Cenários de Sobrevivência Projetados pelo IPCC Incluem Geoengenharia que Ainda Não Existe

Cenários de Sobrevivência Projetados pelo IPCC Incluem Geoengenharia que Ainda Não Existe

Os cenários de sobrevivência da espécie humana projetados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), ou como lhes chamam, RCPs, assumem que vamos remover vários biliões de toneladas de CO2 da atmosfera com tecnologia de geoengenharia que ainda não possuímos.

Nick Breeze mantém o blogue Envisionation cujo contexto de muito do conteúdo está na crise das alterações climáticas e na nossa resposta individual e coletiva à mesma.

Conteúdo traduzido do original Survivable IPCC projections based on science fiction – reality is far worse

Transcrição do vídeo: Projeções do IPCC são Ficção: A Realidade é Muito Pior

No último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas – IPCC-AR5, foi publicada uma seleção de percursos de concentração representativos, ou RCPs. O Dr. Matt Watson da School of Earth Sciences, na Universidade de Bristol no Reino Unido, defendeu este ponto com firmeza, numa recente reunião da Royal Society em Londres. E esta é a razão. Estas são as mais recentes projeções do Painel Internacional para as Alterações Climáticas, e o que é alarmante é que estes dois cenários na realidade incluem explicitamente tecnologia de emissões [de CO2] negativas. Ou seja, há geoengenharia do tipo de remoção de dióxido de carbono incluída nos casos dos melhores cenários. A coisa verdadeiramente alarmante para nós é que estamos neste percurso aqui, o RCP 8.5. Estamos alinhados com essa trajetória, e isso coloca-nos numa situação muito muito diferente no tempo de vida dos nossos filhos ou netos. NICK BREEZE: De entre estes cenários projetados no futuro, apenas 2 parecem poder manter-nos próximo de uma subida de temperatura de 2°C. Tal como o Dr Watson acabou de mencionar, estes denominam-se respectivamente RCP 2.6 e RCP 4.5. Este gráfico destina-se a dar-nos uma ideia de quais concentrações de gases de efeito estufa nos levam a quais temperaturas, sendo que os 2°C são o limite consensual de segurança. As linhas âmbar e preta são de registos históricos, e a vermelha, a verde e a azul, são previsões. Tal como Watson aludiu, o RCP no qual nos encontramos presentemente é o vermelho, chamado RCP 8.5. Este não é um percurso de sobrevivência. Os RCPs de 4.5 a 8.5 irão fazer-nos perder o sequestro de carbono pelas árvores e os mantos de gelo. Sem as árvores, vamos ficar inundados de gases de efeito estufa e a humanidade simplesmente não vai conseguir sobreviver. Assim resta-nos o RCP 2.6, o qual tem um intervalo de temperatura estimado em 0.9°C a 2.3°C. Já estamos muito próximos do cenário de 0.9°C [FEV 2016 com 1.57°C] logo as nossas chances de nos mantermos dentro do intervalo de temperatura são muito baixas, especialmente quando se considera a estimação de que as emissões ainda aumentem. O ex-presidente da Royal Society, Professor Martin Rees, fez esta declaração durante a nossa entrevista. Penso que todos nós temos esperança de que a redução de emissões seja alcançada, mas a falta de sucesso das tentativas de acordos internacionais encorajam pessimismo, e eu, honestamente, apostaria, tristemente de facto, que as emissões anuais de CO2 irão subir ano após ano, durante pelo menos os próximos 20 anos, e isso irá levar a um nível acumulativo próximo de 500 partes por milhão por essa altura. Baseado naquilo que sabemos, é justo dizer-se que a sensibilidade da Terra às emissões de gases de efeito estufa significa que vamos experienciar ainda muito mais aquecimento com um impulso adicionado pelos mecanismos de reforço como a libertação de metano e a perda de árvores. Contudo, há outra mosca na sopa quanto a quase todos os percursos representativos de concentrações. Como o Dr Watson disse, eles na realidade ficcionaram uma solução de geoengenharia chamada “remoção de dióxido de carbono” ou CDR através da qual biliões de toneladas de carbono são de facto removidas da atmosfera, e armazenadas algures na Terra seja sob a forma de biochar ou talvez como matéria viva, chamada biomassa. Mas tal como é amplamente sabido, na realidade não existe nenhuma tecnologia assim, e a pesquisa para a desenvolver tem estado enrolada em controvérsia, conspiração inação governamental, representação falsa, e toda uma gama de outras inibições. O ponto principal é que estamos a basear a nossa segurança futura coletiva neste planeta em pura ficção científica. Se queremos sequestrar o CO2 e fazer uma diferença, temos que sequestrar algo que é… uma fração significativa das 35 biliões de toneladas por ano. E então o que é uma fração significativa de 35 biliões? Digamos 20 biliões de toneladas… 10 biliões de toneladas até, para começar. 10 biliões de toneladas por ano de sequestração de carbono. Não fazemos nada, neste planeta, a essa escala. Não produzimos comida a essa escala, não minamos de todo a essa escala, nós nem produzimos petróleo, carvão ou gás natural a essa escala. Minério de ferro está abaixo de 1 bilião de toneladas por ano. Como vamos inventar uma tecnologia do zero, uma tecnologia altamente complicada, para lidar com 10 biliões de toneladas por ano? NB: Diretor substituto do Centro Tyndall para a Investigação em Alterações Climáticas, o Prof. Kevin Anderson disse o seguinte numa entrevista recente: É também um ponto brilhante de se notar que quando estamos a desenvolver os nossos cenários de emissões, o nosso modo de pensar no futuro, virtualmente todo e cada um dos cenários de emissões que tem por objetivo cumprir as nossas obrigações perante as alterações climáticas, que assinámos internacionalmente, esta ideia de manter o aumento da temperatura média global abaixo dos 2°C, virtualmente todo o cenário de emissões que gerámos até agora, inclui geoengenharia. Assume automaticamente que funciona. Agora, tudo bem se isso acontecer em 1 ou 2 cenários, mas quase todos os cenários o tem. E então, aquilo que encontramos é que a geoengenharia apesar de ainda estar numa fase conceptual muito experimental estamos a assumir que funciona e estamos a embuti-la nos nossos cenários, e é a partir desses que vamos aconselhar os nossos legisladores. E então já tem um efeito muito pernicioso no influenciar daquilo que os legisladores, a sociedade civil, as empresas, e outras pessoas que não estão envolvidas na ciência, percebem sobre alterações climáticas. E se falares com a maioria dos legisladores, eles não estão conscientes de que na realidade, de todo o aconselhamento que recebem dos cientistas, já existe esta suposição de que estamos prestes a chupar o CO2 da atmosfera no futuro próximo. Isso já está a acontecer hoje. NB: Temos uma crise muito real e muito séria em mãos. Não podemos permitir que as emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuem a subir. Temos que inverter a tendência, e rápido. Estamos presentemente no perigoso nível de 400 partes por milhão de dióxido de carbono, e a subir. Na Era pré-industrial, estávamos à volta das 280 partes por milhão. Para estarmos seguros, devíamos estar a apontar para reduzir a concentração abaixo das 320 ppm. Isto significa desenvolver um meio de remover as biliões de toneladas de gases de efeito estufa da atmosfera. Devíamos estar muito preocupados que o IPCC incluiu o uso de tecnologia de geoengenharia nos cenários futuros de emissões, e que a verdadeira tecnologia não existe presentemente e nem está a ser adequadamente pesquisada nem financiada.

