O Pico de Temperatura deste Mês Significa o Quê?

O Pico de Temperatura deste Mês Significa o Quê?

Steve Sherwood e Stefan Rahmstorf em The Conversation:

As temperaturas globais para fevereiro revelaram um pico preocupante e sem precedentes. Esteve 1,35℃ mais quente do que a média de fevereiro para o período de linha de base usual de 1951-1980, de acordo com dados da NASA.

Esta é a maior anomalia quente de qualquer mês desde que os registos começaram em 1880. Excede em muito os recordes batidos em 2014 e novamente em 2015 (o primeiro ano em que a marca de 1℃ foi ultrapassada).

No mesmo mês, a cobertura de gelo marinho do Ártico atingiu o seu valor mais baixo para fevereiro jamais registado. E a concentração de dióxido de carbono na atmosfera no ano passado aumentou mais de 3 partes por milhão, outro recorde.

O que é que se passa? Estamos diante de uma emergência climática?

Toca a acordar
Toca a acordar! Situação de emergência de aquecimento global com pico de temperatura de fevereiro

Desvio da média de 1951-1980 das temperaturas para fevereiro entre 1880 e 2016
Temperaturas de fevereiro de 1880 a 2016, a partir de dados da NASA GISS. Os valores são desvios do período base de 1951-1980. Stefan Rahmstorf
O El Niño e a Mudança Climática

Duas coisas que se estão a combinar para produzir o calor recorde: a tendência de aquecimento global que nos é bem conhecida causada pelas nossas emissões de gases de efeito estufa, e um El Niño no Pacífico tropical.

O registo mostra que o aquecimento da superfície global foi sempre sobreposto pela variabilidade climática natural. A maior causa dessa variabilidade é o ciclo natural entre as condições de El Niño e La Niña. O El Niño em 1998 bateu os recordes, mas agora temos um que parece ser ainda maior em algumas medidas.

O padrão de calor em fevereiro mostra assinaturas típicas tanto do aquecimento global a longo prazo como do El Niño. Este último é muito evidente nos trópicos.

Mais ao norte, o padrão é semelhante a outros fevereiros desde o ano 2000: um aquecimento particularmente forte no Ártico, Alasca, Canadá e no norte do continente Euro-Asiático. Outra característica notável é uma bolha fria no Atlântico Norte, que tem sido atribuída a um abrandamento na Corrente do Golfo.

O pico de aquecimento de Fevereiro trouxe-nos pelo menos 1,6℃ acima dos níveis pré-industriais das temperaturas médias globais. Isto significa que, pela primeira vez, ultrapassámos a meta aspiracional internacional de 1,5℃ acordada em dezembro, em Paris. Estamos a chegar desconfortavelmente perto de 2℃.

Felizmente, isto é temporário: o El Niño está a começar a diminuir.

Infelizmente, fizemos pouco quanto ao aquecimento subjacente. Se não for controlado, isso fará com que esses picos aconteçam mais e mais vezes, com um pico maior que 2℃ a estar talvez apenas a um par de décadas de distância.

Os gases de efeito estufa que aquecem lentamente a Terra continuam a aumentar em concentração. A média de 12 meses ultrapassou as 400 partes por milhão mais ou menos há um ano – o nível mais alto em pelo menos um milhão de anos. A média subiu ainda mais rápido em 2015 do que nos anos anteriores (provavelmente também devido ao El Niño, pois isso tende a trazer seca para muitas partes do mundo, o que significa que menos carbono é armazenado no crescimento de plantas).

Um lampejo de esperança é que as nossas emissões de dióxido de carbono dos combustíveis fósseis, pela primeira vez em décadas, pararam de aumentar. Esta tendência tem sido evidente ao longo dos dois últimos anos, principalmente devido a um declínio do uso do carvão na China, que anunciou recentemente o encerramento de cerca de 1.000 minas de carvão.

Temos subestimado o aquecimento global?

Será que o “pico” muda a nossa compreensão do aquecimento global? Ao pensar sobre a mudança climática, é importante adotar uma visão de longo prazo. Uma situação tipo La Niña predominante nos últimos anos não significou que o aquecimento global tinha “parado”, como algumas figuras públicas estavam (e provavelmente ainda estão) a reivindicar.

Da mesma forma, um pico quente devido a um grande evento El Niño – mesmo que surpreendentemente quente – não significa que o aquecimento global tenha sido subestimado. No longo prazo, a tendência de aquecimento global está muito bem de acordo com as previsões de longa data. Mas essas previsões, no entanto, pintam um retrato de um futuro muito quente se as emissões não forem reduzidas em breve.

A situação é semelhante à de uma doença grave como cancro: o paciente normalmente não fica ligeiramente pior a cada dia, mas tem semanas em que a família pensa que ele pode estar a recuperar, seguidas de dia terríveis de recaídas. Os médicos não mudam o seu diagnóstico de cada vez que isso acontece, porque eles sabem que isto faz tudo parte da doença.

Embora o corrente pico derivado do El-Niño seja temporário, vai durar tempo suficiente para ter algumas consequências graves. Por exemplo, um evento maciço de branqueamento de coral parece provável na Grande Barreira de Corais.

Aqui na Austrália temos vindo a bater recordes de calor nos últimos meses, incluindo 39 dias seguidos em Sydney acima de 26℃ (o dobro do recorde anterior). As notícias parecem estar centradas no papel do El Niño, mas o El Niño não explica por que os oceanos ao sul da Austrália, e no Ártico, estão em temperaturas altas recorde.

A outra metade da história é o aquecimento global. Isto está a impulsionar cada El Niño sucessivo, juntamente com todos os seus outros efeitos sobre as camadas de gelo e o nível do mar, o ecossistema global e eventos climáticos extremos.

Esta é a verdadeira emergência climática: está a ficar mais difícil, a cada ano que passa, para a humanidade evitar que as temperaturas subam acima de 2℃. Fevereiro devia lembrar-nos o quão urgente é a situação.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Foi traduzido do original What Does This Month’s Temp Spike Mean? de Peter Sinclair, publicado no blogue Climate Denial Crock of the Week, a 16 de Março de 2016.

Aumento da Temperatura em 2015 – Kevin Trenberth

Aumento da Temperatura em 2015 – Kevin Trenberth

Sugerimos a leitura de “Aumento da Temperatura Recorde em 2015 – Kevin Trenberth” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática

para o século 20 as temperaturas estão altas cerca de 0.9 graus Celsius, ou algo assim. Então, quando se fala de um salto de 0.2°C, 0.2 é 20 porcento do aumento total do século passado inteiro, e tudo isso aconteceu neste último ano (2015).

Kevin Trenberth, PhD, é investigador sénior no Centro Nacional para a Pesquisa Atmosférica no Colorado.

