Cenários de Sobrevivência Projetados pelo IPCC Incluem Geoengenharia que Ainda Não Existe

Cenários de Sobrevivência Projetados pelo IPCC Incluem Geoengenharia que Ainda Não Existe

Os cenários de sobrevivência da espécie humana projetados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), ou como lhes chamam, RCPs, assumem que vamos remover vários biliões de toneladas de CO2 da atmosfera com tecnologia de geoengenharia que ainda não possuímos.

Nick Breeze mantém o blogue Envisionation cujo contexto de muito do conteúdo está na crise das alterações climáticas e na nossa resposta individual e coletiva à mesma.

Conteúdo traduzido do original Survivable IPCC projections based on science fiction – reality is far worse

Transcrição do vídeo: Projeções do IPCC são Ficção: A Realidade é Muito Pior

No último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas – IPCC-AR5, foi publicada uma seleção de percursos de concentração representativos, ou RCPs. O Dr. Matt Watson da School of Earth Sciences, na Universidade de Bristol no Reino Unido, defendeu este ponto com firmeza, numa recente reunião da Royal Society em Londres. E esta é a razão. Estas são as mais recentes projeções do Painel Internacional para as Alterações Climáticas, e o que é alarmante é que estes dois cenários na realidade incluem explicitamente tecnologia de emissões [de CO2] negativas. Ou seja, há geoengenharia do tipo de remoção de dióxido de carbono incluída nos casos dos melhores cenários. A coisa verdadeiramente alarmante para nós é que estamos neste percurso aqui, o RCP 8.5. Estamos alinhados com essa trajetória, e isso coloca-nos numa situação muito muito diferente no tempo de vida dos nossos filhos ou netos. NICK BREEZE: De entre estes cenários projetados no futuro, apenas 2 parecem poder manter-nos próximo de uma subida de temperatura de 2°C. Tal como o Dr Watson acabou de mencionar, estes denominam-se respectivamente RCP 2.6 e RCP 4.5. Este gráfico destina-se a dar-nos uma ideia de quais concentrações de gases de efeito estufa nos levam a quais temperaturas, sendo que os 2°C são o limite consensual de segurança. As linhas âmbar e preta são de registos históricos, e a vermelha, a verde e a azul, são previsões. Tal como Watson aludiu, o RCP no qual nos encontramos presentemente é o vermelho, chamado RCP 8.5. Este não é um percurso de sobrevivência. Os RCPs de 4.5 a 8.5 irão fazer-nos perder o sequestro de carbono pelas árvores e os mantos de gelo. Sem as árvores, vamos ficar inundados de gases de efeito estufa e a humanidade simplesmente não vai conseguir sobreviver. Assim resta-nos o RCP 2.6, o qual tem um intervalo de temperatura estimado em 0.9°C a 2.3°C. Já estamos muito próximos do cenário de 0.9°C [FEV 2016 com 1.57°C] logo as nossas chances de nos mantermos dentro do intervalo de temperatura são muito baixas, especialmente quando se considera a estimação de que as emissões ainda aumentem. O ex-presidente da Royal Society, Professor Martin Rees, fez esta declaração durante a nossa entrevista. Penso que todos nós temos esperança de que a redução de emissões seja alcançada, mas a falta de sucesso das tentativas de acordos internacionais encorajam pessimismo, e eu, honestamente, apostaria, tristemente de facto, que as emissões anuais de CO2 irão subir ano após ano, durante pelo menos os próximos 20 anos, e isso irá levar a um nível acumulativo próximo de 500 partes por milhão por essa altura. Baseado naquilo que sabemos, é justo dizer-se que a sensibilidade da Terra às emissões de gases de efeito estufa significa que vamos experienciar ainda muito mais aquecimento com um impulso adicionado pelos mecanismos de reforço como a libertação de metano e a perda de árvores. Contudo, há outra mosca na sopa quanto