Primeiramente publicado em Português em Projeções do IPCC São Ficção: Realidade é Muito Pior e traduzido do original Survivable IPCC projections based on science fiction – reality is far worse, publicado por Nick Breeze em Envisionation: Comunicating Climate a 27 de Fevereiro de 2015.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Temperaturas em Fevereiro de 2016 seguem o cenário RCP 8.5 das projeções do IPCC

Temperatura e Fevereiro

em http://aquecimentoglobal.info

Anúncios

O Pico de Temperatura deste Mês Significa o Quê?

O Pico de Temperatura deste Mês Significa o Quê?

Steve Sherwood e Stefan Rahmstorf em The Conversation:

As temperaturas globais para fevereiro revelaram um pico preocupante e sem precedentes. Esteve 1,35℃ mais quente do que a média de fevereiro para o período de linha de base usual de 1951-1980, de acordo com dados da NASA.

Esta é a maior anomalia quente de qualquer mês desde que os registos começaram em 1880. Excede em muito os recordes batidos em 2014 e novamente em 2015 (o primeiro ano em que a marca de 1℃ foi ultrapassada).

No mesmo mês, a cobertura de gelo marinho do Ártico atingiu o seu valor mais baixo para fevereiro jamais registado. E a concentração de dióxido de carbono na atmosfera no ano passado aumentou mais de 3 partes por milhão, outro recorde.

O que é que se passa? Estamos diante de uma emergência climática?

Toca a acordar
Toca a acordar! Situação de emergência de aquecimento global com pico de temperatura de fevereiro

Desvio da média de 1951-1980 das temperaturas para fevereiro entre 1880 e 2016
Temperaturas de fevereiro de 1880 a 2016, a partir de dados da NASA GISS. Os valores são desvios do período base de 1951-1980. Stefan Rahmstorf
O El Niño e a Mudança Climática

Duas coisas que se estão a combinar para produzir o calor recorde: a tendência de aquecimento global que nos é bem conhecida causada pelas nossas emissões de gases de efeito estufa, e um El Niño no Pacífico tropical.

O registo mostra que o aquecimento da superfície global foi sempre sobreposto pela variabilidade climática natural. A maior causa dessa variabilidade é o ciclo natural entre as condições de El Niño e La Niña. O El Niño em 1998 bateu os recordes, mas agora temos um que parece ser ainda maior em algumas medidas.

O padrão de calor em fevereiro mostra assinaturas típicas tanto do aquecimento global a longo prazo como do El Niño. Este último é muito evidente nos trópicos.

Mais ao norte, o padrão é semelhante a outros fevereiros desde o ano 2000: um aquecimento particularmente forte no Ártico, Alasca, Canadá e no norte do continente Euro-Asiático. Outra característica notável é uma bolha fria no Atlântico Norte, que tem sido atribuída a um abrandamento na Corrente do Golfo.

O pico de aquecimento de Fevereiro trouxe-nos pelo menos 1,6℃ acima dos níveis pré-industriais das temperaturas médias globais. Isto significa que, pela primeira vez, ultrapassámos a meta aspiracional internacional de 1,5℃ acordada em dezembro, em Paris. Estamos a chegar desconfortavelmente perto de 2℃.

Felizmente, isto é temporário: o El Niño está a começar a diminuir.

Infelizmente, fizemos pouco quanto ao aquecimento subjacente. Se não for controlado, isso fará com que esses picos aconteçam mais e mais vezes, com um pico maior que 2℃ a estar talvez apenas a um par de décadas de distância.

Os gases de efeito estufa que aquecem lentamente a Terra continuam a aumentar em concentração. A média de 12 meses ultrapassou as 400 partes por milhão mais ou menos há um ano – o nível mais alto em pelo menos um milhão de anos. A média subiu ainda mais rápido em 2015 do que nos anos anteriores (provavelmente também devido ao El Niño, pois isso tende a trazer seca para muitas partes do mundo, o que significa que menos carbono é armazenado no crescimento de plantas).

Um lampejo de esperança é que as nossas emissões de dióxido de carbono dos combustíveis fósseis, pela primeira vez em décadas, pararam de aumentar. Esta tendência tem sido evidente ao longo dos dois últimos anos, principalmente devido a um declínio do uso do carvão na China, que anunciou recentemente o encerramento de cerca de 1.000 minas de carvão.

Temos subestimado o aquecimento global?

Será que o “pico” muda a nossa compreensão do aquecimento global? Ao pensar sobre a mudança climática, é importante adotar uma visão de longo prazo. Uma situação tipo La Niña predominante nos últimos anos não significou que o aquecimento global tinha “parado”, como algumas figuras públicas estavam (e provavelmente ainda estão) a reivindicar.

Da mesma forma, um pico quente devido a um grande evento El Niño – mesmo que surpreendentemente quente – não significa que o aquecimento global tenha sido subestimado. No longo prazo, a tendência de aquecimento global está muito bem de acordo com as previsões de longa data. Mas essas previsões, no entanto, pintam um retrato de um futuro muito quente se as emissões não forem reduzidas em breve.

A situação é semelhante à de uma doença grave como cancro: o paciente normalmente não fica ligeiramente pior a cada dia, mas tem semanas em que a família pensa que ele pode estar a recuperar, seguidas de dia terríveis de recaídas. Os médicos não mudam o seu diagnóstico de cada vez que isso acontece, porque eles sabem que isto faz tudo parte da doença.

Embora o corrente pico derivado do El-Niño seja temporário, vai durar tempo suficiente para ter algumas consequências graves. Por exemplo, um evento maciço de branqueamento de coral parece provável na Grande Barreira de Corais.

Aqui na Austrália temos vindo a bater recordes de calor nos últimos meses, incluindo 39 dias seguidos em Sydney acima de 26℃ (o dobro do recorde anterior). As notícias parecem estar centradas no papel do El Niño, mas o El Niño não explica por que os oceanos ao sul da Austrália, e no Ártico, estão em temperaturas altas recorde.

A outra metade da história é o aquecimento global. Isto está a impulsionar cada El Niño sucessivo, juntamente com todos os seus outros efeitos sobre as camadas de gelo e o nível do mar, o ecossistema global e eventos climáticos extremos.

Esta é a verdadeira emergência climática: está a ficar mais difícil, a cada ano que passa, para a humanidade evitar que as temperaturas subam acima de 2℃. Fevereiro devia lembrar-nos o quão urgente é a situação.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Foi traduzido do original What Does This Month’s Temp Spike Mean? de Peter Sinclair, publicado no blogue Climate Denial Crock of the Week, a 16 de Março de 2016.

Acordo da COP21 Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam

Acordo da COP21 Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam

Sugerimos a leitura de “Acordo de Paris Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Acordo da COP21 não evita devastação da mudança climática
Um grave e contundente artigo do The Independent, no qual estou materialmente mencionado: COP21: Acordo de Paris é fraco demais para evitar a mudança climática devastadora, académicos advertem. Começa assim (aqui está uma parte; clique no link para o artigo completo. A nossa carta ao jornal, contudo, encontra-se na íntegra, mais abaixo na página):
———-

“Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que elas querem ouvir e ignorar o resto”.

