O desprezo demonstrado pelo Dr. Schmidt para com os seus colegas internacionais deveria agora ser posto de lado e as portas da Royal Society abertas para permitir que a equipe russa apresente as suas descobertas. É de todo o interesse que assim aconteça, logo, Sir Paul, passo-lhe a si …

Autor: Nick Breeze

(Outros vídeos da Dra. Shakhova, inclusive um legendado em Português, no fundo desta publicação)

Carta da Dra. Shakhova e do Dr. Semiletov ao Sir Paul Nurse:

04 de Outubro de 2014
Por correio e e-mail

Caro Sir Paul Nurse,

Estamos satisfeitos por a Royal Society reconhecer o valor da ciência do Ártico e ter sediado uma importante reunião científica na semana passada, organizada pelo Dr. D. Feltham, o Dr. S. Bacon, o Dr. M. Brandon, e o Professor Emérito J. Hunt (https://royalsociety.org/events/2014/arctic-sea-ice/).

Os nossos colegas e nós temos estado a estudar a Placa Continental do Ártico da Sibéria Oriental [East Siberian Arctic Shelf (ESAS) há mais de 20 anos e temos conhecimento detalhado de observação das mudanças que ocorrem nesta região, como documentado por publicações em revistas de topo como a Science, a Nature e a Nature Geosciences. Durante estes anos realizámos mais de 20 expedições, em todas as estações do ano. que nos permitiram acumular um conjunto amplo e abrangente de dados consistindo em dados hidrológicos, biogeoquímicos e geofísicos, e proporcionando uma qualidade de cobertura que é difícil de alcançar, mesmo em áreas mais acessíveis dos Oceanos do Mundo.

Até o momento, somos os únicos cientistas que possuem dados observacionais de longo prazo em metano na ESAS. Apesar de peculiaridades na regulação que limitam o acesso de cientistas estrangeiros na Zona Económica Exclusiva da Rússia, onde a ESAS está localizada, ao longo dos anos temos recebido cientistas da Suécia, EUA, Holanda, Reino Unido e outros países para trabalharem ao nosso lado. A grande expedição internacional realizada em 2008 (ISSS-2008) foi reconhecida como o melhor estudo biogeoquímico do Ano Polar Internacional (2007-2008). O conhecimento e a experiência que acumulámos ao longo destes anos de trabalho lançaram as bases para uma extensa expedição Russo-Sueca a bordo do I/B ODEN (SWERUS-3), que permitiu a mais de 80 cientistas de todo o mundo colherem mais dados desta área única. A expedição foi concluída com sucesso apenas alguns dias atrás.

Para nossa consternação, não fomos convidados a apresentar os nossos dados na reunião da Royal Society. Além disso, esta semana descobrimos, através de um resumo Storify no twitter (divulgada pelo Dr. Brandon), que em vez foi o Dr. G. Schmidt convidado para discutir a questão do metano e explicitamente atacou o nosso trabalho utilizando o modelo de outro estudioso, cujo esforço de modelagem é feito com base em pressupostos teóricos não testados que não têm nada a ver com observações na ESAS. Enquanto o Dr. Schmidt tem experiência em modelagem climática, ele não é um especialista nem em metano nem nesta região do Ártico. Ambos os cientistas, portanto, não têm nenhum conhecimento observacional sobre metano e os processos associados nesta área. Lembremo-nos que o vosso lema “Nullus em verba” foi escolhido pelos fundadores da Royal Society para expressar a sua resistência ao dominação da autoridade; o princípio assim expresso exige que todas as reivindicações sejam apoiadas por fatos que tenham sido estabelecidos pela experiência. Em nossa opinião, não só as palavras mas também as ações dos organizadores traíram deliberadamente os princípios da Royal Society tal como expressos pelas palavras “Nullus em verba”.

Além disso, gostaríamos de destacar a parcialidade Anglo-Americana na lista de apresentadores. É preocupante que o conhecimento científico russo estava em falta e, portanto, marginalizado, apesar de uma longa história de notáveis ​​contribuições da Rússia para a ciência do Ártico. Sendo cientistas russos, acreditamos que o preconceito contra a ciência russa está a crescer devido a divergências políticas com as ações do governo russo. Isso restringe nosso acesso a revistas científicas internacionais, que se tornaram extremamente exigentes quando se trata de publicação de nosso trabalho em comparação com o trabalho dos outros sobre temas semelhantes. Temos consciência de que os resultados de nosso trabalho podem interferir com os interesses cruciais de algumas agências e instituições poderosas; no entanto, acreditamos que não era a intenção da Royal Society permitir que considerações políticas passem por cima da integridade científica.

