Acordo da COP21 Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam

Acordo da COP21 Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam

Sugerimos a leitura de “Acordo de Paris Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Acordo da COP21 não evita devastação da mudança climática
Um grave e contundente artigo do The Independent, no qual estou materialmente mencionado: COP21: Acordo de Paris é fraco demais para evitar a mudança climática devastadora, académicos advertem. Começa assim (aqui está uma parte; clique no link para o artigo completo. A nossa carta ao jornal, contudo, encontra-se na íntegra, mais abaixo na página):
———-

“Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que elas querem ouvir e ignorar o resto”.

O Acordo de Paris para travar o aquecimento global tem, na verdade, constituído um grande revés para a luta contra as alterações climáticas, académicos especialistas avisam.

O acordo pode ter sido apregoado por líderes mundiais mas é demasiado fraco para ajudar a impedir o dano devastador para a Terra, alegam.

Numa carta conjunta ao The Independent, alguns dos principais cientistas do clima do mundo lançaram um duro ataque ao acordo, alertando que oferece “falsa esperança”, que poderia, em última instância, provar ser contraproducente na batalha para travar o aquecimento global.

A carta, que carrega onze assinaturas incluindo os professores Peter Wadhams e Stephen Salter, das universidades de Cambridge e Edimburgo, adverte que o Acordo de Paris é perigosamente inadequado.

Por causa do fracasso de Paris, os académicos dizem que a única chance do mundo de se salvar do aquecimento global desenfreado é um impulso gigante em direção a tecnologias de geo-engenharia controversas e amplamente não testadas que procuram esfriar o planeta através da manipulação do sistema climático da Terra. …

“Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que eles querem ouvir e ignorar o resto . O que eles desconsideraram foram as falhas mortais que se encontravam logo abaixo do seu verniz de sucesso,” os académicos escreveram na carta, …assinada por … Professor Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, no Canadá.

“O que as pessoas queriam ouvir era que um acordo havia sido alcançado quanto às alterações climáticas que iria salvar o mundo enquanto deixando os estilos de vida e aspirações inalterados. A solução que propõe não é chegar a acordo sobre um mecanismo urgente que garanta cortes imediatos nas emissões, mas chutar a lata pela estrada abaixo.”

… Mas eles dizem que as ações acordadas são demasiado fracas para se chegar nem próximo desse alvo. Além disso, os compromissos que os países fizeram para cortarem nas suas emissões de carbono não são suficientemente vinculativos para garantir que sejam cumpridos, enquanto que o Acordo de Paris não vai forçá-los a se “ajustarem” tão frequentemente quanto for necessário.

Mais preocupante ainda, dizem eles, é a falta de ação dramática imediata que se acordou para combater o aquecimento global. O Acordo de Paris só entra em vigor em 2020 – ponto no qual enormes quantidades de CO2 adicional terão sido bombeadas para a atmosfera. Os signatários afirmam que isto torna quase impossível limitar o aquecimento global a 2C, muito menos 1.5C.

“O coração do Acordo de Paris estava no lugar certo, mas o conteúdo é pior do que inepto. Foi um verdadeiro triunfo para a diplomacia internacional e envia uma forte mensagem de que os céticos perderam o caso e que a ciência está correta quanto às alterações climáticas. O resto é pouco mais do que paródia e arrisca limitar-se ao fracasso “, disse o professor Kevin Anderson, da Universidade de Manchester, que não assinou a carta mas concorda com o seu argumento.

Peter Wadhams, professor de física do oceano na Universidade de Cambridge e um dos signatários da carta, disse que as perspectivas para conter o aquecimento global consequentes ao Acordo de Paris, são agora tão calamitosas que ele defende uma investida em geo-engenharia – o que não é algo que ele recomenda de ânimo leve. “Pesando com tudo o mais, não sou um grande fã de geo-engenharia, mas acho absolutamente necessário, dada a situação em que estamos. É um adesivo pestilento, como solução. Mas você precisa dela porque, olhando para o mundo, ninguém está a mudar instantaneamente o seu padrão de vida”, disse o professor Wadhams.

Bombear grandes quantidades de água pulverizada para as nuvens para torná-las maiores e mais brilhantes para que reflitam a luz solar de volta para a atmosfera – conhecida como Abrilhantamento da Nuvem Marinha – oferece a melhor perspectiva de geo-engenharia, disse ele.