a quase todos os percursos representativos de concentrações. Como o Dr Watson disse, eles na realidade ficcionaram uma solução de geoengenharia chamada “remoção de dióxido de carbono” ou CDR através da qual biliões de toneladas de carbono são de facto removidas da atmosfera, e armazenadas algures na Terra seja sob a forma de biochar ou talvez como matéria viva, chamada biomassa. Mas tal como é amplamente sabido, na realidade não existe nenhuma tecnologia assim, e a pesquisa para a desenvolver tem estado enrolada em controvérsia, conspiração inação governamental, representação falsa, e toda uma gama de outras inibições. O ponto principal é que estamos a basear a nossa segurança futura coletiva neste planeta em pura ficção científica. Se queremos sequestrar o CO2 e fazer uma diferença, temos que sequestrar algo que é… uma fração significativa das 35 biliões de toneladas por ano. E então o que é uma fração significativa de 35 biliões? Digamos 20 biliões de toneladas… 10 biliões de toneladas até, para começar. 10 biliões de toneladas por ano de sequestração de carbono. Não fazemos nada, neste planeta, a essa escala. Não produzimos comida a essa escala, não minamos de todo a essa escala, nós nem produzimos petróleo, carvão ou gás natural a essa escala. Minério de ferro está abaixo de 1 bilião de toneladas por ano. Como vamos inventar uma tecnologia do zero, uma tecnologia altamente complicada, para lidar com 10 biliões de toneladas por ano? NB: Diretor substituto do Centro Tyndall para a Investigação em Alterações Climáticas, o Prof. Kevin Anderson disse o seguinte numa entrevista recente: É também um ponto brilhante de se notar que quando estamos a desenvolver os nossos cenários de emissões, o nosso modo de pensar no futuro, virtualmente todo e cada um dos cenários de emissões que tem por objetivo cumprir as nossas obrigações perante as alterações climáticas, que assinámos internacionalmente, esta ideia de manter o aumento da temperatura média global abaixo dos 2°C, virtualmente todo o cenário de emissões que gerámos até agora, inclui geoengenharia. Assume automaticamente que funciona. Agora, tudo bem se isso acontecer em 1 ou 2 cenários, mas quase todos os cenários o tem. E então, aquilo que encontramos é que a geoengenharia apesar de ainda estar numa fase conceptual muito experimental estamos a assumir que funciona e estamos a embuti-la nos nossos cenários, e é a partir desses que vamos aconselhar os nossos legisladores. E então já tem um efeito muito pernicioso no influenciar daquilo que os legisladores, a sociedade civil, as empresas, e outras pessoas que não estão envolvidas na ciência, percebem sobre alterações climáticas. E se falares com a maioria dos legisladores, eles não estão conscientes de que na realidade, de todo o aconselhamento que recebem dos cientistas, já existe esta suposição de que estamos prestes a chupar o CO2 da atmosfera no futuro próximo. Isso já está a acontecer hoje. NB: Temos uma crise muito real e muito séria em mãos. Não podemos permitir que as emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuem a subir. Temos que inverter a tendência, e rápido. Estamos presentemente no perigoso nível de 400 partes por milhão de dióxido de carbono, e a subir. Na Era pré-industrial, estávamos à volta das 280 partes por milhão. Para estarmos seguros, devíamos estar a apontar para reduzir a concentração abaixo das 320 ppm. Isto significa desenvolver um meio de remover as biliões de toneladas de gases de efeito estufa da atmosfera. Devíamos estar muito preocupados que o IPCC incluiu o uso de tecnologia de geoengenharia nos cenários futuros de emissões, e que a verdadeira tecnologia não existe presentemente e nem está a ser adequadamente pesquisada nem financiada.