O Acordo de Paris para travar o aquecimento global tem, na verdade, constituído um grande revés para a luta contra as alterações climáticas, académicos especialistas avisam.

O acordo pode ter sido apregoado por líderes mundiais mas é demasiado fraco para ajudar a impedir o dano devastador para a Terra, alegam.

Numa carta conjunta ao The Independent, alguns dos principais cientistas do clima do mundo lançaram um duro ataque ao acordo, alertando que oferece “falsa esperança”, que poderia, em última instância, provar ser contraproducente na batalha para travar o aquecimento global.

A carta, que carrega onze assinaturas incluindo os professores Peter Wadhams e Stephen Salter, das universidades de Cambridge e Edimburgo, adverte que o Acordo de Paris é perigosamente inadequado.

Por causa do fracasso de Paris, os académicos dizem que a única chance do mundo de se salvar do aquecimento global desenfreado é um impulso gigante em direção a tecnologias de geo-engenharia controversas e amplamente não testadas que procuram esfriar o planeta através da manipulação do sistema climático da Terra. …

“Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que eles querem ouvir e ignorar o resto . O que eles desconsideraram foram as falhas mortais que se encontravam logo abaixo do seu verniz de sucesso,” os académicos escreveram na carta, …assinada por … Professor Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, no Canadá.

“O que as pessoas queriam ouvir era que um acordo havia sido alcançado quanto às alterações climáticas que iria salvar o mundo enquanto deixando os estilos de vida e aspirações inalterados. A solução que propõe não é chegar a acordo sobre um mecanismo urgente que garanta cortes imediatos nas emissões, mas chutar a lata pela estrada abaixo.”

… Mas eles dizem que as ações acordadas são demasiado fracas para se chegar nem próximo desse alvo. Além disso, os compromissos que os países fizeram para cortarem nas suas emissões de carbono não são suficientemente vinculativos para garantir que sejam cumpridos, enquanto que o Acordo de Paris não vai forçá-los a se “ajustarem” tão frequentemente quanto for necessário.

Mais preocupante ainda, dizem eles, é a falta de ação dramática imediata que se acordou para combater o aquecimento global. O Acordo de Paris só entra em vigor em 2020 – ponto no qual enormes quantidades de CO2 adicional terão sido bombeadas para a atmosfera. Os signatários afirmam que isto torna quase impossível limitar o aquecimento global a 2C, muito menos 1.5C.

“O coração do Acordo de Paris estava no lugar certo, mas o conteúdo é pior do que inepto. Foi um verdadeiro triunfo para a diplomacia internacional e envia uma forte mensagem de que os céticos perderam o caso e que a ciência está correta quanto às alterações climáticas. O resto é pouco mais do que paródia e arrisca limitar-se ao fracasso “, disse o professor Kevin Anderson, da Universidade de Manchester, que não assinou a carta mas concorda com o seu argumento.

Peter Wadhams, professor de física do oceano na Universidade de Cambridge e um dos signatários da carta, disse que as perspectivas para conter o aquecimento global consequentes ao Acordo de Paris, são agora tão calamitosas que ele defende uma investida em geo-engenharia – o que não é algo que ele recomenda de ânimo leve. “Pesando com tudo o mais, não sou um grande fã de geo-engenharia, mas acho absolutamente necessário, dada a situação em que estamos. É um adesivo pestilento, como solução. Mas você precisa dela porque, olhando para o mundo, ninguém está a mudar instantaneamente o seu padrão de vida”, disse o professor Wadhams.

Bombear grandes quantidades de água pulverizada para as nuvens para torná-las maiores e mais brilhantes para que reflitam a luz solar de volta para a atmosfera – conhecida como Abrilhantamento da Nuvem Marinha – oferece a melhor perspectiva de geo-engenharia, disse ele.

Tecnologias de geo-engenharia – que também consideram colocar espelhos gigantes no espaço ou o branqueamento da superfície do oceano para desviar a radiação solar de volta para o espaço – são controversos por causa dos receios de que sejam tecnicamente exigentes, seriam extremamente caros, para além de que interferir com o sistema climático poderia ter consequências inesperadas prejudiciais para o planeta.

A carta

Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que eles querem ouvir e ignorar o resto. O que as pessoas queriam ouvir era que um acordo havia sido alcançado quanto às alterações climáticas que iria salvar o mundo, deixando os estilos de vida e aspirações inalterados.

O que eles desconsideraram foram as falhas mortais que se encontram mesmo por abaixo do seu verniz de sucesso. Logo na terceira página do projecto de acordo está o reconhecimento de que a sua meta de CO2 não vai manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 graus Celsius, o nível que já havia sido definido como o limite seguro crítico. A solução que se propõe não é chegar a acordo quanto a um mecanismo de urgência que garanta cortes imediatos nas emissões, mas chutar a lata pela estrada abaixo, ao comprometerem-se a calcular um novo orçamento de carbono para um aumento da temperatura de 1,5 graus, que poderá ser falado em 2020.

Dado que não podemos concordar quanto aos modelos climáticos ou o orçamento de CO2 para manter o aumento da temperatura a 2°C, então somos ingénuos ao pensar que vamos concordar quanto a uma meta muito mais difícil em cinco anos, quando, com toda a probabilidade, o aumento exponencialmente dos níveis atmosféricos de CO2 dizem-nos que vai ser tarde demais.

Mais preocupante, essas metas inadequadas exigem que a humanidade faça muito mais do que cortar nas emissões com um programa de tecnologia renovável glorioso que ultrapassará qualquer outro esforço humano do passado. Elas também requerem que o carbono seja sugado do ar. O método preferido é eliminar a indústria de combustíveis fósseis pela competição através do fornecimento de biomassa às centrais térmicas. Isso envolve um crescimento rápido das árvores e plantas, mais rápido do que a natureza alguma fez em solo que não temos, depois queimá-la em estações de energia que irão capturar e comprimir o CO2 usando uma infra-estrutura que não temos e com tecnologia que não irá funcionar na escala que precisamos e, finalmente, armazená-lo em lugares que não podemos encontrar. Para se manter a agenda com boas notícias, tudo isto foi omitido do acordo.

O rugido das tempestades globais devastadoras já afogou os falsos festejos de Paris e colocou brutalmente em foco a extensão da nossa incapacidade para lidar com a mudança climática. A triste verdade é que as coisas vão ficar muito piores. O excesso de calor do planeta está agora a derreter a capa de gelo do Ártico como uma faca quente na manteiga e está a fazê-lo a meio do Inverno. A menos que seja travado, este aquecimento do Ártico vai levar a uma rápida libertação dos hidratos de metano do fundo do mar do Ártico e anunciar a próxima fase de mudança climática catastrófica intensa à qual a nossa civilização não vai sobreviver.

O tempo para a opinião esperançosa e otimismo cego que tem caracterizado o debate sobre as alterações climáticas acabou. O tempo para factos duros e decisões é agora. As nossas costas estão contra a parede e agora temos que iniciar o processo de preparação para geo-engenharia. Temos que fazer isso no conhecimento de que as suas chances de sucesso são pequenas e os riscos de implementação são grandes.