Tecnologias de geo-engenharia – que também consideram colocar espelhos gigantes no espaço ou o branqueamento da superfície do oceano para desviar a radiação solar de volta para o espaço – são controversos por causa dos receios de que sejam tecnicamente exigentes, seriam extremamente caros, para além de que interferir com o sistema climático poderia ter consequências inesperadas prejudiciais para o planeta.

A carta

Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que eles querem ouvir e ignorar o resto. O que as pessoas queriam ouvir era que um acordo havia sido alcançado quanto às alterações climáticas que iria salvar o mundo, deixando os estilos de vida e aspirações inalterados.

O que eles desconsideraram foram as falhas mortais que se encontram mesmo por abaixo do seu verniz de sucesso. Logo na terceira página do projecto de acordo está o reconhecimento de que a sua meta de CO2 não vai manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 graus Celsius, o nível que já havia sido definido como o limite seguro crítico. A solução que se propõe não é chegar a acordo quanto a um mecanismo de urgência que garanta cortes imediatos nas emissões, mas chutar a lata pela estrada abaixo, ao comprometerem-se a calcular um novo orçamento de carbono para um aumento da temperatura de 1,5 graus, que poderá ser falado em 2020.

Dado que não podemos concordar quanto aos modelos climáticos ou o orçamento de CO2 para manter o aumento da temperatura a 2°C, então somos ingénuos ao pensar que vamos concordar quanto a uma meta muito mais difícil em cinco anos, quando, com toda a probabilidade, o aumento exponencialmente dos níveis atmosféricos de CO2 dizem-nos que vai ser tarde demais.

Mais preocupante, essas metas inadequadas exigem que a humanidade faça muito mais do que cortar nas emissões com um programa de tecnologia renovável glorioso que ultrapassará qualquer outro esforço humano do passado. Elas também requerem que o carbono seja sugado do ar. O método preferido é eliminar a indústria de combustíveis fósseis pela competição através do fornecimento de biomassa às centrais térmicas. Isso envolve um crescimento rápido das árvores e plantas, mais rápido do que a natureza alguma fez em solo que não temos, depois queimá-la em estações de energia que irão capturar e comprimir o CO2 usando uma infra-estrutura que não temos e com tecnologia que não irá funcionar na escala que precisamos e, finalmente, armazená-lo em lugares que não podemos encontrar. Para se manter a agenda com boas notícias, tudo isto foi omitido do acordo.

O rugido das tempestades globais devastadoras já afogou os falsos festejos de Paris e colocou brutalmente em foco a extensão da nossa incapacidade para lidar com a mudança climática. A triste verdade é que as coisas vão ficar muito piores. O excesso de calor do planeta está agora a derreter a capa de gelo do Ártico como uma faca quente na manteiga e está a fazê-lo a meio do Inverno. A menos que seja travado, este aquecimento do Ártico vai levar a uma rápida libertação dos hidratos de metano do fundo do mar do Ártico e anunciar a próxima fase de mudança climática catastrófica intensa à qual a nossa civilização não vai sobreviver.

O tempo para a opinião esperançosa e otimismo cego que tem caracterizado o debate sobre as alterações climáticas acabou. O tempo para factos duros e decisões é agora. As nossas costas estão contra a parede e agora temos que iniciar o processo de preparação para geo-engenharia. Temos que fazer isso no conhecimento de que as suas chances de sucesso são pequenas e os riscos de implementação são grandes.

Temos de olhar para o espectro completo de geoengenharia. Isto irá cobrir iniciativas que aumentem o sequestro de carbono por restauração de florestas tropicais até à fertilização dos oceanos. Irá estender-se a técnicas de gestão de radiação solar, como o branqueamento artificial de nuvens e, in extremis, replicar os aerossóis de atividade vulcânica. Vai ter que ter em conta para quais áreas nos focamos seletivamente, como as regiões do Ártico que emitem metano, e quais áreas devemos evitar.

Os elevados riscos políticos e ambientais associados a isto têm que ser esclarecidos para que nunca seja usado como alternativa a fazer-se os cortes de carbono que são urgentemente necessários. O reconhecimento destes riscos deve ser usado ​​para desafiar a narrativa de opinião esperançosa que infestou as conversações sobre as alterações climáticas ao longo dos últimos vinte e um anos, e que atingiu o seu apogeu com o acordo COP21. No vácuo internacional presente quanto a esta questão, é imperativo que o nosso governo toma uma iniciativa.

