Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

Sugerimos a leitura de “Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Os cientistas estão perplexos e nós também devíamos estar. O calor global e especialmente as temperaturas extremamente altas em relação à média que vimos no Ártico ao longo do mês passado são absolutamente sem precedentes. É estranhamente bizarro. E o que parece, para este observador em particular, é que a sazonalidade do nosso mundo está a mudar. O que estamos a testemunhar, neste momento, parece o começo do fim para o Inverno tal como o conhecemos.

Janeiro Mais Quente do Registo – Mas o Ártico Está Simplesmente Bizarro

Qualquer pessoa que observe o Ártico – de cientistas a ambientalistas, a especialistas em ameaças emergentes, a entusiastas do tempo e do clima, até simplesmente pessoas normais, inquietos com o estado do nosso sistema climático global o qual se revela rapidamente – deviam estar muito, muito preocupados. A emissão humana de gases de efeito estufa – agora a empurrar os níveis de CO2 acima das 405 partes por milhão e a adicionar uma série de gases extra que retêm o calor – parece estar a forçar rapidamente o nosso mundo a aquecer. E a aquecer mais rapidamente num dos absolutamente piores lugares que se possa imaginar – o Ártico.

Não só foi este janeiro de 2016 o mês de janeiro mais quente já registado no registo climático global de 136 anos da NASA; não só janeiro mostrou a maior diferença de temperatura em relação à média para um único mês – com 1,13°C acima da linha de base do século XX da NASA, e cerca de 1,38°C acima das médias de 1880 (apenas 0,12°C abaixo da perigosa marca de 1,5°C); como o que observámos na distribuição global dessas temperaturas quentes recorde foi ao mesmo tempo estranho e perturbador.
Anomalia da Temperatura Janeiro de 2016 NASA

(Um mundo quente recorde em janeiro mostra calor extremo no Ártico. O mapa global de anomalia da temperatura da NASA, em acima, sugere que o calor tropical – acentuado por um El Nino recorde – viajou para o norte e pelo Ártico dentro por meio de pontos fracos na corrente de jato sobre a América do Norte Ocidental e a Europa Ocidental. Fonte da imagem – NASA GISS).

Apesar de que o mundo estava quente no seu todo – com o calor do El Nino a dominar as zonas tropicais – os extremos das temperaturas acima da média concentraram-se exatamente no telhado do nosso mundo. Lá, nas terras do Ártico e do gelo glacial e da permafrost agora a descongelar – sobre a Sibéria, sobre o norte do Canadá, sobre o norte da Gronelândia e por toda a zona do Oceano Ártico acima da Latitude Norte 70 – as temperaturas andavam em média entre os 4 e os 13 graus Celsius acima do normal. Isso é entre 7 e 23 graus Fahrenheit mais quente do que o normal para o período extraordinário de um mês inteiro.

E quanto mais para norte se ia, mais calor se obtinha. Acima da linha de Latitude Norte 80, as médias de temperatura para toda a região subiram para cerca de 7,4 graus C (13 graus F) mais quentes que o normal. Para esta área do Ártico, isso é tipo igual à diferença típica entre janeiro e abril (abril é cerca de 8 C mais quente do que janeiro, durante um ano normal). Assim, o que temos visto é absolutamente sem precedentes – no Ártico, para o mês inteiro de janeiro de 2016, as temperaturas foram aquelas de uma primavera.

Desvio das temperaturas em relação à média no Ártico para 2016

(Para janeiro e fevereiro de 2016, a região de Latitude Norte 80 e em direção ao norte experienciou as suas condições mais quentes jamais registadas. As temperaturas mantiveram-se num intervalo de -25 a -15 C para a zona, um conjunto de temperaturas mais típicas de meados ou final de abril. Fonte da imagem: NOAA).