Peter Sinclair é um videógrafo especializado em questões sobre Alterações Climáticas e soluções de energias renováveis. O senhor Sinclair produz as séries de vídeo “This is Not Cool”, para Yale Climate Connections. Ele produziu mais do que 100 vídeos nas séries “Climate Denial Crock of the Week”, uma resposta cientificamente rigorosa e satiricamente afiada aos muitos pedaços de informação errónea na ciência climática, e desinformação, frequentemente encontradas na Internet – os quais o senhor Sinclair chama de “Bobos climáticos – algo que Rush Limbaugh pode dizer em 10 segundos mas demora uma hora a desempacotar por um cientista honesto”.

Transcrição do vídeo: Aumento Recorde da Temperatura em 2015 – Kevin Trenberth

Haviam vários registos de superfície derivados de diferentes organizações, da NASA, da NOAA, do Met Office do Reino Unido e assim, e todos eles dão a mesma história: 2015 está a revelar-se como o ano mais quente no registo, de longe. Está um par de décimos de grau Celsius acima de tudo o que temos visto antes, e isso é muito. As mudanças normais que temos visto, então, 2014 era anteriormente o mais quente do registo mas, sabem, estava alguns centésimos de grau mais quente do que o mais quente anterior, que foi 2010, e assim por diante, e normalmente… o aumento global da temperatura agora, estimamos que seja acima de 1 grau Celsius desde os tempos pré-industriais. Agora, dos tempos pré-industriais, talvez no final dos anos 1800 até, não temos registos tão fiáveis, e então a maioria dos registos são mais viáveis… digamos após… para o século 20, e para o século 20 as temperaturas estão altas cerca de 0.9 graus Celsius, ou algo assim. Então, quando se fala de um salto de 0.2°C, 0.2 é 20 porcento do aumento total do século passado inteiro, e tudo isso aconteceu neste último ano. As flutuações normais de ano para ano com o El Niño têm uma amplitude máxima de mais ou menos o mesmo, logo, qualquer coisa acima de 0.2°C é aquilo que consideramos significante, logo um aumento de 1 grau na temperatura é altamente significante, está bem fora do intervalo de ±0.2°C que são esperados na variabilidade natural. Irá descer um pouco outra vez mas, creio que está propensa a manter-se elevada neste novo nível e tipo flutuar à volta de um novo nível. Este é o modo como tem sido no passado e penso que é isso que podemos esperar.

Traduzido do original Kevin Trenberth on the 2015 Temperature Record, publicado por Peter Sinclair em Climate Denial Crock of the Week a 30 de Janeiro de 2016.

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O Telhado Está a Arder – Parece que Fevereiro de 2016 Esteve 1.5 a 1.7 C Acima das Médias de 1880

O Telhado Está a Arder – Parece que Fevereiro de 2016 Esteve 1.5 a 1.7 C Acima das Médias de 1880

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Antes de começarmos a explorar esta instância mais recente e mais extrema de uma longa série de temperaturas globais de quebrar recordes, devíamos ter um momento para creditar os nossos “amigos” negadores da mudança climática pelo que está a acontecer no Sistema Terra.

Durante décadas, uma coligação de interesses especiais em combustíveis fósseis, investidores de grandes negócios, grupos de reflexão relacionados, e a grande maioria do Partido Republicano, têm lutado estridentemente para evitarem uma acção eficaz na mitigação dos piores efeitos da mudança climática. Na sua louca missão, eles atacaram a ciência, demonizaram líderes, paralizaram o Congresso, mancaram o governo, apoiaram combustíveis fósseis destinados a falhar, impediram ou desmancharam regulamentação útil, tornaram o Supremo Tribunal numa arma contra as soluções de energias renováveis, e puseram abaixo indústrias que teriam ajudado a reduzir o dano.

Através destas ações, eles têm sido bem sucedidos na prevenção da mudança rápida e necessária de desistência da queima de combustíveis fósseis, travando uma liderança americana florescente em energias renováveis ​​e ao inundarem o mundo com o carvão, petróleo e gás de baixo custo, que são agora tão destrutivos para a estabilidade do Sistema Terra. Agora, parece que alguns dos impactos mais perigosos das alterações climáticas já estão garantidos. E assim, quando a história olha para trás e pergunta – por que fomos tão estúpidos? Podemos honestamente apontar os nossos dedos para aqueles ignorantes e dizer “aqui estavam os sumo sacerdotes infernais que sacrificaram um futuro assegurado e a segurança dos nossos filhos no altar de seu orgulho tolo.”

Piores Receios para o Aquecimento Global Realizados

Sabíamos que ia haver sarilho. Sabíamos que as emissões de gases de efeito estufa humanas tinham carregado o oceano global com calor. Sabíamos que um El Nino recorde iria explodir um grande bocado desse calor de volta para a atmosfera assim que começou a desvanecer. E sabíamos que mais recordes da temperatura global estavam a caminho no final de 2015 e início de 2016. Mas tenho que admitir que os primeiros indícios para fevereiro são simplesmente assombrosos.

Aquecimento Global Extremo - temperaturas

(O modelo GFS mostra temperaturas com médias de 1.01 C acima da já significativamente mais quente do que o normal linha de base de 1981-2010. Observações subsequentes a partir de fontes independentes confirmaram este pico dramático da temperatura para fevereiro. Aguardamos as observações da NASA, NOAA e JMA para uma confirmação final. Mas a tendência nos dados é surpreendentemente clara. O que estamos a ver são as temperaturas globais mais quentes, de longe, desde que os registos começaram. Note-se que as maiores anomalias de temperatura aparecem exatamente onde não as queremos – no Ártico. Fonte da imagem: GFS e MJ Ventrice).

Eric Holthaus e MJ Ventrice, na segunda-feira, foram os primeiros a dar o aviso de um pico extremo nas temperaturas tal como registado pela medição global por satélite. Seguiu-se uma série de relatos dos mídia. Mas foi só hoje que começámos realmente a ter uma visão clara do potencial de danos atmosféricos.

Nick Stokes, um cientista do clima aposentado e blogger em Moyhu, publicou uma análise dos dados preliminares recentemente libertados pela NCAR e o indicador está simplesmente elevado de modo absolutamente fora de série. De acordo com esta análise, as temperaturas de fevereiro podem ter estado tanto quanto 1,44 C mais quentes do que a linha de base da NASA de 1951-1980. Convertendo as diferenças a partir dos valores da década de 1880, se estas estimativas preliminares se confirmarem, iriam colocar os números do GISS nuns extremos 1,66 C mais quentes do que os níveis de 1880 para fevereiro. Se o GISS corre 0,1 C mais frio do que as conversões NCAR, como tem feito ao longo dos últimos meses, então o aumento de temperatura de 1880 a fevereiro de 2016 seria de cerca de 1,56 C. Ambos são saltos incrivelmente altos que deixam uma dica de que 2016 poderia vir a ser bastante mais quente do que até mesmo 2015.

