Os 2 C Aproximam-se Mais Depressa do que Temíamos – Picos de Metano Atmosférico de 3096 Partes por Bilião

Os 2 C Aproximam-se Mais Depressa do que Temíamos – Picos de Metano Atmosférico de 3096 Partes por Bilião

Sugerimos a leitura deste conteúdo num site com melhor atualização e variedade de publicações sobre alterações climáticas: Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

É essencial que os políticos comecem a considerar seriamente a possibilidade de um feedback substancial de carbono da permafrost no aquecimento global. Se não o fizerem, suspeito que em pouco tempo vamos todos estar a olhar para o limite de 2°C pelo espelho retrovisor.

Robert Max Holmes

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Desvendar o puzzle do aquecimento global é simples à primeira vista, mas complexo assim que se esgravata a superfície.

Sabemos que a queima de combustíveis fósseis, a atividade de mineração de carvão, o fracking para o gás, e a perfuração de petróleo, resultam todos em emissões de gases com efeito de estufa perigosos. Sabemos que a grande maioria destes gases de aquecimento de estufa são provenientes de fontes de combustíveis fósseis. Sabemos que, agora, a queima, a mineração, o fracking e a perfuração têm empurrado o CO2 atmosférico acima de 405 partes por milhão e a concentração global de todos os gases equivalentes a CO2 a umas surpreendentes 485 partes por milhão de CO2e (níveis não vistos em pelo menos 15 milhões de anos ). E sabemos que o calor re-irradiado por esses gases aqueceu o mundo em cerca de 1 C acima dos níveis de 1880 – forçando os padrões climáticos a mudarem, os mares a subirem, a saúde do oceano a declinar, e a desencadear uma onda de mortes em massa no mundo animal enquanto aumentando o risco a curto prazo de fome, propagação de doenças tropicais, e deslocamentos em massa no mundo humano.

Forçamento Radiativo

(O calor adicionado à atmosfera terrestre por gases emitidos pelos combustíveis fósseis como CO2 e Metano é medido em watts por metro quadrado. Um critério conhecido como forçamento radiativo [RF]. No gráfico acima, pelo IPCC, podemos ver os níveis estimados de forçamento radiativo de cada gás com efeito de estufa e o forçamento total líquido de calor pelos humanos sobre a atmosfera da Terra desde 2011. É uma medida que poderá precisar de começar a adicionar também o RF de gases com efeito de estufa de feedback à medida que o século 21 avança. Fonte da imagem: RealClimate).

Sabemos muitos dos nomes desses outros gases – metano, óxido nitroso e clorofluorocarbonetos. E alguns dos outros – como o hexafluoreto de enxofre – que muitos de nós ainda não ouvimos falar. Mas o grande nome, o agente de aquecimento primário, é o dióxido de carbono – por si próprio responsável, atualmente, pela maioria do forçamento de calor global. Um gás tão importante para o aquecimento a longo prazo que a NASA o chamou de ‘o termostato que controla a temperatura da Terra.’

Tudo isto é bastante simples e direto. Mas é quando começamos a olhar para o que são chamados de feedbacks amplificadores [NT: mecanismos de auto-reforço positivo] – as respostas da Sensibilidade do Sistema Terrestre ao aquecimento forçado por humanos – que as coisas começam a ficar mesmo perigosas. E embrulhado na equação de Sensibilidade do Sistema Terrestre está o metano – um gás de efeito estufa com a capacidade de influenciar fortemente as temperaturas globais em prazos bastante curtos.

Picos de Metano de Mais de 3.000 Partes por Bilhão

A 20 de Fevereiro, durante cerca de 12 horas, a medição NOAA METOP registou um grande pico de metano atmosférico alcançando 3.096 partes por bilhão a 20.000 pés de altitude. Esta foi a primeira vez que qualquer medição havia registado um pico de metano tão elevado e a primeira vez que qualquer medição havia ultrapassado o limiar das 3.000 partes por bilhão. Para contexto, há apenas dois anos atrás, um pico de metano alcançando as 2.660 partes por bilhão teria sido significante. Agora, estamos a obter leituras de picos que são 400 partes por bilhão superiores ao limite máximo anterior.