Primeiramente publicado em Português em Projeções do IPCC São Ficção: Realidade é Muito Pior e traduzido do original Survivable IPCC projections based on science fiction – reality is far worse, publicado por Nick Breeze em Envisionation: Comunicating Climate a 27 de Fevereiro de 2015.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Temperaturas em Fevereiro de 2016 seguem o cenário RCP 8.5 das projeções do IPCC

Temperatura e Fevereiro

em http://aquecimentoglobal.info

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CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

Sugerimos a leitura de “Níveis de CO2 atmosférico Dispararam para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

Quando os níveis de CO2 bateram um novo recorde mundial de 405,66 ppm ontem, não pude deixar de pensar que HG Wells não poderia ter imaginado um mecanismo mais perigoso para se explorar o passado do mundo.

Pois quando se trata de testar o alcance de novos eventos climáticos extremos, a presente queima massiva de combustíveis fósseis é como entrar numa máquina do tempo sombria. Assim que todo esse carbono atinge os ares e águas, o marcador do clima gira para trás centenas de milhares e milhões de anos. Acelerando-nos em direção às eras de extinção por efeito estufa da história profunda da Terra. Agora, não apenas está a conduzir-nos através de eventos climáticos e temperaturas extremas não vistos em 100, 1.000, 5.000 ou até 10.000 anos, também está a impulsionar-nos em direção a estados climáticos que não ocorreram na Terra há eras e eras.

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Desde 1990, o mundo tem experimentado níveis de CO2 na atmosfera num intervalo que não se viu desde a época geológica do Plioceno. Um período de tempo 2.6 a 5.3 milhões de anos atrás com níveis de dióxido de carbono que variam de 350 a 405 partes por milhão e temperaturas médias globais que eram 2 a 3 graus Celsius mais quentes do que os níveis de 1880. Globalmente, o nível do mar elevou-se cerca de 80 pés mais do que aqueles a que humanidade tem se acostumado.

taxa anual de crescimento de co2

(Nunca a Terra tinha visto um acumular de CO2 tão rápido como o produzido pela era humana de energia de combustíveis fósseis. As taxas de aumento de CO2 apenas continuam a aumentar em rampa como nunca enquanto os reservatórios de carbono do mundo parecem estar a encher. Neste contexto, 2015 viu o ritmo mais rápido de aumento de CO2 até agora. As águas superficiais do oceano em aquecimento não podem absorver tanto CO2 quanto os oceanos mais frios. E um oceano quente recorde em 2015 contribuiu para esse acumular extremo de CO2 atmosférico. No ano passado, num todo, o CO2 acumulou na atmosfera a uma taxa de 3,2 partes por milhão por ano. Isso é bem acima do ritmo furioso de 2 partes por milhão de acumulação média anual que ocorreu durante a década de 2000. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Se os níveis de CO2 atmosféricos globais tivessem estabilizado neste ritmo, é provável que tivéssemos, eventualmente, visto climas, temperaturas, e níveis do mar, que se tornavam cada vez mais como aqueles experienciados há 2 a 5 milhões de anos atrás. Um processo que provavelmente teria levado séculos para chegar a um estado climático final muito mais quente. Um em que pouco ou nenhum gelo permaneceu sobre a Gronelândia ou a Antártida Ocidental, e um que incluía um regredir substancial das linhas costeiras.

De 1990 a 2015, esse foi o nosso contexto climático. O novo mundo que esteve progressivamente a estabelecer-se. Um que viria a afirmar-se a menos que os níveis de CO2 atmosféricos fossem de alguma forma reduzidos para menos de 350 partes por milhão. Foi tipo um assunto sério. Infelizmente, poucos especialistas realmente falaram sobre isso.

Saindo do Plioceno

Mas a partir de 2015 e continuando em 2016, a máquina do tempo da queima de combustíveis fosseis, mais uma vez, encaminhou-nos de volta para tempos mais quentes e perigosos. Pois nos últimos dois anos começámos a exceder o limite máximo de CO2 do Plioceno e começámos a entrar nos níveis de CO2 que foram mais típicos daqueles da época climática do Mioceno Médio, de há 15 a 17 milhões de anos atrás.

niveis de co2 mais elevados que no Plioceno

(De foguetão para além do Plioceno. A 4 de Fevereiro de 2016, um nível atmosférico de CO2 recorde de 405,66 foi registado no Observatório de Mauna Loa. A Terra não experienciou níveis de CO2 tão elevados desde há 15 a 17 milhões de anos. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

No final de Abril de 2015, enquanto o CO2 se aproximava de seu ponto mais alto típico de maio, as leituras diárias tinham atingido um nível de 404,9 partes por milhão – levando-nos em direcção à fronteira do contexto climático do Plioceno. Durante um breve período de 9 meses, o CO2 recuou dos limites do Plioceno enquanto as plantas da altura da primavera e do verão respiravam no Hemisfério Norte. Contudo, os níveis médios de CO2 atmosférico ainda estavam a aumentar com a queima de combustíveis fósseis desenfreada que continuava por todo o mundo. Ontem, 04 de fevereiro de 2016, os níveis diários de CO2 no Observatório Mauna Loa tinham subido em flecha para 405.66 partes por milhão. Um nível bem fora do limite superior para a época climática do Plioceno. Um nível mais típico dos períodos observados durante o Mioceno, 15 a 17 milhões de anos atrás.