E para o inverno de 2016, é possível que o Ártico nunca experiencie condições típicas. Pois, de acordo com a NOAA, a primeira quinzena de fevereiro viu este calor recorde, tipo Primavera, prolongar-se até hoje. É como se estas zonas mais frias do Hemisfério Norte ainda não tivessem experienciado Invernocomo se a tempestade anormal que levou as temperaturas do Ártico para níveis recorde durante o final de dezembro tenha, desde então, enfiado o termómetro em níveis típicos de abril e o deixado lá preso.

Calor do El Niño Teleconecta com o Polo

Porque é isso tudo tão ameaçador?

Seria mau se fosse o caso em que o calor no Ártico simplesmente resultasse no cada vez mais rápido derretimento dos glaciares – forçando os mares a subirem centímetros, polegadas e pés. Seria muito mau se o aquecimento polar se amplificasse à medida que o gelo branco sobre a terra e sobre o mar regredisse, tornando uma superfície refletora de calor numa característica de absorção de calor azul escura, verde e castanha. Seria surpreendentemente mau se tal calor também resultasse em degelo da permafrost, mais uma vez agravando o aquecimento forçado pelos humanos ao desbloquear até 1.300 biliões de toneladas de carbono e, eventualmente, transferir cerca de metade disso para a nossa atmosfera. E seria muito ruim se todo esse calor extra no Ártico começasse a intrometer-se com o clima do Hemisfério Norte, ao alterar o fluxo da corrente de jato. Resultando em sulcos muito persistentes produtores de secas e depressões produtoras de tempestades.

Ondas de Amplitudes Elevadas na Corrente de Jato

(Ondas de amplitudes elevadas na Corrente de Jato – uma sobre a parte ocidental da América do Norte e uma segunda sobre a Europa – transferem calor de Latitudes inferiores para o Ártico durante um ano de El Nino a 7 de fevereiro de 2016. Enquanto a amplificação polar encrencava em novos extremos durante os meses quentes recorde de dezembro e janeiro, parecia que a capacidade do El Nino para fortalecer a Corrente de Jato, e assim separar o calor equatorial do Polo frio, havia sido comprometida. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Infelizmente, estes eventos já não são apenas hipotéticos. O gelo do mar está a recuar. A permafrost está a descongelar. Os glaciares estão a derreter. E o fluxo da Corrente de Jato parece estar a enfraquecer.

Mas e se todo esse acumular polar de calor devido à queima de combustíveis fósseis pelos humanos tivesse ainda mais um efeito adicional? E se essa pedra quente atirada para o rio da circulação atmosférica que chamamos de El Nino pudesse de alguma forma transferir a sua acumulação de calor tropical lá para acima até ao Polo? E se o fluxo da Corrente de Jato no Hemisfério Norte tivesse ficado tão fraca que até mesmo um aquecimento nos trópicos devido a um forte El Nino recorde não pudesse acelerá-lo significativamente (através do aumento do diferencial de calor entre o Equador e o Polo). E se essas novas zonas ondulantes da Corrente do Jato se estendessem até ao Ártico – empurrando o calor tropical para o extremo norte durante eventos El Nino? Em momentos em que o mundo, como um todo, estivesse no seu mais quente? Durante um período em que o calor e a humidade na superfície do Oceano Pacífico estivessem a explorar um novo pico devido a uma combinação de aquecimento forçado pelos humanos e um El Nino atingir o topo do ciclo de variabilidade natural?

E se, de alguma forma, esse pico de calor tropical pudesse fluir desde o Equador até ao Pólo?

O que veríamos, então, seria uma aceleração das perigosas mudanças no Ártico descritas em cima. O que veríamos seria um aliar do sinal de amplificação polar, associado ao aquecimento global, com o topo da escalada quente de variabilidade natural que é o El Nino. E quanto ao Ártico sem inverno que foi o primeiro mês e meio de 2016, foi isso o que parece que acabámos de experienciar.

Os cientistas estão perplexos. Bem, deviam estar. Devíamos estar todos.

