Dr. James Hansen – Aquecimento Humano Força Aumento Exponencial do Nível do Mar Vários Metros Neste Século

Dr. James Hansen – Aquecimento Humano Força Aumento Exponencial do Nível do Mar Vários Metros Neste Século

A continuação de emissões elevadas de combustíveis fósseis neste século está previsto que produza … um aumento crescente do nível do mar, alcançando vários metros numa escala de tempo de 50 a 150 anos. — Uma afirmação de um novo estudo científico conduzido pelo Dr. James Hansen e intitulado Derretimento do Gelo, Subida do Nível do Mar, e Supertempestades.

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Esta semana, o Dr. James Hansen e colegas publicaram um bocado de pesquisa científica inovadora dos diabos. É um estudo multidisciplinar incorporando o trabalho de 19 cientistas climáticos de topo, glaciólogos, paleoclimatólogos e outros pesquisadores dos Sistemas da Terra. Cientistas da NASA, GEOMAR, JPL, e outras agências de investigação de ponta, incluindo nomes reconhecidos como o Dr. Eric Rignot e o Dr Makiko Sato, todos aparecem na lista de contribuintes.

Aumento do nível do mar

(Taxas de aumento do nível do mar desde 1900 associadas com um salto de 1,1 C nas temperaturas globais já mostraram uma progressão não-linear. Ice Melt, Sea Level Rise, and Superstorms tenta definir o quão rápido as taxas de derretimento glacial irão aumentar ao longo das próximas décadas.)

O documento cobre três tópicos relacionados com a rápida acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera derivados dos combustíveis fósseis e o rápido aquecimento relacionado – Derretimento do Gelo, Subida do Nível do Mar, e Supertempestades. Por outras palavras, o estudo olha para o que provavelmente será o início de um evento Heinrich durante o século 21, desde que os níveis elevados de emissões de gases de efeito estufa humanos continuem.

Um evento Heinrich para o século 21

Para aqueles não familiarizados com um Evento Heinrich – é um daqueles incidentes relacionados com mudanças climáticas desastrosas que realmente não queremos ver emergir. Um que impulsiona o aumento rápido do nível do mar, deslocamentos climáticos arrasadores, e é provável também que desencadeie supertempestades regionais e, possivelmente, hemisféricas. Algo que ocorreu várias vezes no passado geológico, quando as grandes camadas de gelo da Gronelândia e da Antártida Ocidental aqueceram o suficiente para descarregarem armadas de icebergues no Atlântico Norte e / ou no Oceano Antártico. O tipo de coisa que o cientista Steve Pacala chamou de Monstro Climático no Armário. E o novo estudo do Dr. James Hansen e colegas é o primeiro de seu tipo a explorar cientificamente a potencial ocorrência de um tal evento tão anormal e perigoso durante o século 21.

Porque o estudo abrange uma ampla gama de tópicos relacionados com Eventos Heinrich, decidi escrever um post duplo cobrindo-o. Este post incidirá sobre as questões da derretimento do gelo e subida do nível do mar. O aspecto de geração de supertempestades típico de Eventos Heinrich – que o Dr. Hansen e seus colegas descobriram ser capaz de produzir ondas poderosas o suficiente para arrancarem pedras de 1.000 toneladas do fundo do mar e depositá-las nas encostas das Bahamas, 130 pés acima do nível do mar, 115.000 anos atrás – é algo que nós vamos cobrir num segundo post relacionado, ao longo dos próximos dias.

Águas Quentes do Oceano Atacam as Fracas Barrigas Glaciares

O principal motor de Eventos Heinrich são picos nas taxas de derretimento glacial proveniente dos lençóis de gelo da Gronelândia e da Antártida Ocidental, e a saída relacionada de icebergues e água doce para o Atlântico Norte ou o Oceano Antártico. O estudo de Hansen e seus colegas baseia-se no trabalho recente de Eric Rignot e outros que descobriram que o contacto das águas do oceano em aquecimento com as faces submersas das falésias glaciais e por baixo dos lados das plataformas de gelo flutuante, é um condutor primário para o derretimento e lançamento de icebergs durante os períodos de aumento da temperatura local e global.

Feedback de amplificação do derretimento dos glaciares pelas águas doces e frias na Gronelândia e Antártida

(Ilustração do estudo Derretimento do Gelo, Subida do Nível do Mar, e Supertempestades mostra como a estratificação do oceano atua como um feedback amplificador do derretimento glacial. Águas doces e frias superficiais geradas pelo lançamento inicial de gelo preparam uma espécie de correia transportadora de calor no oceano que entrega mais e mais água quente para as barrigas submersas das grandes camadas de gelo. Na Gronelândia, camas progressivas limitam a quantidade de gelo que pode ser lançado em eventos repentinos. Na Antártida, camas retrógradas abaixo do nível do mar configuram uma situação em que o feedback de amplificação do derretimento é reforçado ainda mais.)