É importante notar que grande parte destas temperaturas globais elevadas recorde estão centradas no Ártico – uma região que é muito sensível ao aquecimento e que tem o potencial de produzir uma série de feedbacks amplificadores perigosos. Assim, poderíamos muito bem caracterizar um fevereiro quente recorde iminente como um no qual muito do excesso de calor explodiu no Ártico. Por outras palavras, os gráficos da anomalia da temperatura global fazem parecer que o teto do mundo está em chamas. Isso não é literal. Grande parte do Ártico permanece abaixo de zero. Mas anomalias de 10 a 12 C acima da temperatura média para um mês inteiro em grandes regiões do Ártico é um assunto sério. Isso significa que grandes partes do Ártico não experienciaram nada que se aproxime de um verdadeiro inverno no Ártico este ano [Artigo em Português].

Parece que o Limiar de 1,5 C foi Quebrado na Medição Mensal e Podemos Estar a Olhar para 1,2 a 1,3 C+ Acima de 1880s para todo 2016

Colocando estes números em contexto, parece que podemos ter já ultrapassado o limiar de 1,5 C acima dos valores dos anos de 1880 na medição mensal em fevereiro. Isto está a entrar num campo de riscos elevados para a aceleração do derretimento do gelo marinho e da neve no Ártico, perda de albedo, descongelamento da permafrost e uma série de outros feedbacks relacionados amplificadores de um aquecimento do nosso mundo forçado por humanos. Um conjunto de mudanças que irão, provavelmente, adicionar à velocidade de um, já rápido de si, aquecimento baseado em combustíveis fósseis. Mas devemos ter muito claro que as diferenças mensais não são diferenças anuais, e que a medida anual para 2016 é menos provável de vir a atingir ou exceder a diferença de 1.5 C. É justo dizer, porém, que diferenças anuais de 1,5 C são iminentes e vão provavelmente aparecer dentro de 5 a 20 anos.

Se usarmos o El Nino de 1997-1998 como base, descobrimos que as temperaturas globais para esse evento atingiram um máximo de cerca de 1,1 C acima das médias da década de 1880 durante fevereiro. O ano, contudo, ficou em cerca de 0,85 C acima das médias de 1880. Usando uma análise semelhante de verso de guardanapo, e assumindo que 2016 irá continuar a ver as temperaturas de superfície do mar Equatorial a continuarem a arrefecer, podemos estar a olhar para 1,2 a 1,3 C acima da média de 1880 para este ano.

Previsao para El Nino - Anomalia da Temperatura

(O El Nino está a arrefecer. Mas continuará a arrastar-se até 2016? Os conjuntos do modelo do Climate Prediction Center CFSv2 [Centro de Previsão Climática] parecem pensar que sim. A execução mais recente mostra a corrente El Nino a refortalecer-se no Outono de 2016. Tal evento tenderia a empurrar as temperaturas globais anuais para mais perto de 1,5 C acima do limiar da década de 1880. Também estabeleceria o potencial externo para mais um ano quente recorde em 2017. É importante notar que o consenso da NOAA ainda é o de um ENSO Neutro a enfraquecer as condições de La Niña pelo Outono. Fonte da imagem: Centro de Previsão do Clima da NOAA).

A NOAA está presentemente a prever que o El Nino fará a transição para ENSO Neutro ou para uma la Nina fraca, pelo final do ano. Contudo, algumas execuções de modelos mostram que o El Nino nunca chega a terminar realmente para 2016. Em vez disso, estes modelos prevêm que um El Nino fraco a moderado venha no Outono. Em 1998, um forte La Nina começou a formar-se, o que teria ajudado a conter as temperaturas atmosféricas no final do ano. A previsão de 2016, contudo, não parece indicar tão grande assistência no arrefecimento atmosférico proveniente do sistema oceânico global. Então, as médias anuais no fim de 2016 poderão empurrar mais para perto de 1,3 C (ou um pouco mais) acima dos níveis da década de 1880.

Tivemos Este Aquecimento no Sistema Já Há Algum Tempo, Apenas Estava a Esconder-se nos Oceanos

Outro pedaço do contexto sobre o qual devíamos ser muito claros, é que o Sistema Terra tem estado a viver com o calor atmosférico que estamos a ver agora há algum tempo. Os oceanos iniciaram uma acumulação muito rápida de calor devido ao forçamento das emissões de gases de efeito estufa durante os anos 2000. Uma taxa de acumulação de calor nas águas do mundo que tem acelerado até ao presente ano. Este excesso de calor já impactou o sistema climático ao acelerar a desestabilização dos glaciares na zona basal na Gronelândia e na Antártida. E também contribuiu para novas perdas recorde do gelo marinho global e é uma fonte provável de relatórios das zonas de plataforma continental do mundo nas quais têm sido observadas pequenas, mas preocupantes, instabilidades nos clatratos.

Acumulação de calor pelo oceano global

(A acumulação de calor no oceano global tem estado a subir em rampa desde o final dos anos 1990, com 50 por cento da acumulação total de calor a ocorrer nos 18 anos entre 1997 e 2015. Uma vez que mais de 90 por cento do forçamento de calor pelos gases de efeito estufa acaba no sistema do oceano global, esta medida em particular é provavelmente a imagem mais precisa de um mundo em rápido aquecimento. Uma tão rápida acumulação de calor nos oceanos do mundo garantiu uma eventual resposta da atmosfera. A verdadeira questão agora é – quão rapidamente e quão extensa? Fonte da imagem: Nature).

Mas elevar o aquecimento atmosférico terá inúmeros impactos adicionais. Irá colocar pressão sobre as regiões de superfície dos glaciares globais, adicionando ao aumento repentino na pressão de fusão basal que já vimos. Irá amplificar ainda mais o ciclo hidrológico – aumentando as taxas de evaporação e precipitação em todo o mundo e amplificando secas extremas, incêndios e inundações. Vai aumentar as temperaturas de superfície globais de pico, aumentando assim a incidência de eventos de baixas em massa por vagas de calor. Irá fornecer mais energia de calor latente para as tempestades, continuando a empurrar para cima o limiar de intensidade de pico destes eventos. E vai ajudar a acelerar o ritmo das mudanças regionais nos sistemas climáticos tais como a instabilidade do tempo no Atlântico Norte e aumentar a tendência de seca nos EUA (especialmente o Sudoeste dos EUA).

Entrando na Zona Perigosa da Mudança Climatica

O intervalo de 1-2 C acima das temperaturas da década de 1880 em que estamos agora a entrar é um em que as mudanças climáticas perigosas tenderão a crescer de forma mais rápida e aparente. Tal calor atmosférico não tem sido experienciado na Terra em pelo menos 150.000 anos, e o mundo de então era um lugar muito diferente daquilo a que os seres humanos foram acostumados no século 20. Contudo, a velocidade a que as temperaturas globais estão a subir é muito mais rápida do que alguma vez foi visto durante qualquer período interglacial para os últimos 3 milhões de anos, e é provavelmente ainda mais rápido do que o aquecimento observado durante eventos de extinção por efeito de estufa como o MTPE e o Permiano. Esta velocidade de aquecimento irá quase certamente ter efeitos adicionados para além do contexto do paleoclima.