Links:

NASA GISS

NOAA

Os Cientistas estão Perplexos pelo que Está a Acontecer no Ártico Neste Momento

Tempestade Quente no Ártico para Descongelar o Polo Norte

Clima do Polo Norte

O Blog do Gelo do Mar Ártico

Impactos da Perda de Gelo do Mar

Earth Nullschool

Jennifer Francis sobre o Impacto do Aquecimento no Árctico Sobre a Corrente de Jato

Traduzido do original No Winter For the Arctic in 2016 — NASA Marks Hottest January Ever Recorded, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 18 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano

em https://alteracoesclimaticas…

Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

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São Paulo, seca de Inverno; Lisboa, inundação de Verão: É Aquecimento Global ou Macumba?

São Paulo, seca de Inverno; Lisboa, inundação de Verão: É Aquecimento Global ou Macumba?
Todos comentam como o tempo está estranho, mas poucos se indagam sobre o mecanismo de aquecimento global que está por detrás das tempestades, inundações ou seca.
Todos comentam como o tempo está estranho, mas poucos se indagam sobre o mecanismo de aquecimento global que está por detrás das tempestades, inundações ou seca.

Enquanto São Paulo – Brasil enfrenta a maior seca dos últimos 84 anos, chamada mesmo de ‘crise da água’, em Lisboa – Portugal cai granizo do tamanho de bolas de golfe e a chuva intensa provoca inundações, segundo as notícias no ‘Observador’. Mas no Brasil é final do Inverno, ou estação das chuvas, e em Portugal é um final de Verão. Serão isto acasos da Natureza, sensacionalismo dos média, ou é resultado das alterações climáticas? O último. São provocadas pelo aquecimento global e pelo aquecimento acelerado no Ártico. E isto não está para brincadeira, concluo já.

Vamos primeiro à seca de São Paulo;

o dilúvio de Lisboa será explicado já a seguir. Não é apenas em São Paulo que há seca. Neste momento os estados da Califórnia e do Nevada apresentam mais de 80% das suas área em estado de seca “extrema”! As reservas de água estão tão em baixo que, mesmo que venham Invernos bem molhados, a seca deverá ficar por lá pelo menos mais um ano. E enquanto que em Los Angeles criou-se um novo emprego de “polícia da água”, alguém que verifica os sistemas de rega e outros possíveis abusos, no estado de São Paulo há apenas reservas para 100 dias de água e o racionamento continua para cerca de 3,9 milhões de pessoas em 29 cidades. A última estação das chuvas foi mais seca que a estação seca, disse Mauro Arce, secretário para os recursos hídricos, ao The Guardian.

Para as chuvas em falta no Brasil culpou-se o fenómeno que é conhecido como os “rios voadores”, que são volumes de vapor de água massivos libertados das árvores da Amazónia. Os cientistas brasileiros chamam a atenção para a ausência destes rios não se dever a uma esquisitice da natureza mas um sintoma da continua desflorestação da Amazónia combinada com as alterações climáticas. A seriedade da crise de seca tem sido negada pela comunidade política já que as eleições de Outubro estão mesmo à porta. Sublinhado para não nos esquecermos deste ponto mais tarde.

Não podemos ficar por aqui na explicação deste evento de seca; e Lisboetas: isto também vos diz respeito, mesmo estando do outro lado do Atlântico; quem emite CO2 ou peida metano, afecta todo e qualquer cidadão à volta do globo. Se gostam dos vossos filhos e têm preocupação quanto ao seu futuro (muitos cientistas dizem para se preocuparem já com vocês e não só com os vossos filhos, sendo de realçar o Guy McPherson) especialmente vocês! esta é uma boa altura para usarem os vossos super-poderes de pais e mães e provocarem uma mudança significativa no mundo.