Glaciares e plataformas de gelo fixos em terra são, primeiro, enfraquecidos por taxas de derretimento lento mas em aceleração. Eventualmente, os glaciares e prateleiras colapsam devido ao processo de enfraquecimento pelo derretimento o qual leva a um surgimento de gelo previamente stressado deslizando para fora para os oceanos. À medida que mais água doce do derretimento expande sobre a superfície do oceano, ela prende o calor em camadas mais profundas da coluna de água perto das faces glaciares submersas. Logo, o derretimento inicial produz um feedback amplificador que entrega mais calor do oceano para o gelo e, por sua vez, resulta em mais gelo que corre para o Atlântico Norte ou o Oceano Antártico.

Taxas Exponenciais de Derretimento Glacial e Elevação do Nível do Mar

É este o mecanismo que Hansen e seus colegas temem que entre em jogo ao longo do século 21. O seu estudo identifica um risco de que tal mecanismo poderia levar a tempos de duplicação de derretimento de 5, 10, ou 20 anos para a Gronelândia, Antártica Ocidental ou ambos neste século. Uma nova perspectiva para alguns dos melhores cientistas do mundo que assumem que o risco de derretimento não linear é alto o suficiente para apresentar uma grande preocupação. Como exemplo, num tempo de duplicação de 10 anos, a presente elevação do nível do mar aproximadamente de 3 mm por ano duplicaria para 6 mm por ano até 2026, 12 mm por ano até 2036, 2,4 cm por ano até 2046, e quase 5 cm por ano até 2056.

A duplicação de frequência em eventos não lineares muitas vezes não se encaixa numa curva exponencial pura – e em vez tende a seguir uma série de picos e recessões com grandes eventos de transição a surgirem no final de qualquer ‘curva’. Mas a perspectiva particular de Hansen é útil dado o facto das actuais taxas de aumento do nível do mar não parecerem estar a seguir um padrão linear e devido ao facto do mecanismo para grandes picos de derretimento glacial do tipo Evento Heinrich estar a tornar-se mais apoiado na ciência de observação.
Taxa de Alteração da Massa de Gelo da Gronelândia e Antártida

(Ainda é cedo para o derretimento da Gronelândia e da Antártida. Contudo, as linhas de tendência atuais apontam para um potencial para elevação multímetro do nível do mar este século. Fonte da imagem: Ice Melt, Sea Level Rise, and Superstorms).

Medidas anteriores de perda de massa de gelo da Gronelândia e Antártida implicam tempos de duplicação de derretimento de 8 a 19 anos na Gronelândia e tempos de duplicação de fusão de 5 a 10 anos para a Antártida. Para referência, se ambos estes sistemas de gelo continuassem a duplicar a perda de massa numa base mais ou menos de 10 anos, a elevação do nível do mar total por volta dos anos 2090 seria igual a 5 metros ou 16.4 pés. Em contraste, um tempo de duplicação de cinco anos resultaria em 5 metros de elevação do nível do mar no final da década de 2050 e um tempo de duplicação de 20 anos resultaria em quase um metro de elevação do nível do mar até ao final deste século e 5 metros de elevação do nível do mar em 2160.

Hansen observa que estes ainda são os primeiros dias e é pouco provável que as tendências de resposta das camadas de gelo se tornem claras nesta fase. No entanto, as linhas de tendência inicial, embora provavelmente menos precisas, parecem representar uma razão para preocupação. Além disso, Hansen aponta que as taxas de aumento do nível do mar são menos prováveis de serem constrangidas por inércia das camadas de gelo durante períodos em que as temperaturas globais estão a subir rapidamente. Taxas projetadas para o aumento da temperatura global no intervalo de 1 a 5 C neste século estão na ordem de 20 a 100 vezes mais rápidas do que durante o final da última idade do gelo — no limite superior e cobrindo o valor de todo o aquecimento da era glaciar que ocorreu durante 10.000 anos em apenas um século. E Hansen observa que esta taxa potencialmente extrema de aumento da temperatura representa um risco muito maior de rápida desestabilização glacial do que o indicado pelos modelos atuais de derretimento glacial do IPCC.

A pesquisa de Hansen também aponta para a probabilidade de que o rápido derretimento glacial iria colocar temporariamente uma pausa nas taxas de aquecimento atmosférico global pela refrigeração local de superfícies oceânicas e ao aumentar a taxa de transferência de calor para as camadas oceânicas médias. E é esta reviravolta de energia e o desequilíbrio elevado relacionado que proporciona a preparação de uma potencial tempestade muito grave à medida que as taxas de derretimento glacial vão rampa acima.

Traduzido do original Dr James Hansen — Human Warming Pushing Seas Toward Exponential Rise of Several Meters This Century, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 23 de Março de 2016.

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Painel All Star da Ciência Climática Deixa Cair uma Bomba de Estudo

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