Temos de olhar para o espectro completo de geoengenharia. Isto irá cobrir iniciativas que aumentem o sequestro de carbono por restauração de florestas tropicais até à fertilização dos oceanos. Irá estender-se a técnicas de gestão de radiação solar, como o branqueamento artificial de nuvens e, in extremis, replicar os aerossóis de atividade vulcânica. Vai ter que ter em conta para quais áreas nos focamos seletivamente, como as regiões do Ártico que emitem metano, e quais áreas devemos evitar.

Os elevados riscos políticos e ambientais associados a isto têm que ser esclarecidos para que nunca seja usado como alternativa a fazer-se os cortes de carbono que são urgentemente necessários. O reconhecimento destes riscos deve ser usado ​​para desafiar a narrativa de opinião esperançosa que infestou as conversações sobre as alterações climáticas ao longo dos últimos vinte e um anos, e que atingiu o seu apogeu com o acordo COP21. No vácuo internacional presente quanto a esta questão, é imperativo que o nosso governo toma uma iniciativa.

Assinado por

Professor Paul Beckwith, Universidade de Ottawa
Professor Stephen Salter – Universidade de Edimburgo
Professor Peter Wadhams – Universidade de Cambridge
Professor James Kennett, da Universidade da Califórnia.
Dr Hugh Hunt – Universidade de Cambridge
Dr. Alan Gadian – Cientista Sénior, Centro da Nação para as Ciências Atmosféricas da Universidade de Leeds
Dr. Mayer Hillman – Membro Sénior Emérito do Instituto de Estudos Políticos
Dr. John Latham – Universidade de Manchester
Aubrey Meyer – Diretor, Global Commons Institute.
John Nissen – Presidente do Grupo de Emergência para o Metano no Ártico
Kevin Lister – Autor de “O Vortex da Violência e por que estamos a perder a guerra contra as alterações climáticas

Traduzido do original COP21 Deal Cannot Prevent Devastating Climate Change, Academics warn, publicado por Paul Beckwith em http://paulbeckwith.net/.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Como a Mudança Climática Pode Conectar a Humanidade

em http://focoempatico.net

Gelo do Mar do Ártico no Recorde Mais Baixo para Janeiro

em https://alteracoesclimaticas…


A Conspiração das Vacas: O Segredo da Sustentabilidade

A Conspiração das Vacas: O Segredo da Sustentabilidade

Sugerimos a leitura de “A Conspiração das Vacas: O Segredo da Sustentabilidade” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Veja aqui o documentário que as grandes organizações ambientais não querem que vejam. No fundo desta publicação, já legendado em português encontram o documentário Cowspiracy: The Sustainability Secret, documentário ambiental inovador que segue o intrépido cineasta Kip Andersen há medida que ele revela a indústria mais destrutiva que o planeta enfrenta hoje – Kip Andersen, a determinada altura, encontra-se num dilema pois este documentário pode custar-lhe a vida. Exactamente, isso é o quão alto é o jogo das organizações ambientais milionárias e que estão com muito medo de falar sobre o assunto. Há uma indústria bilionária que as financia: a produção animal (pecuária).

Cowspiracy: The Sustainability Secret é um documentário ambiental inovador onde Kip Andersen descobre estar em risco de vida quando investiga porque as organizações ambientais como a Sierra Club ou a Greenpeace não querem falar sobre a pecuária (agricultura ou produção animal) ser a principal causa de aquecimento global, desflorestação, crise de água, acidificação do oceano, emissões de gases estufa e muitos outros.

A verdade é que a agropecuária é a principal causa do desmatamento, e logo também a seca, consumo e crise da água e poluição, é responsável por mais gases de efeito estufa do que todo o setor de transporte, e é o principal motor da destruição da floresta, extinção de espécies, perda de habitat, erosão do solo, “zonas mortas” nos oceanos, e praticamente todos os outros problemas ambientais como o gravíssimo aquecimento global fugidio e restantes alterações climáticas. No entanto ela continua, quase inteiramente, sem contestação. Á medida que Andersen confronta os líderes do movimento ambiental, ele descobre cada vez mais o que parece ser uma recusa intencional de discutir a questão da agricultura animal (ou produção animal), enquanto denunciantes da indústria e “cães de guarda” o alertam dos riscos para a sua liberdade e até mesmo para a sua vida se ele se atrever a persistir.
Tão revelador como «Blackfish» e tão inspirador como «Uma Verdade Inconveniente», este documentário chocante e humorístico revela o impacto ambiental absolutamente devastador que a pecuária tem sobre o nosso planeta, e oferece um caminho para a sustentabilidade global para uma população crescente.

O texto acima é uma tradução não integral do site original http://www.cowspiracy.com/ mas retirado e adaptado de outro website inspirador: http://www.mddvtm.org e recomendado neste outro site que também promete ser uma fonte regular de bons conteúdos: http://focoempatico.net/
Vejam! Vai ser elucidativo e transformador. Deixem de lado a moral e os sentimentos de culpa, mas antes com um espírito de curiosidade e descoberta, é caso para se dizer “Se comes carne, não digas que és um ambientalista”.

Os Céticos do Metano e da Extinção: O Novo Desafio Das Alterações Climáticas

Os Céticos do Metano e da Extinção: O Novo Desafio Das Alterações Climáticas


Os novos céticos na ciência climática estão em negação na questão do metano e da extinção. Como podemos ultrapassar a negação. Já foi um desafio ultrapassar a campanha de negação do aquecimento global; as pessoas não querem ouvir sobre extinção no nosso tempo de vida… E quanto aos governos? Não se pode fazer negócio e promover uma economia baseada no consumo e a guerra quando a possibilidade de extinção está nas noticiário. Como vamos dar a volta a esta? O gelo do Ártico está a derreter e vai desaparecer completamente em entre 1 a 3 anos. As emissões de CO2 estão a aumentar em vez de diminuir. O Aquecimento Global tem um “Fugidío” anexado agora. Como vamos apanhá-lo?

Uma compilação com algumas das referências mais interessantes na ciência e Internet:
Peter Sinclair, Greenmanstudios; David Wasdell, Appolo-Gaia Project; Prof. Kevin Schaefer; Professor Martyn Poliakoff – Periodic Videos; James Hansen; Supreme Master Ching Hai; Peter Ward; Jason Box; Dra. Natalia Shakhova; Dr. Igor Semiletov; Thom Hartmann, entre outros…

Segue em baixo a transcrição do vídeo traduzida para português:

Quando a realidade parece muito difícil de enfrentar, batemos em retirada com mecanismos de defesa. Havia a garota que sempre explicava que ela na realidade não queria algo após ela descobrir que não poderia obtê-lo. Ela era de duas caras. O seu mecanismo de defesa era a racionalização. Ele viu a doença como uma saída. Uma saída para trás, é verdade, mas uma saída. Quando era hora de trazer a madeira, as pernas doíam-lhe. Quando a neve caiu algo se passou com o seu braço. E ele adorava a atenção que recebia. Seu mecanismo de fuga foi o fingimento. O Exército chama-lhe “gold-bricking”. Ele se identificou com um campeão de pesos pesados. Cada luta que o campeão venceu, ele venceu. Cada soco que o campeão levou, ele levou. E ele aguentava-se. O seu mecanismo de fuga foi a identificação com outra pessoa. Ela pensou que se fizesse de conta que uma coisa não estava lá, poderia desaparecer. Se você fingisse que algo não tivesse acontecido, talvez não tivesse. Se você escondesse a verdade, talvez viesse a revelar-se sendo uma mentira. O seu mecanismo de fuga era a supressão. Você experiencia mecanismos de defesa enquanto assiste o vídeo seguinte? Vamos contar em decrescente desde cinco. Em que número eles aparecem?