Anomalia dos Graus-Dia no Artico

(Quem olha para o gráfico de anomalia da temperatura no topo deste post pode ver que uma quantidade desproporcional da anomalia da temperatura global está a aparecer no Ártico. Mas a região do Extremo Norte acima da linha de Latitude de 80 graus está entre as regiões que experimentam anomalias do pico global. Lá, graus-dia abaixo de zero estão nos níveis mais baixos já registados – atingindo agora uma anomalia de -800 no registo do Ártico. Em termos simples – quanto menos graus-dia abaixo de zero o Ártico experiencia, o mais próximo estará de derreter. Fonte da imagem: CIRES / NOAA).

Um último ponto a deixar claro e que vale a pena repetir. Nós, ao darmos ouvidos aos negadores da mudança climática e deixarmos que entupam as obras políticas e económicas, provavelmente já trancámos no sistema alguns dos efeitos negativos das alterações climáticas, que poderiam ter sido evitados. O tempo para darmos ouvidos a esses tolos acabou. O tempo para arrastar os pés e andar com meias-medidas está agora a chegar ao fim. Precisamos de uma resposta muito rápida. Uma resposta que, neste momento, ainda está a ser adiada pela indústria de combustíveis fósseis e os negadores da mudança climática que incitaram a sua beligerância.

Links:

O Velho Normal Já Era

NASA GISS

Quente Quente Quente

Michael J. Ventrice

Ártico Sem Inverno em 2016 [Traduzido em Português]

Grande Salto nas Medições da Temperatura à Superfície e pelo Satélite

Centro de Previsão Climática da NOAA

Captação de Calor pelo Oceano Global na Era Industrial Duplica em Décadas Recentes

CIRES / NOAA

Governadores Republicanos Processam para Pararem o Plano de Energia Limpa

Traduzido do original The Roof is On Fire — Looks like February of 2016 Was 1.5 to 1.7 C Above 1880s Averages, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 3 de Março de 2016.

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Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

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Os cientistas estão perplexos e nós também devíamos estar. O calor global e especialmente as temperaturas extremamente altas em relação à média que vimos no Ártico ao longo do mês passado são absolutamente sem precedentes. É estranhamente bizarro. E o que parece, para este observador em particular, é que a sazonalidade do nosso mundo está a mudar. O que estamos a testemunhar, neste momento, parece o começo do fim para o Inverno tal como o conhecemos.

Janeiro Mais Quente do Registo – Mas o Ártico Está Simplesmente Bizarro

Qualquer pessoa que observe o Ártico – de cientistas a ambientalistas, a especialistas em ameaças emergentes, a entusiastas do tempo e do clima, até simplesmente pessoas normais, inquietos com o estado do nosso sistema climático global o qual se revela rapidamente – deviam estar muito, muito preocupados. A emissão humana de gases de efeito estufa – agora a empurrar os níveis de CO2 acima das 405 partes por milhão e a adicionar uma série de gases extra que retêm o calor – parece estar a forçar rapidamente o nosso mundo a aquecer. E a aquecer mais rapidamente num dos absolutamente piores lugares que se possa imaginar – o Ártico.

Não só foi este janeiro de 2016 o mês de janeiro mais quente já registado no registo climático global de 136 anos da NASA; não só janeiro mostrou a maior diferença de temperatura em relação à média para um único mês – com 1,13°C acima da linha de base do século XX da NASA, e cerca de 1,38°C acima das médias de 1880 (apenas 0,12°C abaixo da perigosa marca de 1,5°C); como o que observámos na distribuição global dessas temperaturas quentes recorde foi ao mesmo tempo estranho e perturbador.
Anomalia da Temperatura Janeiro de 2016 NASA

(Um mundo quente recorde em janeiro mostra calor extremo no Ártico. O mapa global de anomalia da temperatura da NASA, em acima, sugere que o calor tropical – acentuado por um El Nino recorde – viajou para o norte e pelo Ártico dentro por meio de pontos fracos na corrente de jato sobre a América do Norte Ocidental e a Europa Ocidental. Fonte da imagem – NASA GISS).

Apesar de que o mundo estava quente no seu todo – com o calor do El Nino a dominar as zonas tropicais – os extremos das temperaturas acima da média concentraram-se exatamente no telhado do nosso mundo. Lá, nas terras do Ártico e do gelo glacial e da permafrost agora a descongelar – sobre a Sibéria, sobre o norte do Canadá, sobre o norte da Gronelândia e por toda a zona do Oceano Ártico acima da Latitude Norte 70 – as temperaturas andavam em média entre os 4 e os 13 graus Celsius acima do normal. Isso é entre 7 e 23 graus Fahrenheit mais quente do que o normal para o período extraordinário de um mês inteiro.

E quanto mais para norte se ia, mais calor se obtinha. Acima da linha de Latitude Norte 80, as médias de temperatura para toda a região subiram para cerca de 7,4 graus C (13 graus F) mais quentes que o normal. Para esta área do Ártico, isso é tipo igual à diferença típica entre janeiro e abril (abril é cerca de 8 C mais quente do que janeiro, durante um ano normal). Assim, o que temos visto é absolutamente sem precedentes – no Ártico, para o mês inteiro de janeiro de 2016, as temperaturas foram aquelas de uma primavera.

Desvio das temperaturas em relação à média no Ártico para 2016

(Para janeiro e fevereiro de 2016, a região de Latitude Norte 80 e em direção ao norte experienciou as suas condições mais quentes jamais registadas. As temperaturas mantiveram-se num intervalo de -25 a -15 C para a zona, um conjunto de temperaturas mais típicas de meados ou final de abril. Fonte da imagem: NOAA).

E para o inverno de 2016, é possível que o Ártico nunca experiencie condições típicas. Pois, de acordo com a NOAA, a primeira quinzena de fevereiro viu este calor recorde, tipo Primavera, prolongar-se até hoje. É como se estas zonas mais frias do Hemisfério Norte ainda não tivessem experienciado Invernocomo se a tempestade anormal que levou as temperaturas do Ártico para níveis recorde durante o final de dezembro tenha, desde então, enfiado o termómetro em níveis típicos de abril e o deixado lá preso.

Calor do El Niño Teleconecta com o Polo

Porque é isso tudo tão ameaçador?

Seria mau se fosse o caso em que o calor no Ártico simplesmente resultasse no cada vez mais rápido derretimento dos glaciares – forçando os mares a subirem centímetros, polegadas e pés. Seria muito mau se o aquecimento polar se amplificasse à medida que o gelo branco sobre a terra e sobre o mar regredisse, tornando uma superfície refletora de calor numa característica de absorção de calor azul escura, verde e castanha. Seria surpreendentemente mau se tal calor também resultasse em degelo da permafrost, mais uma vez agravando o aquecimento forçado pelos humanos ao desbloquear até 1.300 biliões de toneladas de carbono e, eventualmente, transferir cerca de metade disso para a nossa atmosfera. E seria muito ruim se todo esse calor extra no Ártico começasse a intrometer-se com o clima do Hemisfério Norte, ao alterar o fluxo da corrente de jato. Resultando em sulcos muito persistentes produtores de secas e depressões produtoras de tempestades.