Entrando no Mioceno Médio

Infelizmente, este pico diário em fevereiro de 405.66 partes por milhão não é o fim da subida em flecha para o ano em curso. Os picos atmosféricos típicos ocorrem durante Maio. E este ano, é provável que vejamos níveis atmosféricos chegarem perto de 407 partes por milhão nas médias semanais e mensais ao longo dos próximos meses. Tais níveis empurram-nos solidamente para fora do contexto climático do Plioceno e bem para dentro do contexto do Mioceno.

Embora o Mioceno Médio não tenha sido um clima de extinção por efeito estufa, foi um muito mais estranho à humanidade. Naquela época, apenas os grandes macacos existiam. O nosso ancestral mais antigo, o Australopitecus, ainda estava pelo menos 9 milhões de anos no futuro. É correto dizer que nenhum ser humano, nem mesmo os nossos parentes mais próximos, alguma vez respirou ar com a composição que agora está a entrar nos nossos pulmões. Nunca viveu sob a cúpula opressiva e intensificada de tanto calor atmosférico global forçado.

CO2 atmosférico no Plioceno e Mioceno

(Dissemos adeus ao contexto climático do Holoceno quando os níveis de CO2 subiram acima das 280 partes por milhão, durante o século 19. Por volta de 1990, tinhamos começado a entrar no contexto do Plioceno, um período que ocorreu há 2 a 5 milhões de anos atrás. A partir de 2015, começámos a sair do contexto climático do Plioceno e a entrar no Mioceno Médio. Se os ritmos atuais de queima de combustíveis fósseis ou os ritmos habituais de acumulação de CO2 continuarem, vamos estar a entrar no contexto climático do Oglioceno daqui a cerca de 25 a 50 anos. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Estamos a entrar agora num período em que as atmosferas são mais semelhantes às observadas durante o Óptimo Climático do Mioceno Médio – a última vez que as medidas de CO2 ultrapassaram um limiar de cerca de 405 partes por milhão (veja aqui e aqui).

O Óptimo Climático do Mioceno Médio de há 15 a 17 milhões de anos atrás era um mundo radicalmente diferente. Apresentava uma atmosfera na qual os níveis de dióxido de carbono variavam enormemente de 300 partes por milhão a 500 partes por milhão. As temperaturas eram entre 3 a 5 graus Celsius mais quentes do que no século 19. E os níveis do mar eram cerca de 120 a 190 pés mais elevados. Durante este período, o mundo ainda estava a arrefecer do calor das épocas do Paleoceno e do Eoceno. O carbono estava a ser sequestrado. E foi a primeira vez que o mundo quebrou significativamente o nível estável de CO2 abaixo das 500 partes por milhão que havia sido estabelecido durante o Oligoceno 24 a 33 milhões de anos atrás.

Se os níveis de CO2 permanecerem nesta faixa, são estas as temperaturas, os níveis do mar, e as condições climáticas para as quais vamos transitar e, finalmente, experienciar. Mas o tempo, e a queima de combustíveis fósseis, não estão do nosso lado. Pois com os ritmos de aumento da queima de combustíveis fósseis habituais da sociedade de negócio, podemos vir a atingir o limiar do Oligoceno em tão pouco quanto 25 a 30 anos. E mesmo que as taxas atuais de aumento fossem mantidas, o limiar do Oligoceno esperar-nos-ia a 5 décadas de distância.

Links:

NOAA ESRL (Por favor, apoiem a ciência pública, não baseada em interesses especiais, como o trabalho fantástico e essencial produzido pelos especialistas da NOAA).

A Curva Keeling

Clima do Plioceno

Entrando no Mioceno Médio

Traduzido do original Atmospheric CO2 Rocketed to 405.6 ppm Yesterday — A Level not Seen in 15 Million Years, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 05 de Fevereiro de 2016.

Será que a Humanidade Está a Dar a Volta ao Aquecimento Global?