As florestas estão a inverter o seu papel e tornar-se fontes de libertação de carbono em vez de de absorção! Percebem o que isto significa? À medida que a Amazónia seca, arde e é desflorestada (apenas o incidente de fogos deste último Agosto tinha varrido uma área de 500.000 a 1.500.000 acres – x2 para uma grossa aproxímação a hectares) a Amazónia inverte de ser um absorvente de carbono para um emissor de carbono. A Amazónia armazena hoje 120 gigatoneladas de carbono e representa cerca de 10% da absorção global de carbono da atmosfera através da respiração das plantas. Pais e mães: robertscribbler.wordpress.com é uma leitura que aconselho começar a fazer parte do vosso dia a dia. Sem água os vossos planos de gerações futuras são inviáveis.

E não é apenas na Amazónia que as florestas estão a passar de absorventes a emissores de carbono. O Centro de Agências Canadianas para os Fogos Florestais reportou este Julho que os fogos daquele Verão até então tinham afectado uma área 6 vezes maior e sem precedentes nos últimos 10.000 anos. Na Sibéria, o calor recorde que se acomodou durante o Inverno e ficou para o Verão atingiu um pico de 25 a 30 graus centígrados no Ártico. Este ano os fogos na Sibéria começaram em Abril onde uma combinação de uma permafrost ou pergelissolo a descongelar, um rápido aumento das temperaturas médias na Sibéria causadas pelo aquecimento global antrópico (o termo comumente usado é “antropogénico“) a vulnerabilidade da camada do solo e vegetação para secarem rápidamente, e sendo a permafrost uma fonte quase inesgotável de metano a ser libertado à medida que descongela, o seu potencial para arder é práticamente ilimitado.

Inundação em Lisboa

E como é que em Lisboa, estando igualmente quente como na Califórnia, Canadá e Sibéria, chove a potes, enquanto aqueles passam sede e ardem? E já agora, como é que em Espinho, uma cidade do Norte de Portugal famosa pelo Sol, o peixe e o surf mas muito menos pela sua água fria de doer os ossos, a água do mar está a rondar os 20 a 21ºC já por duas semanas consecutivas e nada de inundações?  Antes de passar para a descrição técnica, talvez ajude incluir no cenário as cheias em Kashmir. na Índia, agora no início de Setembro e as quais foram as maiores dos últimos 50 anos e colocaram 450 aldeias debaixo de água; as cheias da Europa Central na República Checa, Alemanha, Áustria, Bosnia e Sérvia; deslizamentos de terras perto de Hiroshima no Japão; desde Maio que me lembro de cheias preencherem as notícias este Verão, a começar pela China, em Maio, quando meio milhão de pessoas foram deslocadas.

Segundo robertscribbler.wordpress.com, cada vez mais os cientistas estão a mostrar como a perda do gelo no Ártico, consequência do aquecimento provocado pela humanidade, é o contribuinte primário dos eventos meteorológicos extremos a que assistimos com cada vez maior frequência. O volume do gelo diminuiu em 80% desde 1979. Esta erosão resulta num abrandar da Corrente de Jato polar. Este abrandar, por sua vez, cria uma maior frequência de padrões de bloqueio que leva à persistência das condições meteorológicas por longos períodos numa mesma área. Sam Carana, do Arctic-News.blogspot.com explica que à medida que o Jet Stream polar (corrente jato) se torna mais ondulada, ar frio pode mais fácilmente descer do Ártico para latitudes mais baixas por uma crista descendente da Corrente Jato enquanto o ar quente pode mais fácilmente chegar a latitudes mais altas através de uma crista ascendente da Corrente Jato. A elevada evaporação das águas quentes do Atlântico condensam ao encontrarem uma corrente fria e assim temos a nossa chuva e granizo repentinos.

Na esperança de que esta publicação tenha sido elucidativa e não extensa demais, se você chegou ao fim, aqui está o ponto que considero mais importante e o qual sublinhei mais acima no texto: “A seriedade da crise de seca tem sido negada pela comunidade política já que as eleições de Outubro estão mesmo à porta.” É que…

Todos os dias testemunhamos evidência da extinção humana a curto prazo. Não tanto por causa do desequilíbrio crescente do ecossistema e ruína dos sistemas de suporte de vida do planeta, mas antes devido à ausência de mudança na distorção social que a impulsiona.