Este pedaço de gelo pode parecer muito banal à primeira vista, mas, acenda-lhe um fósforo e algo surpreendente acontece. Conforme relatado na edição de ‘The Atlantic’ deste mês, chama-se “hidrato de metano”, e, na verdade, não é incomum de todo. De fato, existem mais de 100,000 triliões de pés cúbicos daquilo na Terra. Em termos de volume, que é como o tamanho do mar Mediterrâneo, e tem uma capacidade de energia maior do que todo o carvão, petróleo e gás natural na Terra combinados. E enquanto o metano queima limpinho, o metano não queimado é um potente gás de efeito estufa, e se escapa pode ser devastador para o meio ambiente.

[Peter Sinclair, Greenman Studios] Você talvez se lembre que em 2007 houve um grande estudo que saiu deste grupo chamado Painel Intergovernamental para a Mudança Climática e eles olharam para modelos de computador de quão rapidamente o gelo do Ártico iria desaparecer, e no início de 2007, isto é o que eles nos estavam a dizer. Que iríamos ver uma queda gradual no mínimo de gelo do Ártico, descendo provavelmente para onde ainda teríamos uma boa quantidade de gelo restante no ano de 2100, no pior caso, talvez em 2070 veríamos águas abertas … ..no Ártico durante o Verão. Naquele mesmo ano, vimos nas observações reais, uma enorme queda no gelo do Ártico, e essa queda continuou de modo que, em 2012, isto é agora onde estamos.

[David Wasdell, Apollo Gaia Project] Quanto mais rápido aquece, mais vapor de água. Quanto mais vapor de água, mais rápido aquece. Quanto mais rápido aquece, menos gelo. Quanto menos gelo, menos reflexão e mais rápido aquece. Você começa a ficar com a ideia? Tem que ser uma curva descendente no que chamamos de “decaimento exponencial”. E se você projetar essa linha no futuro, como foi feito neste particular … … conjunto de equações e entendimento da perda de massa de gelo do Ártico, então, mais uma vez, mostra zero gelo a flutuar no Oceano Ártico pelo final do Verão de 2015.

A temperatura média do mundo subiu apenas 1ºC, mas lá em cima no Ártico subiu 5ºC … O espelho que está no topo do mundo vai desaparecer. Não vai desaparecer no Inverno, mas o sol não está a brilhar sobre ele durante o inverno, logo … o que importa é o horário de Verão. Um dos principais efeitos que isto tem é que, quando todas estas áreas no norte estão cobertas de neve branca e gelo refletores, ressalta a maioria da energia solar para fora; ressalta-a de volta para o espaço. Mas quando estamos a ver mais e mais água aberta, solo escuro e superfícies escuras, então a energia solar tende a ser absorvida; assim, em vez de refletir 90% de toda a energia, está a absorver 90% de toda a energia, então … isto é o que os cientistas chamam de feedback positivo, e eles não querem dizer que é bom. Não é uma coisa positiva para nós, é mais como um ciclo vicioso. Mais calor significa menos gelo e menos gelo significa mais calor e apenas continua numa espiral e é isso que estamos a ver no Ártico.

[Prof. Kevin Schaefer] Aaah, permafrost! Aqui está. Terra congelada. A permafrost derrete; a matéria orgânica da permafrost derrete também e começa a decompor-se, os microorganismos começam a comê-la. Se não há oxigénio, os microorganismos fazem metano.

[Professor Martyn Poliakoff – Periodic Videos, youtube] Portanto, isto é metano. Um carbono com quatro hidrogénios à volta. CH4. O metano é o composto mais simples de carbono e hidrogénio. E é uma molécula extremamente disseminada em todo o mundo. É a base do chamado “gás natural”, o gás que se encontra fundo na Terra e o qual se pode perfurar e recuperar. É usado para aquecimento e energia em todo o mundo. Também é formado quando o material das plantas se decompõe. Se você tem um charco, um lago pequeno, e material de plantas cai lá dentro e decompõe-se no fundo, se você enfiar uma vara, bolhas de gás vêm para cima. Se você coletar esse gás pode de facto acendê-lo com um fósforo e ele arde, e eu fiz isso quando era mais jovem. O metano, quando passa para a atmosfera, comporta-se como o dióxido de carbono porque ele pode absorver a radiação, radiação infra-vermelha, e causar aquecimento global. E ele absorve a radiação pelas vibrações das ligações carbono-hidrogénio, nas vibrações quando elas esticam e também quando … vibram; chamadas de vibrações tesoura. O metano de facto absorve radiação de modo muito mais forte que o dióxido de carbono na atmosfera, mas o seu tempo de vida, a vida da molécula na atmosfera, é mais curto, porque, eventualmente, reage com o oxigénio e se transforma em dióxido de carbono.

[James Hansen] Há efeitos potencialmente irreversíveis no derreter do gelo do mar. Se começar a permitir que o Oceano Ártico aqueça e que aqueça o fundo do oceano, então vai começar a libertar hidratos de metano.

[Supreme Master Ching Hai] De acordo com Dr. Hansen, o nosso planeta está num caminho perigoso para passar um ponto de não retorno irreversível, com consequências desastrosas. Este … permafrost em derretimento, por sua vez, liberta gás metano tóxico, resultando em mais aquecimento da atmosfera. As razões porque os cientistas estão agora voltando as atenções para o metano é que a pesquisa mostrou que este gás tem uma capacidade de aquecimento 100 vezes maior do que o CO2 nos primeiros 5 anos. É muito lógico, cientificamente falando ou não.

[Peter Ward] O metano é muito pior do que o dióxido de carbono. Está inerte agora no solo, não está a afetar ninguém de nenhuma forma. Quando você o aquece torna-se gás, e então começa a agir imediatamente como um gás de estufa, logo, esta é uma ameaça imediata e de muito curto prazo para a civilização planetária.

[Jason Box] Isso é provavelmente o maior problema que enfrentamos. A elevação do nível do mar também é um grande problema, um muito caro de administrar, mas … a libertação de metano a partir da tundra, uma vez que se põe em curso, chegamos a um ponto em que perdemos a opção de ter uma estratégia eficaz de mitigação.