Ondas de Amplitudes Elevadas na Corrente de Jato

(Ondas de amplitudes elevadas na Corrente de Jato – uma sobre a parte ocidental da América do Norte e uma segunda sobre a Europa – transferem calor de Latitudes inferiores para o Ártico durante um ano de El Nino a 7 de fevereiro de 2016. Enquanto a amplificação polar encrencava em novos extremos durante os meses quentes recorde de dezembro e janeiro, parecia que a capacidade do El Nino para fortalecer a Corrente de Jato, e assim separar o calor equatorial do Polo frio, havia sido comprometida. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Infelizmente, estes eventos já não são apenas hipotéticos. O gelo do mar está a recuar. A permafrost está a descongelar. Os glaciares estão a derreter. E o fluxo da Corrente de Jato parece estar a enfraquecer.

Mas e se todo esse acumular polar de calor devido à queima de combustíveis fósseis pelos humanos tivesse ainda mais um efeito adicional? E se essa pedra quente atirada para o rio da circulação atmosférica que chamamos de El Nino pudesse de alguma forma transferir a sua acumulação de calor tropical lá para acima até ao Polo? E se o fluxo da Corrente de Jato no Hemisfério Norte tivesse ficado tão fraca que até mesmo um aquecimento nos trópicos devido a um forte El Nino recorde não pudesse acelerá-lo significativamente (através do aumento do diferencial de calor entre o Equador e o Polo). E se essas novas zonas ondulantes da Corrente do Jato se estendessem até ao Ártico – empurrando o calor tropical para o extremo norte durante eventos El Nino? Em momentos em que o mundo, como um todo, estivesse no seu mais quente? Durante um período em que o calor e a humidade na superfície do Oceano Pacífico estivessem a explorar um novo pico devido a uma combinação de aquecimento forçado pelos humanos e um El Nino atingir o topo do ciclo de variabilidade natural?

E se, de alguma forma, esse pico de calor tropical pudesse fluir desde o Equador até ao Pólo?

O que veríamos, então, seria uma aceleração das perigosas mudanças no Ártico descritas em cima. O que veríamos seria um aliar do sinal de amplificação polar, associado ao aquecimento global, com o topo da escalada quente de variabilidade natural que é o El Nino. E quanto ao Ártico sem inverno que foi o primeiro mês e meio de 2016, foi isso o que parece que acabámos de experienciar.

Os cientistas estão perplexos. Bem, deviam estar. Devíamos estar todos.

Links:

NASA GISS

NOAA

Os Cientistas estão Perplexos pelo que Está a Acontecer no Ártico Neste Momento

Tempestade Quente no Ártico para Descongelar o Polo Norte

Clima do Polo Norte

O Blog do Gelo do Mar Ártico

Impactos da Perda de Gelo do Mar

Earth Nullschool

Jennifer Francis sobre o Impacto do Aquecimento no Árctico Sobre a Corrente de Jato

Traduzido do original No Winter For the Arctic in 2016 — NASA Marks Hottest January Ever Recorded, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 18 de Fevereiro de 2016.

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Zika Vírus e a Nova Distopia do Clima – O Efeito de Estufa Humano como Multiplicador de Doenças

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A partir de hoje, as autoridades no Brasil, Colômbia, Jamaica, El Salvador e Venezuela, exortavam as mulheres para evitarem ficarem grávidas … É impensável. Ou melhor, é algo saído de uma história de ficção científica, o cerne absoluto de um futuro distópico.

– Bill McKibben, num comunicado recente sobre o aquecimento global e o vírus Zika que é agora uma pandemia.
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Existe uma infinidade de doenças por aí fora. Doenças que não conhecemos. Doenças trancadas em cantos do mundo rarefeitos e distantes. Doenças que operam em ambientes de selva de nichos pequenos. Doenças que vivem em apenas sistemas de cavernas ou numa única espécie. Doenças que foram trancadas há milhões de anos atrás no gelo que descongela agora. Doenças que, se lhes for dado um vetor – ou um meio de viajarem para fora dos seus pequenos nichos orgânicos ou ambientais rarefeitos – podem causar danos incalculáveis em amplas extensões do globo.

Países com transmissão do vírus zika

Os países com transmissão ativa do Zika Vírus reportada. Até recentemente, as crises de Zika estavam isoladas à África Central e Polinésia Francesa. Agora, o vírus é uma pandemia global com as autoridades da Organização Mundial de Saúde preocupada que as infeções possam chegar aos 4 milhões. Fonte da imagem: O CDC.

Tal foi o caso com o outrora humilde vírus Zika. Descoberto em 1947 na África Central, a doença primeiro só existia em macacos. O vírus levou 7 anos para dar o salto para os humanos em 1954. Mas, ao início, os sintomas eram apenas ligeiros e para a maior parte da história da doença era considerado uma forma menos prejudicial do vírus Dengue – ao qual está estreitamente relacionado. O vírus, ao início, aparentava apenas resultar em febre, dores de cabeça, erupção cutânea e dor nas costas – se quaisquer sintomas aparecessem de todo. Iria levar muito mais tempo para os devastadores e terríveis efeitos posteriores, de um vírus que aparentava num primeiro momento ser inofensivo, começarem a aparecer.

Até 2007, quando o vírus começou a crescer até aos seus níveis de pandemia atuais, estava na sua maioria isolado à África Central e a uma região da Polinésia Francesa no Pacífico. Ambas as áreas estão entre as mais calorosas e mais chuvosas do mundo. Ambas caracterizadas por populações muito grandes e persistentes dos tipos de mosquitos mais adequados para a transmissão desta doença agora amplamente temida.

Uma Questão da Extensão Crescente dos Vetores de Doenças

Em linguagem de epidemiologia, um vetor é um transportador da doença. No caso de Zika, o transportador primário é o mosquito. No total, sete espécies da variedade de mosquitos Aedes são conhecidos por transportar Zika.

Em condições climáticas normais, o alcance desses insetos transmissores de doenças tende a permanecer bastante estável. Mas não é esse o caso no mundo atual. Desde 1880, o mundo tem aquecido e as extensões de mosquitos vetores de doença têm-se expandindo. Sob o regime atual de aumento da temperatura de 1°C ao longo dos últimos 136 anos, o Aedes Aegypti – um dos principais transportadores do vírus Zika – expandiu o seu habitat para fora dos trópicos e em latitudes cada vez mais elevadas.

Aedes Aegypti Distribuição Global

Distribuição global do Aedes Aegypti em 2015 – vermelho indica maior frequência, azul indica frequência zero. O Aedes Aegypti é um vetor de doenças para vírus como o Dengue e o Zika. À medida que o mundo aqueceu, o seu habitat tem vindo a expandir-se para Latitudes cada vez mais elevadas. Fonte da imagem: Distribuição do Aedes Aegypti

Mas não só a extensão global desses portadores da doença está em expansão como também há uma persistência nas regiões que eles ocupavam anteriormente. Regiões que poderão ter assistido apenas a uma ou duas semanas por ano nas quais mosquitos fêmea, infectados com Zika, estavam ativos, podem agora experienciar um ou dois meses de exposição. E regiões em que o mosquito estava ativo durante apenas alguns meses poderão agora ver populações ativas transmissoras da doença durante metade do ano ou mais.