Entendemos que pode haver debate científico sobre este tema crucial pois relaciona-se com o clima. No entanto, é parcial apresentar apenas um lado do debate, o lado com base em pressupostos teóricos e de modelagem. Em nossa opinião, foi injusto impedir-nos de apresentar os nossos dados com várias décadas, dado que mais de 200 cientistas foram convidados a participar em debates. Além disso, estamos preocupados que os procedimentos da Royal Society neste encontro científico virão a ser desequilibrados a um grau inaceitável (que é o que tem acontecido na mídia social).
Consequentemente, solicitamos formalmente a igualdade de oportunidades para apresentar os nossos dados perante vocês e outros participantes desta reunião da Royal Society sobre o Ártico e que vocês, como organizadores, abstenham-se de produzir quaisquer procedimentos oficiais antes de nós sermos autorizados a falar.

Sinceramente,
Em nome de mais de 30 cientistas,

Natalia Shakhova e Igor Semiletov

Vídeos da Natalia Shakhova sobre as erupções de metano no Mar do Ártico e Permafrost Siberiana

Qual a evidência científica de libertação de metano no Ártico?

Qual a evidência científica de libertação de metano no Ártico?

Qual a evidência científica quanto à existência e libertação de hidratos de metano do leito do Oceano Ártico?

Níveis Atmosféricos Globais de Metano. A 30 de Agosto de 2014 foram registados 1838 partes por bilião (ppb) demetano a 24.000 pés de altitude (7,5 km). Um número muito superior às médias de 2000-2007 e 2012-2013.
Níveis Atmosféricos Globais de Metano. A 30 de Agosto de 2014 foram registados 1838 partes por bilião (ppb) demetano a 24.000 pés de altitude (7,5 km). Um número muito superior às médias de 2000-2007 e 2012-2013.

Peter Wadhams, professor de Física dos Oceanos e director do Grupo de Física dos Oceanos Polares (Polar Ocean Physics Group) no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da Universidade de Cambridge, entrevistado por Nick Breeze, é uma referência interessantíssima no assunto do aquecimento global e alterações climáticas, especialmente no que diz respeito ao Ártico e metano. Ele esclarece a situação e acrescenta implicações para a humanidade e sustentabilidade do planeta. A entrevista está legendada em português cuja tradução e publicação foi iniciativa da www.NOVACOMUNIDADE.org – O MODELO COOPERATIVO FAMILIAR. Um canal youtube que promete compensar a subscrição.

A transcrição da entrevista será também copiada neste post, para aqueles que preferem ler, assim que disponível. É interessante no mínimo,ouvir um professor com tal historial de carreira falar-nos assim sobre o futuro próximo a humanidade.


Transcrição do vídeo:

Entrevista a Peter Wadhams, Professor de Física dos Oceanos, e Chefe do Grupo de Física do Oceano Polar no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da Universidade de Cambridge. Pode explicar o impacto que a libertação de 50 gigatoneladas de metano teria sobre a atmosfera e quais seriam os efeitos para a vida na Terra e para a Humanidade em particular? Num artigo para a “Nature” nós modelámos o efeito duma libertação de 50 gigatoneladas e convertendo o metano no dióxido de carbono equivalente e olhando para o que isso faz ás temperaturas globais descobriu-se que as temperaturas globais aumentavam até a um máximo de cerca de 0,6 graus e isso seria alcançado 20 anos depois da libertação e assumimos que a libertação ocorreria ao longo de 10 anos. Que 20 anos depois da emissão começar as temperaturas teriam aumentado 0,6 graus. E isso é uma adição bastante substancial para o aquecimento global. Existem pesquisas que mostrem que estamos a caminho duma tão grande libertação de metano? E se a resposta for sim, na sua opinião quão sólidas são essas pesquisas? As pesquisas sólidas que mostram que a libertação está a acontecer, do trabalho que o grupo americano e russo da Universidade do Alaska Pacific Oceanografic Lab tem vindo a fazer todos os verões no mar siberiano, está mostrando que a cada ano estamos vendo cada vez mais e mais emissões de metano no fundo do mar e que atingem a superfície porque a água é rasa, com uma profundidade de cerca de 70 metros, já vimos muitas fotos, filmes, e dados a partir deles mostrando essas emissões. E no próximo ano vamos juntar-nos a eles para continuar a fazer esse trabalho. Então, existe evidência sólida das emissões de metano do fundo do mar raso e também existe evidência sólida de emissões nas águas profundas em Spitsbergen mas aí o metano tem tempo para se dissolver na água durante a subida portanto não é diretamente libertado na atmosfera, enquanto que o metano das aguas rasas é. Então isso é bastante sólido. A questão da quantidade é a pergunta mais difícil porque olhar para o atual ritmo de emissões e para o conteúdo de hidratos de metano nos sedimentos é o que permite estimar quanto metano irá ser libertado num futuro derretimento de sedimentos devido a um aumento da temperatura das aguas. E neste momento para essas estimativas temos que confiar no trabalho que tem vindo a ser feito por Natalia Shakhova e Igor Semiletov. Eles tem um conhecimento especializado das condições do leito marinho e foram eles que estimaram as 50 gigatoneladas. Então esse valor pode ser revisto para cima ou para baixo se mais trabalhos futuros forem feitos nessa área.

Pensa que a civilização poderia sobreviver a uma libertação de 50 gigatoneladas de metano?

Não, não penso que consiga. Se olharmos para as atuais previsões de aumento do aquecimento global o que é um bocado estranho é o facto das projeções institucionais – mesmo as mais cautelosas produzidas pelo IPCC – ainda nos dão cerca de 4 graus de aquecimento até ao final do século. E 2 graus foi o numero tomado arbitrariamente como o nível a partir do qual coisas desagradáveis acontecerão – não sei porque 2 graus mas… –

e esses 2 graus serão alcançados no meio do século, e 4 graus no final do século. Então, as pessoas que calculam o que 4 graus fariam para a produção de alimentos, para a morte de florestas, para a aceleração do aquecimento devido á entrada de vários feedbacks extras… a conclusão geral é bastante medonha: que se tivermos um aquecimento de 4 graus acontecerá o colapso da civilização porque o mundo não vai de forma alguma conseguir sustentar nem de perto nem de longe a sua atual população por isso seria o caos, guerras…

A coisa estranha é que isso está previsto nos relatórios do IPCC… Preveem um aquecimento de 4 graus até ao final do século mas em nenhum lado eles afirmam que 4 graus seria uma catástrofe economicamente e socialmente para o planeta. E agora com este metano do Ártico estamos simplesmente adicionando outro elemento de aquecimento mesmo que seja apenas uma adição de 0,6 isso adianta a data em que aconteceria um aquecimento catastrófico em talvez 20 anos. Por isso iremos entrar num estado em que o ritmo de aquecimento nos está dando algo que levará a sociedade a colapsar e iremos entrar nesse estado mais rapidamente por causa das emissões marítimas.


São Paulo, seca de Inverno; Lisboa, inundação de Verão: É Aquecimento Global ou Macumba?

São Paulo, seca de Inverno; Lisboa, inundação de Verão: É Aquecimento Global ou Macumba?
Todos comentam como o tempo está estranho, mas poucos se indagam sobre o mecanismo de aquecimento global que está por detrás das tempestades, inundações ou seca.
Todos comentam como o tempo está estranho, mas poucos se indagam sobre o mecanismo de aquecimento global que está por detrás das tempestades, inundações ou seca.

Enquanto São Paulo – Brasil enfrenta a maior seca dos últimos 84 anos, chamada mesmo de ‘crise da água’, em Lisboa – Portugal cai granizo do tamanho de bolas de golfe e a chuva intensa provoca inundações, segundo as notícias no ‘Observador’. Mas no Brasil é final do Inverno, ou estação das chuvas, e em Portugal é um final de Verão. Serão isto acasos da Natureza, sensacionalismo dos média, ou é resultado das alterações climáticas? O último. São provocadas pelo aquecimento global e pelo aquecimento acelerado no Ártico. E isto não está para brincadeira, concluo já.