[Dra. Natalia Shakhova, Centro de Pesquisa Internacional do Ártico] Cerca de oito anos atrás começámos a estudar a Placa Continental do Ártico na Sibéria Oriental, e, na verdade, temos vindo a estudá-la durante os últimos oito anos continuamente, ano após ano, realizando uma a duas expedições por ano. Os hidrocarbonetos que são produzidos dentro da cortina sedimentar foram selados o que impediu o metano de escapar para a atmosfera. É por isso que estamos a dizer que esta deve ser a maior reserva de hidrocarbonetos de todas. O metano na atmosfera, a quantidade total de metano na atmosfera de carbono, é de cerca de 5 Gigatoneladas. A quantidade de carbono conservada sob a forma de metano na placa continental Siberiana do Árctico, é aproximadamente de centenas a milhares de Gigatoneladas. E, claro, apenas um por cento desse montante é necessário para duplicar a carga atmosférica de metano. Para desestabilizar um por cento desta reserva de carbono, acho que não é necessário muito esforço, considerando o estado do permafrost e a quantidade de metano atualmente envolvida, porque o que divide este metano da atmosfera é uma coluna de água muito rasa e uma permafrost a enfraquecer, que está a perder a sua capacidade para servir como vedante. Não a qualquer momento, eu acho que … A qualquer momento soa como pode acontecer hoje, pode acontecer amanhã, depois de amanhã … [Igor Semiletov] Pode acontecer a qualquer momento. – Você acha? – Eu estou pessimista. – O Igor está muito convencido, porque ele passou muito tempo lá. … e onde o gelo do mar devia ter cerca de 2 metros de espessura, tinha 40 centímetros de espessura. Isso significa que todos os processos servem a desestabilização; todos, o gelo do mar, a coluna de água, as correntes a aumentarem, com as correntes quero dizer o movimento da água sob o gelo do mar tem aumentado … tudo parece tão anómalo; mesmo a partir de nossa experiência destes 10 anos, tudo parece anómalo, e é isso que o faz … pensar que … fazendo-o pensar que … … o pior pode acontecer. – Não podemos excluir isso. Talvez seja de 5%, talvez seja menos, mas não podemos excluir, porque … – Em poucas palavras, não gostamos do que vemos lá. Absolutamente não gostamos.

A Extinção em Massa do Permiano é, em essência, é apenas a maior crise que a vida na Terra já sofreu. Pelo final da Extinção em Massa do Permiano, 95% de toda a vida no planeta estava morta. E por que é que isso é importante hoje? Porque hoje uma sexta extinção está em curso. Uma que vai testar a sobrevivência não apenas da civilização humana, mas possivelmente da própria espécie humana. E tem uma semelhança horrível a vários eventos anteriores derivados de aquecimento global, como a Extinção em Massa do Permiano. Durante a Extinção em Massa do Permiano, gases de efeito estufa foram libertados por erupções vulcânicas numa área que é chamada hoje de Armadilhas da Sibéria. Estas, juntamente com o calor do fluxo da própria lava, aqueceram a atmosfera da Terra em, pelo menos, 6ºC. Esse tanto de aquecimento global causou um número de baixas enorme nos animais terrestres e plantas mas, muito pior, aqueceu os oceanos o suficiente para que o metano, congelado sob o mar profundo, derretesse e fosse libertado para a atmosfera. Essa enorme libertação de metano, um poderoso gás de estufa, praticamente duplicou o nível de aquecimento global e matou mais de 95% de toda a vida tanto na terra como no mar.

Olhe para isto. Numa questão de … … dias, poucos dias, temos esta enorme área, olhe para isto, quase a explodir em metano. A única maneira que isso é possível é pelo derretimento de hidratos de metano. É simplesmente a única explicação. [Níveis de metano] [Mar de Laptev] Muitos de nós recusam-se a encarar a realidade.

Muitos de nós tentam fugir, escapar aos nossos deveres e identidades, aos nossos rostos e às nossas famílias, mas todas estas coisas permanecem. Todas as realidades permanecem, sempre que deixamos os nossos sonhos e voltamos para o mundo real.

Cientistas Russos Excluídos de Apresentar Pesquisas Observacionais Enquanto o Director da NASA Goddard Procura Desacreditá-los

Cientistas Russos Excluídos de Apresentar Pesquisas Observacionais Enquanto o Director da NASA Goddard Procura Desacreditá-los

Excerto da introdução à re-publicação deste artigo sobre a exclusão de cientistas russos pela Royal Society, por Robin Westenra no seu blog Seemorerocks

A nossa própria Royal Society está entre os piores. Kevin Hester teve a sua própria experiência:

“Eles organizaram a “Semana da Ciência”, onde eu tive o meu ………… ‘Run-in” com Sir Peter Gluckmann, A simples menção de hidratos de metano” provocou o “olhar fixo de morte” do chefe dos governos para a Ciência. Tire as suas próprias conclusões “. – Kevin Hester

Nos 26 anos desde a criação do IPCC, estetem nos avisado para reduzirmos as emissões de CO2 e não o fizemos. Existem mais de 1000 centrais a carvão a serem planeadas no mundo inteiro e nada irá fazê-los parar. - Kevin Hester
Nos 26 anos desde a criação do IPCC, estetem nos avisado para reduzirmos as emissões de CO2 e não o fizemos. Existem mais de 1000 centrais a carvão a serem planeadas no mundo inteiro e nada irá fazê-los parar. – Kevin Hester

Cientistas Russos Excluídos de Apresentar Pesquisas Importantes Enquanto o Director da NASA Goddard Tenta Desacreditar Pesquisa Científica Observacional

Envisionation,
05 de Outubro de 2014
Na sequência do meu post recente sobre a tentativa do Dr. Gavin Schmidt de classificar como lixo a pesquisa de cientistas russos, liderados pela Dra. Natalia Shakhova e o Dr. Igor Semiletov, agora surge que estes últimos nem foram sequer convidados para a reunião de alto perfil na Royal Society.

O evento, realizado há duas semanas, ainda está a causar polémica para além do twittar negativo pelo Director da NASA Goddard, Dr. Gavin Schmidt. Schmidt focou a sua apresentação no desacreditar do trabalho dos russos, usando modelos teóricos, sem experiência em metano, ou dados credíveis. O resultado final é que a equipe russa compôs uma carta ao Presidente da Royal Society, Sir Paul Nurse, pedindo uma oportunidade para apresentar as suas descobertas, incluindo as contribuições de mais de 30 cientistas que trabalham na região há mais de 20 anos.

Um dos maiores triunfos de longa data da comunidade científica tem sido um compromisso com a análise apolítica de pesquisa importante. Todos nós sabemos que existem tensões geopolíticas entre a Rússia e o Ocidente, mas estarão estes agora a fazer uma entrada indesejada numa área que poderia colocar um enorme risco para a humanidade em geral?

O risco de libertações em grande escala do gás de efeito estufa mortal, metano, da Placa Continental do Ártico da Sibéria Oriental (East Siberian Arctic Shelf (ESAS)) pode ser um tema de debate na comunidade científica, mas para excluir propositadamente um lado do debate e denunciar abertamente os seus resultados não apenas imoral, é imprudente.

A carta, assinada por Semiletov e Shakhova em nome de mais de 30 cientistas, anuncia ao Presidente da Royal Society que a evidência mostrada pelo Dr. Schmidt (baseada no trabalho do Dr. David Archer) é puramente teórica e que, apesar de ambos serem modeladores do clima muito qualificados, nenhum deles tem experiência em metano ou na área em questão, A Placa Continental do Ártico da Sibéria Oriental.

Enquanto a reunião estava a decorrer, uma expedição estava em progresso na ESAS, com mais de 80 cientistas russos e suecos. Então, por que é que esses cientistas ocidentais de alto perfil tentam desacreditar um grande e crescente corpo de pesquisa? É uma pergunta difícil de responder, mas a intenção é certamente evidente.