É essa duração crescente e expansividade da exposição ao vetor de doença que é um dos impactos epidemiológicos mais perigosos da mudança climática. A alteração climática não apenas possibilita o movimento de doenças provenientes do isolamento anterior em reservatórios remotos. Ela também permite uma amplitude cada vez maior de transporte, já que as áreas em que as espécies portadores de doenças estão adaptadas a viver expandem dramaticamente, tanto em termos de espaço como em termos de tempo de exposição.

É como se tivéssemos decidido carregar triliões de mosquitos com o que equivale a munição viva biológica e, em seguida, lhes déssemos a capacidade de descarregar essa munição letal sobre extensões cada vez mais amplas e mais abrangentes do globo. Isso é basicamente o que se obtém quando se aquece o mundo. Uma expansão e invasão global de doenças até então desconhecidas espalha-se pelo mundo através de vetores como o mosquito.

A Explosão Viral do Zika Ocorre Durante o Ano Mais Quente Já Registado

Voltando ao nosso conto de expansão do vírus Zika desde 2007 até 2016, descobrimos que o Zika durante este espaço de tempo tinha saltado para fora do seu habitat tradicional do século XX e, coincidentemente, expandido com a propagação de mosquitos da variedade Aedes ao longo das bandas de clima em aquecimento e umedecimento. Em 2007, o primeiro salto fora da África Central e Polinésia Francesa ocorreu em Yap – uma parte dos Estados Federados da Micronésia.

O alcance da epidemia, em seguida, expandiu novamente até 2014 para a Ilha de Páscoa, Polinésia mais ampla, as Ilhas Cook, e a Nova Caledónia. A expansão geográfica desta doença ao longo das cadeias de ilhas do Pacífico indica que o aumento da virilidade do Zika desencadeou-se, provavelmente, a partir da estirpe da Polinésia Francesa e não a partir da estirpe em África.

Então, em 2015, coordenado com as temperaturas globais mais quentes já registadas, o vírus Zika pulou para fora dos seus limites ambientais da bacia das ilhas do Pacífico e espalhou-se para o Brasil e Caribe. O vírus, subsequentemente, espalhou-se através de uma ampla secção da América Central e América do Sul. A partir de ontem, avisos de viagens de possível exposição ao vírus Zika estavam incluídos nesta lista de 22 países:

Barbados, Bolívia, Brasil, Cabo Verde, Colômbia, Equador, El Salvador, Guiana Francesa, Guadalupe, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Martinica, México, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Saint Martin, Samoa, Suriname e Venezuela.

Hoje, a Organização Mundial da Saúde estava a emitir avisos de que até 4 milhões de pessoas podem acabar por ser infetadas antes do surto mais recente estar terminado.

O Nova Distopia Climática – Estamos Agora a Dizer às Mulheres para Não Terem Filhos

Como muitas febres virais, o Zika ataca o sistema nervoso das pessoas que infecta. E apesar de os sintomas iniciais poderem parecer leves, com até 80 por cento das pessoas infetadas a mostrarem nenhum sintoma de todo, o vírus pode causar danos graves a longo prazo tanto para bebés não nascidos como para indivíduos vulneráveis. Como as taxas de infecção pelo vírus aumentaram, foram suspeitas de estarem relacionadas instâncias de um tipo de paralisia temporária chamada Síndrome de Guillain Barre e um encolhimento aterrorizante das cabeças de bebés em gestação chamado microcefalia, que também aumentaram [O que é Microcefalia, na Wikipédia].

Microcefalia e vírus Zika

Um aumento nas taxas de microcefalia – um encolhimento trágico das cabeças de crianças não nascidas como resultado de danos virais no sistema nervoso – entre as crianças em regiões de surto do vírus Zika levantou preocupações globais quanto ao impacto contínuo do vírus. Mais particularmente, as mulheres em um número crescente de países estão agora a ser solicitadas a abster-se de terem filhos durante meses ou mesmo anos. Fonte da imagem: O CDC.

Hoje na BBC:

O vírus, que não apresenta sintomas 80% das vezes, é acusado de causar desenvolvimento atrofiado do cérebro em bebés. Cerca de 3.500 casos de microcefalia foram identificados até agora no Brasil. E pessoal médico em Recife, a capital do estado no Nordeste no Brasil, dizem que estão a lutar para lidar com pelo menos 240 casos de microcefalia em crianças.O Secretário de Saúde da cidade, Jailson Correia, um especialista em doenças tropicais, disse à BBC que ele e outros precisam “de lutar duro”.

Estes são impactos profundamente terríveis. Impactos que não foram inicialmente esperados de um vírus que ao início parecia tão inócuo. E é essa ameaça de microcefalia gerada por Zika entre os lactentes que está a impulsionar tudo, desde avisos de viagem para a medida inédita de alguns países solicitarem que as suas populações humanas dêem o passo extremo de evitar a gravidez.

Desde segunda-feira, autoridades no Brasil, Colômbia, Jamaica, El Salvador e Venezuela estavam a exortar as mulheres a não engravidarem. A moratória para a gravidez – que é voluntária – varia em duração de alguns meses a dois anos no caso de El Salvador. E a razão para a moratória solicitada é, infelizmente, prática. As autoridades desses países estão agora forçadas a escolher entre perguntar às mulheres para evitarem a gravidez ou terem os seus sistemas de saúde sobrecarregados por lactentes que sofrem de microcefalia.

Com uma vacina provavelmente a ​​10-12 anos de distância para o vírus Zika, com 4 milhões de casos esperados no foco atual, e com o habitat dos mosquitos Aedes que carregam o vírus a continuar a expandir-se na cauda de um aquecimento global forçado pelos humanos, estamos infelizmente apenas no início desta tragédia. Um evento que, como Bill McKibben observou no The Guardian no início desta semana, saltou totalmente para o reino da distopia.

Um Deslocamento Profundo para a Humanidade

A microcefalia entre crianças é ao mesmo tempo trágica e terrível. O seu impacto atinge o cerne daquilo que significa ser-se um ser humano. Se um vírus, conduzido para regiões distantes pelo aquecimento do mundo através da queima de combustíveis fósseis, é capaz de paralisar os nossos filhos enquanto ainda no útero, a nossa sensação de segurança é abalada enquanto testemunhamos esta brutalidade de partir o coração. É o tipo de coisa tão terrível que não podia vir da imaginação humana. E é por isso que, quando o testemunhamos, experimentamos uma estranha sensação de deslocamento. Um sentimento surreal de que nada está correto. Como o momento depois do carro bater no poste de telefone, o momento em que ainda estás a voar pelo ar, arremessado do veículo. O momento imediatamente antes do impacto inevitável com o pavimento.