Vamos primeiro à seca de São Paulo;

o dilúvio de Lisboa será explicado já a seguir. Não é apenas em São Paulo que há seca. Neste momento os estados da Califórnia e do Nevada apresentam mais de 80% das suas área em estado de seca “extrema”! As reservas de água estão tão em baixo que, mesmo que venham Invernos bem molhados, a seca deverá ficar por lá pelo menos mais um ano. E enquanto que em Los Angeles criou-se um novo emprego de “polícia da água”, alguém que verifica os sistemas de rega e outros possíveis abusos, no estado de São Paulo há apenas reservas para 100 dias de água e o racionamento continua para cerca de 3,9 milhões de pessoas em 29 cidades. A última estação das chuvas foi mais seca que a estação seca, disse Mauro Arce, secretário para os recursos hídricos, ao The Guardian.

Para as chuvas em falta no Brasil culpou-se o fenómeno que é conhecido como os “rios voadores”, que são volumes de vapor de água massivos libertados das árvores da Amazónia. Os cientistas brasileiros chamam a atenção para a ausência destes rios não se dever a uma esquisitice da natureza mas um sintoma da continua desflorestação da Amazónia combinada com as alterações climáticas. A seriedade da crise de seca tem sido negada pela comunidade política já que as eleições de Outubro estão mesmo à porta. Sublinhado para não nos esquecermos deste ponto mais tarde.

Não podemos ficar por aqui na explicação deste evento de seca; e Lisboetas: isto também vos diz respeito, mesmo estando do outro lado do Atlântico; quem emite CO2 ou peida metano, afecta todo e qualquer cidadão à volta do globo. Se gostam dos vossos filhos e têm preocupação quanto ao seu futuro (muitos cientistas dizem para se preocuparem já com vocês e não só com os vossos filhos, sendo de realçar o Guy McPherson) especialmente vocês! esta é uma boa altura para usarem os vossos super-poderes de pais e mães e provocarem uma mudança significativa no mundo.

As florestas estão a inverter o seu papel e tornar-se fontes de libertação de carbono em vez de de absorção! Percebem o que isto significa? À medida que a Amazónia seca, arde e é desflorestada (apenas o incidente de fogos deste último Agosto tinha varrido uma área de 500.000 a 1.500.000 acres – x2 para uma grossa aproxímação a hectares) a Amazónia inverte de ser um absorvente de carbono para um emissor de carbono. A Amazónia armazena hoje 120 gigatoneladas de carbono e representa cerca de 10% da absorção global de carbono da atmosfera através da respiração das plantas. Pais e mães: robertscribbler.wordpress.com é uma leitura que aconselho começar a fazer parte do vosso dia a dia. Sem água os vossos planos de gerações futuras são inviáveis.

E não é apenas na Amazónia que as florestas estão a passar de absorventes a emissores de carbono. O Centro de Agências Canadianas para os Fogos Florestais reportou este Julho que os fogos daquele Verão até então tinham afectado uma área 6 vezes maior e sem precedentes nos últimos 10.000 anos. Na Sibéria, o calor recorde que se acomodou durante o Inverno e ficou para o Verão atingiu um pico de 25 a 30 graus centígrados no Ártico. Este ano os fogos na Sibéria começaram em Abril onde uma combinação de uma permafrost ou pergelissolo a descongelar, um rápido aumento das temperaturas médias na Sibéria causadas pelo aquecimento global antrópico (o termo comumente usado é “antropogénico“) a vulnerabilidade da camada do solo e vegetação para secarem rápidamente, e sendo a permafrost uma fonte quase inesgotável de metano a ser libertado à medida que descongela, o seu potencial para arder é práticamente ilimitado.

Inundação em Lisboa

E como é que em Lisboa, estando igualmente quente como na Califórnia, Canadá e Sibéria, chove a potes, enquanto aqueles passam sede e ardem? E já agora, como é que em Espinho, uma cidade do Norte de Portugal famosa pelo Sol, o peixe e o surf mas muito menos pela sua água fria de doer os ossos, a água do mar está a rondar os 20 a 21ºC já por duas semanas consecutivas e nada de inundações?  Antes de passar para a descrição técnica, talvez ajude incluir no cenário as cheias em Kashmir. na Índia, agora no início de Setembro e as quais foram as maiores dos últimos 50 anos e colocaram 450 aldeias debaixo de água; as cheias da Europa Central na República Checa, Alemanha, Áustria, Bosnia e Sérvia; deslizamentos de terras perto de Hiroshima no Japão; desde Maio que me lembro de cheias preencherem as notícias este Verão, a começar pela China, em Maio, quando meio milhão de pessoas foram deslocadas.