É uma questão que merece toda a nossa preocupação se implicar um risco de devastação ambiental que emane de qualquer região do mundo. O sistema Terra não reconhece a soberanias ou interesses nacionalistas. A colaboração internacional e o respeito são essenciais se quisermos entender as mudanças que estão a acontecer como resultado da mudança climática feita pelo homem. A Terra está a aquecer e muitos feedbacks [retroacção] do aquecimento, como a libertação de metano, não são totalmente compreendidos, mas sabe-se que causaram mudanças enormes no clima global.

A divisão entre o campo de modelagem climática e os cientistas que realizam a pesquisa observacional é completamente sem sentido. Parece perfeitamente lógico que os dados recolhidos por um grupo deverá ser utilizado pelo outro, a fim de tornar os modelos mais precisos. Se os modelos climáticos não têm base na realidade, então como podemos nós confiar na sua fiabilidade?

O desprezo demonstrado pelo Dr. Schmidt para com os seus colegas internacionais deveria agora ser posto de lado e as portas da Royal Society abertas para permitir que a equipe russa apresente as suas descobertas. É de todo o interesse que assim aconteça, logo, Sir Paul, passo-lhe a si …

Autor: Nick Breeze

(Outros vídeos da Dra. Shakhova, inclusive um legendado em Português, no fundo desta publicação)

Carta da Dra. Shakhova e do Dr. Semiletov ao Sir Paul Nurse:

04 de Outubro de 2014
Por correio e e-mail

Caro Sir Paul Nurse,

Estamos satisfeitos por a Royal Society reconhecer o valor da ciência do Ártico e ter sediado uma importante reunião científica na semana passada, organizada pelo Dr. D. Feltham, o Dr. S. Bacon, o Dr. M. Brandon, e o Professor Emérito J. Hunt (https://royalsociety.org/events/2014/arctic-sea-ice/).

Os nossos colegas e nós temos estado a estudar a Placa Continental do Ártico da Sibéria Oriental [East Siberian Arctic Shelf (ESAS) há mais de 20 anos e temos conhecimento detalhado de observação das mudanças que ocorrem nesta região, como documentado por publicações em revistas de topo como a Science, a Nature e a Nature Geosciences. Durante estes anos realizámos mais de 20 expedições, em todas as estações do ano. que nos permitiram acumular um conjunto amplo e abrangente de dados consistindo em dados hidrológicos, biogeoquímicos e geofísicos, e proporcionando uma qualidade de cobertura que é difícil de alcançar, mesmo em áreas mais acessíveis dos Oceanos do Mundo.

Até o momento, somos os únicos cientistas que possuem dados observacionais de longo prazo em metano na ESAS. Apesar de peculiaridades na regulação que limitam o acesso de cientistas estrangeiros na Zona Económica Exclusiva da Rússia, onde a ESAS está localizada, ao longo dos anos temos recebido cientistas da Suécia, EUA, Holanda, Reino Unido e outros países para trabalharem ao nosso lado. A grande expedição internacional realizada em 2008 (ISSS-2008) foi reconhecida como o melhor estudo biogeoquímico do Ano Polar Internacional (2007-2008). O conhecimento e a experiência que acumulámos ao longo destes anos de trabalho lançaram as bases para uma extensa expedição Russo-Sueca a bordo do I/B ODEN (SWERUS-3), que permitiu a mais de 80 cientistas de todo o mundo colherem mais dados desta área única. A expedição foi concluída com sucesso apenas alguns dias atrás.

Para nossa consternação, não fomos convidados a apresentar os nossos dados na reunião da Royal Society. Além disso, esta semana descobrimos, através de um resumo Storify no twitter (divulgada pelo Dr. Brandon), que em vez foi o Dr. G. Schmidt convidado para discutir a questão do metano e explicitamente atacou o nosso trabalho utilizando o modelo de outro estudioso, cujo esforço de modelagem é feito com base em pressupostos teóricos não testados que não têm nada a ver com observações na ESAS. Enquanto o Dr. Schmidt tem experiência em modelagem climática, ele não é um especialista nem em metano nem nesta região do Ártico. Ambos os cientistas, portanto, não têm nenhum conhecimento observacional sobre metano e os processos associados nesta área. Lembremo-nos que o vosso lema “Nullus em verba” foi escolhido pelos fundadores da Royal Society para expressar a sua resistência ao dominação da autoridade; o princípio assim expresso exige que todas as reivindicações sejam apoiadas por fatos que tenham sido estabelecidos pela experiência. Em nossa opinião, não só as palavras mas também as ações dos organizadores traíram deliberadamente os princípios da Royal Society tal como expressos pelas palavras “Nullus em verba”.

Além disso, gostaríamos de destacar a parcialidade Anglo-Americana na lista de apresentadores. É preocupante que o conhecimento científico russo estava em falta e, portanto, marginalizado, apesar de uma longa história de notáveis ​​contribuições da Rússia para a ciência do Ártico. Sendo cientistas russos, acreditamos que o preconceito contra a ciência russa está a crescer devido a divergências políticas com as ações do governo russo. Isso restringe nosso acesso a revistas científicas internacionais, que se tornaram extremamente exigentes quando se trata de publicação de nosso trabalho em comparação com o trabalho dos outros sobre temas semelhantes. Temos consciência de que os resultados de nosso trabalho podem interferir com os interesses cruciais de algumas agências e instituições poderosas; no entanto, acreditamos que não era a intenção da Royal Society permitir que considerações políticas passem por cima da integridade científica.

Entendemos que pode haver debate científico sobre este tema crucial pois relaciona-se com o clima. No entanto, é parcial apresentar apenas um lado do debate, o lado com base em pressupostos teóricos e de modelagem. Em nossa opinião, foi injusto impedir-nos de apresentar os nossos dados com várias décadas, dado que mais de 200 cientistas foram convidados a participar em debates. Além disso, estamos preocupados que os procedimentos da Royal Society neste encontro científico virão a ser desequilibrados a um grau inaceitável (que é o que tem acontecido na mídia social).
Consequentemente, solicitamos formalmente a igualdade de oportunidades para apresentar os nossos dados perante vocês e outros participantes desta reunião da Royal Society sobre o Ártico e que vocês, como organizadores, abstenham-se de produzir quaisquer procedimentos oficiais antes de nós sermos autorizados a falar.

Sinceramente,
Em nome de mais de 30 cientistas,

Natalia Shakhova e Igor Semiletov

Vídeos da Natalia Shakhova sobre as erupções de metano no Mar do Ártico e Permafrost Siberiana

Todos os Dias nas Notícias Vemos Evidência da Extinção Humana a Curto Prazo

Todos os Dias nas Notícias Vemos Evidência da Extinção Humana a Curto Prazo
Pela primeira vez na história os humanos estão em posição de destruir os prospectos para uma existência decente e a maioria da vida. O ritmo de destruição das espécies hoje é perto do mesmo de há 65 milhões de anos, quando uma catástrofe maior, presumivelmente um asteróide enorme, acabou com a era dos dinossauros abrindo caminho para os mamíferos proliferarem. A diferença é que hoje nós somos o asteróide e o caminho vai provavelmente ser aberto para os escaravelhos e bactérias quando tivermos concluído o nosso trabalho.
Pela primeira vez na história os humanos estão em posição de destruir os prospectos para uma existência decente e a maioria da vida. O ritmo de destruição das espécies hoje é perto do mesmo de há 65 milhões de anos, quando uma catástrofe maior, presumivelmente um asteróide enorme, acabou com a era dos dinossauros abrindo caminho para os mamíferos proliferarem. A diferença é que hoje nós somos o asteróide e o caminho vai provavelmente ser aberto para os escaravelhos e bactérias quando tivermos concluído o nosso trabalho.