Será que a Humanidade Está a Dar a Volta ao Aquecimento Global?
"Eu não acredito no aquecimento global" Porque é que 400.000 pessoas nas ruas na Marcha do Povo Pelo Clima, não são uma ameaça ao status quo.
“Eu não acredito no aquecimento global”
Porque é que 400.000 pessoas nas ruas na Marcha do Povo Pelo Clima, não são uma ameaça ao status quo.

Um novo relatório do Global Carbon Project mostra que as máquinas do mundo estão a arrotar mais dióxido de carbono do que nunca. O relatório, que mede as emissões globais de CO2, descobriu que gases de todas as fontes aumentaram mais de 750 milhões de toneladas em 2013 – um aumento de 2,3 por cento neste gás de estufa perigoso em cima do níveis já extremos de 2012. No total, 39,8 bilhões de toneladas de CO2 atingiram a atmosfera em 2013, um aumento sobre as 39,1 bilhões de toneladas em 2012.

Na caminho atual, as emissões globais de CO2 vão duplicar em cerca de 30 anos. Tal aumento maciço de fontes humanas não inclui as emissões de feedback (realimentação) amplificador das reservas de metano ou dióxido de carbono, tais como aquelas que agora, aparentemente, se desestabilizam no Ártico. Este enorme sopro seria mais do que suficiente para desencadear um evento de extinção por efeito de estufa – um que poderia muito bem rivalizar ou exceder o Permiano (também conhecido como “a grande morte”) na sua ferocidade, devido ao muito rápido ritmo de acumulação de calor provocada pelos humanos.

Uma maior adoção de energias renováveis ​​abrandou a emissão global de carbono dos níveis de cenário pior. Contudo, o ritmo de adoção de energias renováveis e o aumento da eficiência energética ainda não é o suficiente para salvar o mundo do terrível rumo do cenário RCP 8,5. Entretanto, os níveis globais de CO2 estavam a pairar perto de seu mínimo anual, um pouco acima de 395 partes por milhão, depois de ter atingido um nível máximo perto de 402 partes por milhão em Maio de 2014. No ritmo atual de aumento, o CO2 global é provável que se mantenha acima das 400 partes por milhão (ppm) de concentração durante todo o ano, já daqui a menos de três anos.

Emissões de Carbono Globais continuam ao longo de 2013 no caminho do pior cenário considerável. Notem que os aumentos da temperatura estimados são para este século.Para contextualizar, levou 12.000 anos para que o mundo aquecesse 5 graus Celsius no início da última idade do gelo. Fonte da imagem: Global Carbon Project
Emissões de Carbono Globais continuam ao longo de 2013 no caminho do pior cenário considerável. Notem que os aumentos da temperatura estimados são para este século.Para contextualizar, levou 12.000 anos para que o mundo aquecesse 5 graus Celsius no início da última idade do gelo. Fonte da imagem: Global Carbon Project

Para colocar em contexto, da última vez que os níveis de CO2 estavam tão altos, as temperaturas globais eram de 2 a 3 graus Celsius mais quentes do que hoje e os níveis do mar eram, pelo menos, 75 pés (~23 metros) mais altos. Mas como os humanos emitem uma série de outros gases de efeito estufa poderosos, a medida global de CO2 por si só não tem em conta o quadro todo. Se todos os outros gases libertados por humanos, e que bloqueiam o calor de se escapar, forem adicionados, o efeito de calor do CO2 equivalente (CO2e) é de cerca de 481 ppm, o que é suficiente para aumentar as temperaturas, a longo prazo, em cerca de 3,8 graus Celsius, e para derreter mais da metade das camadas atuais de gelo no mundo.

No ritmo atual de emissões, vai demorar menos de 30 anos a garantir na atmosfera um valor de CO2 equivalente (CO2e) de 550 ppm – o suficiente para derreter todo o gelo da Terra e para elevar a temperatura entre 5 e 6 graus Celsius a longo prazo.

Esta compilação de números e análises por ‘robertscribbler’, e como ele disse neste mesmo texto, “não inclui as emissões de feedback (realimentação) amplificador das reservas de metano ou dióxido de carbono, tais como aquelas que agora, aparentemente, se desestabilizam no Ártico.