Assinado por

Professor Paul Beckwith, Universidade de Ottawa
Professor Stephen Salter – Universidade de Edimburgo
Professor Peter Wadhams – Universidade de Cambridge
Professor James Kennett, da Universidade da Califórnia.
Dr Hugh Hunt – Universidade de Cambridge
Dr. Alan Gadian – Cientista Sénior, Centro da Nação para as Ciências Atmosféricas da Universidade de Leeds
Dr. Mayer Hillman – Membro Sénior Emérito do Instituto de Estudos Políticos
Dr. John Latham – Universidade de Manchester
Aubrey Meyer – Diretor, Global Commons Institute.
John Nissen – Presidente do Grupo de Emergência para o Metano no Ártico
Kevin Lister – Autor de “O Vortex da Violência e por que estamos a perder a guerra contra as alterações climáticas

Traduzido do original COP21 Deal Cannot Prevent Devastating Climate Change, Academics warn, publicado por Paul Beckwith em http://paulbeckwith.net/.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Como a Mudança Climática Pode Conectar a Humanidade

em http://focoempatico.net

Gelo do Mar do Ártico no Recorde Mais Baixo para Janeiro

em https://alteracoesclimaticas…


Anúncios

Todos os Dias nas Notícias Vemos Evidência da Extinção Humana a Curto Prazo

Todos os Dias nas Notícias Vemos Evidência da Extinção Humana a Curto Prazo
Pela primeira vez na história os humanos estão em posição de destruir os prospectos para uma existência decente e a maioria da vida. O ritmo de destruição das espécies hoje é perto do mesmo de há 65 milhões de anos, quando uma catástrofe maior, presumivelmente um asteróide enorme, acabou com a era dos dinossauros abrindo caminho para os mamíferos proliferarem. A diferença é que hoje nós somos o asteróide e o caminho vai provavelmente ser aberto para os escaravelhos e bactérias quando tivermos concluído o nosso trabalho.
Pela primeira vez na história os humanos estão em posição de destruir os prospectos para uma existência decente e a maioria da vida. O ritmo de destruição das espécies hoje é perto do mesmo de há 65 milhões de anos, quando uma catástrofe maior, presumivelmente um asteróide enorme, acabou com a era dos dinossauros abrindo caminho para os mamíferos proliferarem. A diferença é que hoje nós somos o asteróide e o caminho vai provavelmente ser aberto para os escaravelhos e bactérias quando tivermos concluído o nosso trabalho.

Todos os dias, nas notícias, vemos evidência da extinção da humanidade a curto prazo. Vamos dar uma voltinha pelas publicações? Bem, talvez apenas a uma, por hoje, mas muito relevante!

Na página Facebook ‘End Ecocide in Europe’ acabram de publicar um artigo intitulado “Building an Ark For the Anthropocene” (Construindo uma arca para o Antropoceno) pelo New York Times. O artigo começa com “Estamos a rebolar para o Antropoceno, a sexta extinção em massa na história do planeta…” e continua fazendo referência a um estudo publicado na ‘Science’ que conclui que “as espécies estão a desaparecer 1000 vezes mais rápido do que o ritmo em que se extinguem naturalmente.” Este quadro dá-nos pausa; é triste e desesperante. Mas não é a razão porque este artigo mostra evidência de que nos vamos extinguir a curto prazo. É que logo a seguir continua “…condições meteorológicas extremas pelas alterações climáticas causam ainda mais danos. Em 2100, investigadores dizem, entre um terço e metade as espécies da Terra poderiam ser aniquiladas.” 2100!? Aí é que está a evidência! Tudo o que tem a ver com previsões de consequências do aquecimento global está a falar em 2100, uma data que não diz muito a ninguém que ainda esteja vivo hoje pois muito provavelmente já não estará cá. E é assim que se mostra preocupação pelo aquecimento global e se mantém a confiança das massas quando na realidade nem faz parte dos nossos planos principais e ninguém se vai apressar nas verdadeiras medidas para resolvê-lo (desligar o botão do CO2 e colocar energias renováveis e que tendem para custo zero em todo o lado) quando se fala numa data em que quase ninguém dos que cá andam hoje vai estar vivo nessa altura. E é por isso que nos vamos extinguir; não tanto pelo CO2, pois é de fácil resolução, mas pela distorção político-económica, que essa sim é difícil de abandonar. O gelo do Ártico levou uma tareia em 2012 e estava a cair a pique de tal modo que estávamos a prever vê-lo desaparecer pela primeira vez já em Setembro de 2015. Mas foi uma sorte que este ano não tivemos El Niño e muito do calor absorvido pelo planeta ficou nos oceanos Atlântico e Pacífico e a curva de degelo do Ártico aliviou um bocadinho. Bem, uma sorte talvez não, pois o calor acumulado ainda está lá e a acidificação do oceano é outro problema. Agora é previsto o Ártico desaparecer lá para 2018. Digam-me que as consequências de o Ártico ficar sem gelo devem focar-se no ano de 2100? O que é que se passa aqui então? Porque é que estes artigos focam todos estudos que referem a data de 2100 como referência de prognósticos? Que nos interessa ouvir dizer que talvez mais de metade das espécies vão desaparecer no final do século com um aumento de temperatura na ordem dos 6ºC se já daqui a 30 anos com um aumento de 3ºC já poderemos cá não estar (pois com um aumento de 0,85 que atingimos hoje, os oceanos e florestas estão a passar de absorventes de carbono a libertadores de carbono [1] e [2], para não falar no metano)? Não vêm o ridículo? o quanto a política é motivada por posse, estatuto e poder e está desalinhada das leis naturais? não vêm o mecanismo que nos está a levar à extinção? Não é fácil, eu sei, especialmente se andas a ver muita televisão ultimamente, mas vamos tentar. Talvez o artigo tenha algo mais para nos dizer…