Todos os dias, nas notícias, vemos evidência da extinção da humanidade a curto prazo. Vamos dar uma voltinha pelas publicações? Bem, talvez apenas a uma, por hoje, mas muito relevante!

Na página Facebook ‘End Ecocide in Europe’ acabram de publicar um artigo intitulado “Building an Ark For the Anthropocene” (Construindo uma arca para o Antropoceno) pelo New York Times. O artigo começa com “Estamos a rebolar para o Antropoceno, a sexta extinção em massa na história do planeta…” e continua fazendo referência a um estudo publicado na ‘Science’ que conclui que “as espécies estão a desaparecer 1000 vezes mais rápido do que o ritmo em que se extinguem naturalmente.” Este quadro dá-nos pausa; é triste e desesperante. Mas não é a razão porque este artigo mostra evidência de que nos vamos extinguir a curto prazo. É que logo a seguir continua “…condições meteorológicas extremas pelas alterações climáticas causam ainda mais danos. Em 2100, investigadores dizem, entre um terço e metade as espécies da Terra poderiam ser aniquiladas.” 2100!? Aí é que está a evidência! Tudo o que tem a ver com previsões de consequências do aquecimento global está a falar em 2100, uma data que não diz muito a ninguém que ainda esteja vivo hoje pois muito provavelmente já não estará cá. E é assim que se mostra preocupação pelo aquecimento global e se mantém a confiança das massas quando na realidade nem faz parte dos nossos planos principais e ninguém se vai apressar nas verdadeiras medidas para resolvê-lo (desligar o botão do CO2 e colocar energias renováveis e que tendem para custo zero em todo o lado) quando se fala numa data em que quase ninguém dos que cá andam hoje vai estar vivo nessa altura. E é por isso que nos vamos extinguir; não tanto pelo CO2, pois é de fácil resolução, mas pela distorção político-económica, que essa sim é difícil de abandonar. O gelo do Ártico levou uma tareia em 2012 e estava a cair a pique de tal modo que estávamos a prever vê-lo desaparecer pela primeira vez já em Setembro de 2015. Mas foi uma sorte que este ano não tivemos El Niño e muito do calor absorvido pelo planeta ficou nos oceanos Atlântico e Pacífico e a curva de degelo do Ártico aliviou um bocadinho. Bem, uma sorte talvez não, pois o calor acumulado ainda está lá e a acidificação do oceano é outro problema. Agora é previsto o Ártico desaparecer lá para 2018. Digam-me que as consequências de o Ártico ficar sem gelo devem focar-se no ano de 2100? O que é que se passa aqui então? Porque é que estes artigos focam todos estudos que referem a data de 2100 como referência de prognósticos? Que nos interessa ouvir dizer que talvez mais de metade das espécies vão desaparecer no final do século com um aumento de temperatura na ordem dos 6ºC se já daqui a 30 anos com um aumento de 3ºC já poderemos cá não estar (pois com um aumento de 0,85 que atingimos hoje, os oceanos e florestas estão a passar de absorventes de carbono a libertadores de carbono [1] e [2], para não falar no metano)? Não vêm o ridículo? o quanto a política é motivada por posse, estatuto e poder e está desalinhada das leis naturais? não vêm o mecanismo que nos está a levar à extinção? Não é fácil, eu sei, especialmente se andas a ver muita televisão ultimamente, mas vamos tentar. Talvez o artigo tenha algo mais para nos dizer…

“Como resultado, os esforços para proteger espécies estão a aumentar quando governos, cientistas e ONGs tentam construir uma versão da Arca de Noé.” Esta arca tem um sentido figurativo, segundo o artigo, e em vez de um barco trata-se de uma “manta de abordagens de remendos, incluindo migração assistida, bancos de sementes e novas zonas de preservação e corredores de passagem baseados em onde é que as espécies deverão emigrar enquanto os níveis do mar sobem e as fontes de alimento se esgotam.” Quando se fala abertamente em remendar a Natureza ao invés de resolver a verdadeira causa do problema, é sinal que a distorção humana foi abraçada com naturalidade. E é aí que está outra evidência de que nada se vai resolver e da certeza da nossa extinção. O artigo diz que esta é uma iniciativa do Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e Serviços de Ecosistema, fundada em 2012 por governos de 121 países. E então tudo faz mais sentido. “Trabalho de remendos” é algo típico de governos e o modelo de análise usado por governos, já sabemos, é o político, não o científico; foca-se em discursos e iniciativas com fachadas bonitas e no crescimento da economia, onde datas como 2100 dão imenso tempo para continuarem a investir em guerras, combustíveis fósseis e estratégia geopolítica de controle de outros países através da “Globalização”. Tudo o que mete “Painéis Intergovernamentais…” cheira mal. O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) é acusado por cientistas climáticos veteranos (alguns dos quais anteriormente fizeram parte desse mesmo painel) de terem “projecções muito erradas e até o seu pior cenário (previsão) ser muito irreal pois não têm em conta o que está a acontecer no Ártico”, disse um destes cientistas, John Nissen, presidente do Arctic Methane Emergency Group. Ele acrescenta que estes cenários estão muito fora da zona de comforto do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que eles trabalham na base de que as coisas vão levar 100 anos para acontecer e isso parece perverter a sua análise. Artigos que apresentam cenários mais extremos, preocupantes, não são publicados e há um ciclo vicioso de supressão embutido nos procedimentos do IPCC, disse John Nissen. “Lembrem-se que é uma organização INTERGOVERNAMENTAL”, acrescentou ele., nesta entrevista.

Quando colocar painéis solares em cada telhado de todas as casas existentes teria um custo e seria um esforço que nem é merecedor da palavra “esforço” quando comparado com o dinheiro, energia e recursos despendidos no consumo cíclico e obsolescência planeada para manter a economia a funcionar, assim como no perpetuar do status quo e de indústrias monopolizadas que são completamente desnecessárias à sobrevivência e sustentabilidade do planeta (Cowspiracy, a conspiração da vaca, se quiserem, é outro documentário merecedor da vossa atenção, e pode ser visto aqui) para não falar do investimento na guerra e competição geopolítica de todos os dias… torna-se claro que a questão não é “Temos dinheiro para fazer isso?”, apesar de que sim, mesmo neste sistema “económico”, (ou devíamos antes dizer “antieconómico”) temos; mas sim “Temos os recursos e o conhecimento técnico?”; e a resposta é óbvia. Como Douglas Mallette explica tão bem neste vídeo, se conseguimos fornecer energia, abrigo, comida, ar limpo e todas as necessidades básicas aos astronautas numa estação espacial, por que raio não o conseguimos fazer a todas as pessoas aqui na Terra?