Hidratos de metano libertam-se com o aumento da temperatura pelo aquecimento global
Bolhas de metano em Alberta, Canadá, são um fenómeno similar aos hidratos de metano que se libertam no Ártico ao largo da Sibéria. Cientistas pensam que esta libertação de metano é uma consequência do aumento da temperatura devido ao aquecimento global.

É um lago, sim. Mas também é uma bomba. Essas bolhas azul pálidas, empilhados como panquecas a boiar na parte inferior desta fotografia? São incrivelmente bonitas, sim, mas podem ser perigosas.
São bolhas de gás, pequenos soluços de metano que parecem mágicos quando estão presos no gelo do inverno, mas vindo da Primavera, essas bolhas vão se libertar, ficar à solta, e como uma armada de discos voadores de águas profundas, elas vão fazer o seu caminho para a superfície. Quando o gelo se quebrar elas vão rebentar e silvar para o ar – e desaparecer.

Excepto que elas na realidade não desaparecem. Assim que atingem o ar, bolhas de metano criam problemas. Quantos problemas depende de quantas bolhas são libertadas por todo o planeta. Só neste lago existem milhares, dezenas de milhares delas, como você pode ver. Mas nos oceanos, elas são maiores – muito maiores.

De onde é que metano vem?

O gás metano vem das folhas (e árvores e erva e até animais mortos) que caem na água, onde vão para o fundo e são mastigados por bactérias que cagam metano, produzindo aquele cheiro familiar a “gás de pântano”. Alguns gás é muito mais antigo, espremido de antigos oceanos ou de lá muito em baixo, perto do manto da Terra. Quando esse metano mais antigo sobe à superfície e esbarra em lagos ou água do mar congelados, funde-se numa substância branca chamada hidrato de metano, uma rocha branca pastosa. Enquanto estiver congelado no fundo do lago, o gás está preso, mas quando aquece, o gás silva para fora da rocha ou lama, formando estas bolhas tipo candeeiro de lava que flutuam em colunas de seis, sete, dez pés (3 metros), como estas …

Colunas de metano
Hidratos de metano são como uma rocha branca pastosa. Enquanto estiver congelado no fundo do lago, o gás está preso, mas quando aquece, o gás silva para fora da rocha ou lama, formando estas bolhas tipo candeeiro de lava que flutuam em colunas vários metros, como estas …

Quando essas bolhas alcançam a superfície, o que acontece? Nada que se possa ver, mas quando Katey Walter Anthony, professora de ecologia da Universidade de Alaska Fairbanks, leva os seus alunos para os lagos do Alasca, ela despeja um pouco de água quente sobre o gelo para derreter um buraco; então ela pega em… acho que é um isqueiro de butano, não tenho certeza, e neste vídeo você vai vê-la estalar alguma coisa, e então … Zuux! Os pais não deviam olhar. Mas é muito louco ..,

Há milhares de lagos no Alasca, Canadá, Escandinávia e Sibéria. As temperaturas no Ártico têm aquecido muito mais rápido do que as temperaturas mais perto do equador, o que significa que o permafrost (camada de gelo permanente) por baixo está a derreter e produzir mais emissões de metano. O metano é um gás de efeito estufa; quando entra na atmosfera capta um pouco da luz do sol que reflecte para fora da Terra, detém esse calor e aquece-nos. Muita metano no céu significa que aqueceremos mais rápido; não é bom.

Mas borbulhantes como os lagos estão, podem não ser o nosso maior problema.

Não são panquecas azuis, são bolhas de metano.
Bolhas de metano gigantescas existem. Não nos lagos, mas no Oceano Ártico.

Olhe para qualquer uma destas pequenas panquecas presas no lago, e agora imagine uma com 900 metros de largura – quase um quilómetro de diâmetro. Bolhas de metano gigantescas existem. Não nos lagos, mas no Oceano Ártico. Nunca ninguém as tinha visto tão grandes, ou medido, até um par de Verões atrás um pesquisador russo Igor Semiletov e a sua esposa Nadia, trabalhando com uma equipe americana, encontraram mais de uma centena delas numa pequena parte do mar do Ártico ao largo da Sibéria.

Bolhas de Metano Enormes Encontradas ao Largo da Sibéria

“Estes são campos de metano numa escala nunca antes vista”, relatou ele. “Numa área muito pequena, menos de 3000 quilómetros quadrados, contámos mais de 100 fontes, ou estruturas semelhantes a tochas, a borbulharem através da coluna de água.”, disse ele.

plumas de metano
Campos de metano com fontes ou estruturas semelhantes a tochas, também conhecidas por plumas, a borbulharem através da coluna de água.

Multiplique essas descobertas ao longo do Ártico e temos um problema óbvio. Se todo esse metano extra continua a escapar, vai aquecer ainda mais o ar, o qual vai aquecer ainda mais os oceanos, que vai derreter ainda mais os fundos, o que irá libertar ainda mais metano, o que vai aquecer o ar ainda mais, e então estamos em apuros. Mas como apenas recentemente descobrimos essas plumas de metano de grandes dimensões no mar, não sabemos se elas são realmente bolhas extra, ou comuns. Serão elas um fenómeno do aquecimento global? Ou terão estado a arrotar durante milhares de anos? Natalia Shakhova, uma cientista do Centro Internacional de Pesquisa do Ártico da Universidade do Alasca, acha que podem ser recentes ou relativamente recentes.

“A concentração de metano na atmosfera”, disse ela ao The Independent [Londres] ” aumentou até três vezes mais nos últimos dois séculos, de 0,7 partes por milhão para 1,7 ppm, e no Ártico para 1,9 ppm. Isso é um aumento enorme, entre duas a três vezes, e isso nunca aconteceu na história do planeta”, diz ela. O cientista Igor Dmitrenko, secundado pelo blogueiro do New York Times, Andy Revkin, não têm tanta certeza. A evidência, dizem eles, sugere que essas bolhas andam por aí há 6.000 anos. Ninguém sabe realmente.

Então, sim, nós temos algo novo com que nos preocupar. O metano não fica no céu tanto tempo quanto o CO2, mas enquanto lá em cima, é um gás de efeito estufa potente. (É também um combustível mais limpo, mais barato do que o carvão, logo tem os seus fãs, para não falar a sua beleza extraordinária quando congelado).

A beleza extraordinária do metano... quando congelado.
A beleza extraordinária do metano… quando congelado.

Traduzido do original ‘Pale Blue Blobs Invade, Freeze, Then Vanish’, por Robert Krulwich
Nenhum poluente jamais pareceu tão encantador. Se eu fosse um lindo pedaço de carvão, uma gota de óleo brilhante, ou um pedaço de charmoso de betume, uma espreitadela às ‘fotos lindas de Emmanuel Coupe Kalomiris e eu me esconderia debaixo da minha almofada. O metano é assustador, mas quando está congelado, é tão atraente!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s