Mas o impacto, infelizmente, vem. Não estamos apenas a tornar muitas das espécies deste mundo em órfãos climáticos. Em criaturas sem um espaço seguro para viver e prosperar, também o estamos a fazer a nós mesmos. Pois os filhos de Zika também são órfãos climáticos. As vítimas trágicas de uma variedade crescente de condições ambientais que são perigosas para a vida humana. E o Zika é apenas um exemplo das doenças mortais, condições meteorológicas extremas, elevação do nível do mar, colapso glacial, morte do oceano, e rotura das colheitas que estamos agora a forçar sobre o habitat humano. Um habitat que estamos a tornar menos habitável para nós mesmos e para praticamente tudo o resto.

É isso que significa deslocação terminal – ser forçadamente excluído. Ser-se, de repente, introduzido num ambiente muito hostil em que a sobrevivência, e neste caso a reprodução, é, de repente, um negócio arriscado. Para os seres humanos, este é um deslocamento profundo. Um que faz com que o mundo em que estamos a viver agora pareça por demais estranho. Pois não estamos a viver no mundo que estamos acostumados. E aquele que estamos a fazer é ao mesmo tempo terrível e trágico. E, com toda a honestidade, precisamos desesperadamente de parar com os danos antes de qualquer outra coisa muito grande, ou terrível, ou essencial, se solte.

Links:

O Virus Zika Prenuncia o Nosso Futuro Distópico Climático

Sobre Mudanças Climáticas e Doenças Transmitidas por Vetores

O CDC

O Virus Zika

Zika Vírus Originário de Mosquito Espalha-se Explosivamente

Aedes Aegypti

UCAR: Mudanças Climáticas e Doença Originária em Vetor

Cidade Brasileira Vê um Pico nos Casos de Microcefalia

Fatos sobre Microcefalia

Aquecimento Global Aumenta População de Mosquito em 50 por Cento

Traduzido do original Zika and the New Climate Dystopia — Human Hothouse as Disease Multiplier, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 28 de Janeiro de 2016.

Um Salto Aterrorizante nas Temperaturas Globais – Dezembro de 2015 1,4 C Acima de 1890

Um Salto Aterrorizante nas Temperaturas Globais – Dezembro de 2015 1,4 C Acima de 1890

Sugerimos a leitura de “Um Salto Aterrorizante nas Temperaturas Globais – Dezembro de 2015 1,4 C Acima de 1890” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Um monstro El Nino a disparar no Pacífico. Uma acumulação maciça de gases de efeito estufa provenientes de combustíveis fósseis na atmosfera empurram os níveis de CO2 bem acima das 400 partes por milhão. A contribuição de outros gases de efeito estufa empurrando a forçação calórica total global para as 485 partes por milhão de CO2e. Dado este contexto forte, sabíamos que os números iriam provavelmente ser maus. Apenas não sabíamos o quão maus. E, olhando para as medições iniciais que entram, podemos, definitivamente, dizer que isto é sério.

De acordo com o relatório de hoje da Agência Meteorológica do Japão, as temperaturas globais aumentaram uns ridículos 0,36 graus Celsius desde o período de Dezembro de 2014 – o Dezembro anterior mais quente no registro climático global – até Dezembro de 2015 – o novo Dezembro mais quente por um bom bocado de diferença. Para colocar um salto mensal tão espantoso das temperaturas globais, de um ano para o outro, em contexto, a taxa média decenal de aumento da temperatura global tem estado na faixa dos 0,15 C a cada dez anos durante as últimas três décadas e meia. É como se se aglomerasse 20 anos de aquecimento forçado por humanos tudo num diferencial de 12 meses.

Temperatura Global Recorde Dezembro 2015

(A Agência Meteorológica do Japão mostra um salto assustadoramente acentuado nas temperaturas globais para o mês de Dezembro de 2015. Fonte da imagem: JMA). [clique na imagem para aumentar o seu tamanho]

Dando uma olhada a este salto mensal incrível nas temperaturas globais em termos de faixas de tempo mais longas, descobrimos que Dezembro de 2015 ficou em 1,05 C acima da média do século XX e um aterrorizante (sim, não há outra palavra para o descrever) 1,42 C acima da média de temperaturas no início do registo em 1890.

O mundo está agora a explorar médias de temperatura globais mensais que estão a bater muito perto de uns perigosos 1,5 C acima dos níveis pré-industriais. E embora esses números não reflitam médias anuais que provavelmente serão muito menores – na faixa de 1 a 1,2 C acima de 1880 para 2015 e 2016 – devíamos ter muito claro que tais leituras elevadas continuam a ser motivo de séria preocupação. Preocupação com a potencialidade de que 2016 possa também ver a continuação de novos recordes de temperaturas anuais quentes em cima de recordes dos anos quentes anteriores de 2014 e 2015. E a preocupação de que podemos muito bem estar apenas à distância de mais um forte El Nino de ultrapassar ou chegar perigosamente perto do limiar de temperatura média anual de 1,5 C.

Há aqui razão para preocupação e há certamente algum motivo para alarme. Alarme no sentido de que o mundo precisa realmente de ser ainda mais sério quanto a reduzir as emissões globais de combustíveis fósseis para perto de zero, tão rápido quanto possível. Caso contrário, podemos muito bem passar os 2 C – não antes de 2100, mas antes de 2050.

Links:

Agência Meteorológica do Japão – Análise da Temperatura Global

(Análises da NASA e NOAA em breve)

Traduzido do original A Terrifying Jump in Global Temperatures — December of 2015 at 1.4 C Above 1890, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 14 de Janeiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Os Níveis de Gases de Efeito Estufa e as Temperaturas Continuam a Aumentar

em https://alteracoesclimat…

Será que a Humanidade Está a Dar a Volta ao Aquecimento Global?

Será que a Humanidade Está a Dar a Volta ao Aquecimento Global?
"Eu não acredito no aquecimento global" Porque é que 400.000 pessoas nas ruas na Marcha do Povo Pelo Clima, não são uma ameaça ao status quo.
“Eu não acredito no aquecimento global”
Porque é que 400.000 pessoas nas ruas na Marcha do Povo Pelo Clima, não são uma ameaça ao status quo.

Um novo relatório do Global Carbon Project mostra que as máquinas do mundo estão a arrotar mais dióxido de carbono do que nunca. O relatório, que mede as emissões globais de CO2, descobriu que gases de todas as fontes aumentaram mais de 750 milhões de toneladas em 2013 – um aumento de 2,3 por cento neste gás de estufa perigoso em cima do níveis já extremos de 2012. No total, 39,8 bilhões de toneladas de CO2 atingiram a atmosfera em 2013, um aumento sobre as 39,1 bilhões de toneladas em 2012.

Na caminho atual, as emissões globais de CO2 vão duplicar em cerca de 30 anos. Tal aumento maciço de fontes humanas não inclui as emissões de feedback (realimentação) amplificador das reservas de metano ou dióxido de carbono, tais como aquelas que agora, aparentemente, se desestabilizam no Ártico. Este enorme sopro seria mais do que suficiente para desencadear um evento de extinção por efeito de estufa – um que poderia muito bem rivalizar ou exceder o Permiano (também conhecido como “a grande morte”) na sua ferocidade, devido ao muito rápido ritmo de acumulação de calor provocada pelos humanos.