“Como resultado, os esforços para proteger espécies estão a aumentar quando governos, cientistas e ONGs tentam construir uma versão da Arca de Noé.” Esta arca tem um sentido figurativo, segundo o artigo, e em vez de um barco trata-se de uma “manta de abordagens de remendos, incluindo migração assistida, bancos de sementes e novas zonas de preservação e corredores de passagem baseados em onde é que as espécies deverão emigrar enquanto os níveis do mar sobem e as fontes de alimento se esgotam.” Quando se fala abertamente em remendar a Natureza ao invés de resolver a verdadeira causa do problema, é sinal que a distorção humana foi abraçada com naturalidade. E é aí que está outra evidência de que nada se vai resolver e da certeza da nossa extinção. O artigo diz que esta é uma iniciativa do Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e Serviços de Ecosistema, fundada em 2012 por governos de 121 países. E então tudo faz mais sentido. “Trabalho de remendos” é algo típico de governos e o modelo de análise usado por governos, já sabemos, é o político, não o científico; foca-se em discursos e iniciativas com fachadas bonitas e no crescimento da economia, onde datas como 2100 dão imenso tempo para continuarem a investir em guerras, combustíveis fósseis e estratégia geopolítica de controle de outros países através da “Globalização”. Tudo o que mete “Painéis Intergovernamentais…” cheira mal. O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) é acusado por cientistas climáticos veteranos (alguns dos quais anteriormente fizeram parte desse mesmo painel) de terem “projecções muito erradas e até o seu pior cenário (previsão) ser muito irreal pois não têm em conta o que está a acontecer no Ártico”, disse um destes cientistas, John Nissen, presidente do Arctic Methane Emergency Group. Ele acrescenta que estes cenários estão muito fora da zona de comforto do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que eles trabalham na base de que as coisas vão levar 100 anos para acontecer e isso parece perverter a sua análise. Artigos que apresentam cenários mais extremos, preocupantes, não são publicados e há um ciclo vicioso de supressão embutido nos procedimentos do IPCC, disse John Nissen. “Lembrem-se que é uma organização INTERGOVERNAMENTAL”, acrescentou ele., nesta entrevista.

Quando colocar painéis solares em cada telhado de todas as casas existentes teria um custo e seria um esforço que nem é merecedor da palavra “esforço” quando comparado com o dinheiro, energia e recursos despendidos no consumo cíclico e obsolescência planeada para manter a economia a funcionar, assim como no perpetuar do status quo e de indústrias monopolizadas que são completamente desnecessárias à sobrevivência e sustentabilidade do planeta (Cowspiracy, a conspiração da vaca, se quiserem, é outro documentário merecedor da vossa atenção, e pode ser visto aqui) para não falar do investimento na guerra e competição geopolítica de todos os dias… torna-se claro que a questão não é “Temos dinheiro para fazer isso?”, apesar de que sim, mesmo neste sistema “económico”, (ou devíamos antes dizer “antieconómico”) temos; mas sim “Temos os recursos e o conhecimento técnico?”; e a resposta é óbvia. Como Douglas Mallette explica tão bem neste vídeo, se conseguimos fornecer energia, abrigo, comida, ar limpo e todas as necessidades básicas aos astronautas numa estação espacial, por que raio não o conseguimos fazer a todas as pessoas aqui na Terra?