Então o quadro poderá ser bem pior e estamos apenas a iludir-nos a nós próprios enquanto não considerarmos o metano e CO2 a ser libertado neste momento do fundo do Ártico e na Sibéria. Mas e então, quem é que está a considerar o quadro total para que possamos saber qual a verdadeira situação da humanidade quanto ao aquecimento global? Paul Beckwith é um deles, um cientista que tem um estudo feito em Clima Paleontológico e até faz vídeos com gatos e põe no youtube para chamar a atenção das pessoas para esta questão. O quadro prognóstico pelos modelos climáticos é aterrorizante, mas a ciência do clima é super interessante. O que está a ser explorado no mesmo blogue que publicou a transcrição desta entrevista a Paul Beckwith, em português.

E para aqueles que dizem que a tecnologia de energias renováveis está a evoluir imenso (e está), que a Alemanha está a dar o exemplo e com certeza a humanidade pode, e está, a dar a volta a esta situação, e que ‘até houve uma marcha do clima recentemente com 400.000 pessoas só em Nova Yorque!’,… Pois, mas é que parece que muito poucos nessa marcha estão conscientes da ciência do clima. Os poucos que estavam a abanar cartazes sobre metano falavam da captura de metano por fracturação hidráulica, e nada das Gigatoneladas de metano a escaparem do fundo do Ártico e da permafrost na Sibéria. E olhem só o que o Chris Hedges, autor premiado e jornalista que ganhou o Pulitzer e conhecido pela sua crítica ao sistema insustentável do capitalismo, tem a dizer sobre a famosa Marcha do Povo Pelo Clima neste vídeo do show Breaking The Set, da RT, introduzido por Abby Martin: “tais mobilizações são, em última análise, ineficientes, acrescentando que os grupos principais que patrocinam a marcha em Manhattan são desenhados para neutralizar resistências.” Abby perguntou-lhe ainda porque é que 400.000 pessoas nas ruas de Manhattan não são uma ameaça ao status quo. Ele foi muito elucidativo:

“Primeiro porque não havia agenda. Segundo, porque as instituições estabelecidas faziam parte da marcha; grupos como Environmental Defense Fund (Fundo Para a Defesa do Ambiente) que apoiam a fracturação hidráulica e recebem apoios das gigantes petrolíferas como a BP. Eles ficaram dentro dos perímetros que lhes foram dados pela polícia de Nova Yorque, em contraste com a marcha da qual eu fiz parte Segunda de manhã “Flood Wall Street” (Inunda Wall Street), onde, sem permissão, 4000 pessoas sairam às ruas e fecharam as ruas em Wall Street; sentadas no meio da estrada. Até que comecemos a engajar-nos em actos de desobediência civil, especialmente dado o facto de que as elites em poder, e em particular o partido democrático, adoptam a retórica das mudanças climáticas, não vamos fazer grande diferença. O Obama fala de Alterações Climáticas como sendo real e como algo com o qual ele pretende lidar na sua administração, e ainda assim temos visto o Obama a expandir massivamente a perfuração em terreno público, perfurações no mar, fracturação hidráulica, aprovando a extensão sul do oleoduto de Keystone, a qual está desenhada para trazer Petróleo Shell das areias betuminosas de Alberta (…) a retórica do estabelecimento democrático em particular não encaixa na realidade. A realidade é que o sistema político está monopolizado pela indústria dos combustíveis fósseis, carvão, petróleo, gás, e a não ser que comecemos a romper com sistema eles vão continuar com esta forma de ecocídio, destruindo o que resta do planeta para a obtenção de lucros a curto prazo.”

O aquecimento GLOBAL afecta todo e cada ser humano, e tem que ser resolvido por TODO E CADA SER HUMANO. “Se votar mudasse alguma coisa, já estaria proibido” – Edward Bellamy. E não se trata de reciclar, mudar para lâmpadas mais eficientes ou desligar o interruptor da luz; trata-se de uma mudança cultural necessária que torne esta distorção social milenar, e perpetuada até hoje, obsoleta. Trata-se de informação e consciencalização para além dos limites confortáveis do status quo, e abandonando a confiança que depositamos neste. Não se preocupem, ele seguirá com a mudança, mas cada dia mais revolucionado que no anterior.

Para mais clarividência sobre essa tão necessária transformação pessoal e social, vejam a última entrevista de Peter Joseph por Abby Martin na RT.