Uma maior adoção de energias renováveis ​​abrandou a emissão global de carbono dos níveis de cenário pior. Contudo, o ritmo de adoção de energias renováveis e o aumento da eficiência energética ainda não é o suficiente para salvar o mundo do terrível rumo do cenário RCP 8,5. Entretanto, os níveis globais de CO2 estavam a pairar perto de seu mínimo anual, um pouco acima de 395 partes por milhão, depois de ter atingido um nível máximo perto de 402 partes por milhão em Maio de 2014. No ritmo atual de aumento, o CO2 global é provável que se mantenha acima das 400 partes por milhão (ppm) de concentração durante todo o ano, já daqui a menos de três anos.

Emissões de Carbono Globais continuam ao longo de 2013 no caminho do pior cenário considerável. Notem que os aumentos da temperatura estimados são para este século.Para contextualizar, levou 12.000 anos para que o mundo aquecesse 5 graus Celsius no início da última idade do gelo. Fonte da imagem: Global Carbon Project
Emissões de Carbono Globais continuam ao longo de 2013 no caminho do pior cenário considerável. Notem que os aumentos da temperatura estimados são para este século.Para contextualizar, levou 12.000 anos para que o mundo aquecesse 5 graus Celsius no início da última idade do gelo. Fonte da imagem: Global Carbon Project

Para colocar em contexto, da última vez que os níveis de CO2 estavam tão altos, as temperaturas globais eram de 2 a 3 graus Celsius mais quentes do que hoje e os níveis do mar eram, pelo menos, 75 pés (~23 metros) mais altos. Mas como os humanos emitem uma série de outros gases de efeito estufa poderosos, a medida global de CO2 por si só não tem em conta o quadro todo. Se todos os outros gases libertados por humanos, e que bloqueiam o calor de se escapar, forem adicionados, o efeito de calor do CO2 equivalente (CO2e) é de cerca de 481 ppm, o que é suficiente para aumentar as temperaturas, a longo prazo, em cerca de 3,8 graus Celsius, e para derreter mais da metade das camadas atuais de gelo no mundo.

No ritmo atual de emissões, vai demorar menos de 30 anos a garantir na atmosfera um valor de CO2 equivalente (CO2e) de 550 ppm – o suficiente para derreter todo o gelo da Terra e para elevar a temperatura entre 5 e 6 graus Celsius a longo prazo.

Esta compilação de números e análises por ‘robertscribbler’, e como ele disse neste mesmo texto, “não inclui as emissões de feedback (realimentação) amplificador das reservas de metano ou dióxido de carbono, tais como aquelas que agora, aparentemente, se desestabilizam no Ártico.

Então o quadro poderá ser bem pior e estamos apenas a iludir-nos a nós próprios enquanto não considerarmos o metano e CO2 a ser libertado neste momento do fundo do Ártico e na Sibéria. Mas e então, quem é que está a considerar o quadro total para que possamos saber qual a verdadeira situação da humanidade quanto ao aquecimento global? Paul Beckwith é um deles, um cientista que tem um estudo feito em Clima Paleontológico e até faz vídeos com gatos e põe no youtube para chamar a atenção das pessoas para esta questão. O quadro prognóstico pelos modelos climáticos é aterrorizante, mas a ciência do clima é super interessante. O que está a ser explorado no mesmo blogue que publicou a transcrição desta entrevista a Paul Beckwith, em português.

E para aqueles que dizem que a tecnologia de energias renováveis está a evoluir imenso (e está), que a Alemanha está a dar o exemplo e com certeza a humanidade pode, e está, a dar a volta a esta situação, e que ‘até houve uma marcha do clima recentemente com 400.000 pessoas só em Nova Yorque!’,… Pois, mas é que parece que muito poucos nessa marcha estão conscientes da ciência do clima. Os poucos que estavam a abanar cartazes sobre metano falavam da captura de metano por fracturação hidráulica, e nada das Gigatoneladas de metano a escaparem do fundo do Ártico e da permafrost na Sibéria. E olhem só o que o Chris Hedges, autor premiado e jornalista que ganhou o Pulitzer e conhecido pela sua crítica ao sistema insustentável do capitalismo, tem a dizer sobre a famosa Marcha do Povo Pelo Clima neste vídeo do show Breaking The Set, da RT, introduzido por Abby Martin: “tais mobilizações são, em última análise, ineficientes, acrescentando que os grupos principais que patrocinam a marcha em Manhattan são desenhados para neutralizar resistências.” Abby perguntou-lhe ainda porque é que 400.000 pessoas nas ruas de Manhattan não são uma ameaça ao status quo. Ele foi muito elucidativo:

“Primeiro porque não havia agenda. Segundo, porque as instituições estabelecidas faziam parte da marcha; grupos como Environmental Defense Fund (Fundo Para a Defesa do Ambiente) que apoiam a fracturação hidráulica e recebem apoios das gigantes petrolíferas como a BP. Eles ficaram dentro dos perímetros que lhes foram dados pela polícia de Nova Yorque, em contraste com a marcha da qual eu fiz parte Segunda de manhã “Flood Wall Street” (Inunda Wall Street), onde, sem permissão, 4000 pessoas sairam às ruas e fecharam as ruas em Wall Street; sentadas no meio da estrada. Até que comecemos a engajar-nos em actos de desobediência civil, especialmente dado o facto de que as elites em poder, e em particular o partido democrático, adoptam a retórica das mudanças climáticas, não vamos fazer grande diferença. O Obama fala de Alterações Climáticas como sendo real e como algo com o qual ele pretende lidar na sua administração, e ainda assim temos visto o Obama a expandir massivamente a perfuração em terreno público, perfurações no mar, fracturação hidráulica, aprovando a extensão sul do oleoduto de Keystone, a qual está desenhada para trazer Petróleo Shell das areias betuminosas de Alberta (…) a retórica do estabelecimento democrático em particular não encaixa na realidade. A realidade é que o sistema político está monopolizado pela indústria dos combustíveis fósseis, carvão, petróleo, gás, e a não ser que comecemos a romper com sistema eles vão continuar com esta forma de ecocídio, destruindo o que resta do planeta para a obtenção de lucros a curto prazo.”

O aquecimento GLOBAL afecta todo e cada ser humano, e tem que ser resolvido por TODO E CADA SER HUMANO. “Se votar mudasse alguma coisa, já estaria proibido” – Edward Bellamy. E não se trata de reciclar, mudar para lâmpadas mais eficientes ou desligar o interruptor da luz; trata-se de uma mudança cultural necessária que torne esta distorção social milenar, e perpetuada até hoje, obsoleta. Trata-se de informação e consciencalização para além dos limites confortáveis do status quo, e abandonando a confiança que depositamos neste. Não se preocupem, ele seguirá com a mudança, mas cada dia mais revolucionado que no anterior.

Para mais clarividência sobre essa tão necessária transformação pessoal e social, vejam a última entrevista de Peter Joseph por Abby Martin na RT.