Segundo robertscribbler.wordpress.com, cada vez mais os cientistas estão a mostrar como a perda do gelo no Ártico, consequência do aquecimento provocado pela humanidade, é o contribuinte primário dos eventos meteorológicos extremos a que assistimos com cada vez maior frequência. O volume do gelo diminuiu em 80% desde 1979. Esta erosão resulta num abrandar da Corrente de Jato polar. Este abrandar, por sua vez, cria uma maior frequência de padrões de bloqueio que leva à persistência das condições meteorológicas por longos períodos numa mesma área. Sam Carana, do Arctic-News.blogspot.com explica que à medida que o Jet Stream polar (corrente jato) se torna mais ondulada, ar frio pode mais fácilmente descer do Ártico para latitudes mais baixas por uma crista descendente da Corrente Jato enquanto o ar quente pode mais fácilmente chegar a latitudes mais altas através de uma crista ascendente da Corrente Jato. A elevada evaporação das águas quentes do Atlântico condensam ao encontrarem uma corrente fria e assim temos a nossa chuva e granizo repentinos.

Na esperança de que esta publicação tenha sido elucidativa e não extensa demais, se você chegou ao fim, aqui está o ponto que considero mais importante e o qual sublinhei mais acima no texto: “A seriedade da crise de seca tem sido negada pela comunidade política já que as eleições de Outubro estão mesmo à porta.” É que…

Todos os dias testemunhamos evidência da extinção humana a curto prazo. Não tanto por causa do desequilíbrio crescente do ecossistema e ruína dos sistemas de suporte de vida do planeta, mas antes devido à ausência de mudança na distorção social que a impulsiona.

Correntes Quentes Invadem o Ártico Pela Primeira Vez em Milhares de Anos

Correntes Quentes Invadem o Ártico Pela Primeira Vez em Milhares de Anos
Águas, correntes, quentes, invadem o Ártico. Metano ameaça de extinção
Correntes quentes invadem o Ártico pela primeira vez em milhares de anos, pelo Estreito de Bering, vinda do Atlântico Norte e Pacífico, o que ameaça derreter ainda mais o gelo e os hidratos de metano que ameaçam a humanidade de extinção.

Pela primeira vez em milhares de anos, águas quentes estão a fluir para o Oceano Ártico. Água quente do fundo do oceano está a aparecer nas imagens de superfície. Não há modo de colocar isto no contexto do “normal”. Temperaturas ao longo da história mantiveram o Ártico congelado num balanço equilibrado durante milhares de anos. Mesmo que houvesse um “ciclo natural” foi completamente atropelado pela quantidade enorme de poluição que está a ir para a atmosfera.

Mais de 90% do desequilibrio energético da Terra tem ido para os oceanos, quase desapercebido pelas pessoas que monitorizam as temperaturas na atmosfera. O oceano aquecido está a atravessar o Estreito de Bering e a entrar no Mar de Chukchi, Mar de Barents, Mar Siberiano Oriental, e pior que tudo, no Mar de Laptev.

Existem concentrações de hidratos de metano em todas estas áreas, a uma profundidade de 1,500 milhas (2400 Km) ao longo de milhas e milhas de leito marinho. Existem fracturas ali que dão ao manto de metano uma via para chegar à superfície a qual tem estado selada pelo gelo de forma segura.

Os hidratos de metano e o gelo estão a derreter

Este artigo foi traduzido do original “For the first time in thousands of years, warm water is flowing into the Arctic Ocean – ‘There is no way to put this into the context of ‘normal'”  o qual faz referência ao blogue Arctic News (Notícias do Ártico) desenvolvido com o contributo de 23 cientistas e jornalistas, entre eles o autor do artigo referido, Harold Hensel.
Referências da wikipédia ao Estreito de BeringMar de Chukchi, Mar de Barents, Mar Siberiano Oriental, e Mar de Laptev foram adicionadas para facilitar a contextualização geográfica ao leitor.