Niveis de metano pelo METOP - fevereiro 2016

(O METOP mostrou um pico recorde de 3.096 partes por bilhão de metano atmosférico a 20 de Fevereiro de 2016. Até agora, este foi o maior aumento deste género já registado nas medições da NOAA. Um que excedeu de longe a média atmosférica global de cerca de 1.830 partes por bilhão. Fonte da imagem: NOAA / METOP).

É um sinal muito agourento – especialmente quando se considera o facto de que as médias de metano atmosférico globais estão na faixa de 1830 partes por bilhão. O grande aumento recente foi mais elevado em cerca de 1170 partes por bilhão. Por outras palavras – algo muito extraordinário. É prova de que as fontes de metano do mundo estão a ficar mais vigorosas nas suas emissões. E quando se considera o facto de que o metano – numa comparação molécula por molécula com CO2 – retém cerca de 80 vezes mais calor numa escala de tempo de décadas, grandes adições de metano no topo de um forçamento por CO2 já perigoso é certamente motivo de alguma preocupação. Uma questão que pode acelerar ainda mais o já rápido ritmo de aquecimento forçado pelos humanos de tal modo que ficamos em risco de atingir os limiares de 1,5 C e 2 C, mais cedo do que o esperado. Resultados que devíamos estar urgentemente a trabalhar para evitar – cortando as emissões de base humana tão rapidamente quanto possível no tempo.

Os Suspeitos do Costume – Atividade Baseada em Combustível Fóssil

Talvez ainda mais preocupante seja o facto de que realmente não sabemos exatamente de onde este pico significativo de metano está a vir.

Temos, contudo, uma longa lista de suspeitos do costume. O primeiro, é claro, seria a partir de um qualquer número de fontes muito grandes e perigosas de emissões de combustíveis fósseis. A China, com suas minas maciças de carvão que arrotam metano, infra-estruturas de gás, e instalações de queima de carvão sujo, seria o principal suspeito. A Mongólia, onde instalações de carvão e gás, que alastram igualmente, operam, é outro ponto quente provável. A Rússia – com os seus vastos campos de petróleo e gás com fugas. O Médio Oriente – que está engasgado com infra-estrutura de combustíveis fósseis. A Europa – onde muitos dos oleodutos da Rússia terminam e onde muitas nações queimam um carvão castanho de elevado metano. E os Estados Unidos – onde a prática geologicamente destrutiva do fracking tem agora também recentemente aumentado grandemente as emissões de metano.

Suspeitos Não Usuais – Permafrost e Clatratos Aquecidos pelas Emissões de Combustíveis Fósseis

Olhando para a resolução muito baixa do gráfico METOP acima, encontramos uma série de pontos quentes de metano por todo o mundo. E muitos desses pontos quentes coincidem com a nossa lista de suspeitos do costume. Mas outros estão bem fora da faixa que normalmente seria de esperar. Lá bem em cima no norte, sobre a tundra e o Oceano Ártico, onde já existem algumas instalações grandes de queima de combustíveis fósseis ou de extração. Lá, um pouco ironicamente, grandes pilhas de permafrost, que se espalham ao longo de milhões de milhas quadradas e por vezes tão espessas quanto duas milhas, estão a descongelar devido ao forçamento de calor pelos gases de efeito estufa da queima de combustíveis fósseis, muitas vezes acontecendo a centenas ou milhares de milhas de distância. Esta permafrost a descongelar está preenchida com material orgânico. E quando libertado da sua prisão de gelo, fica exposta aos elementos e micróbios do mundo. Estas forças, em seguida, começam a trabalhar, tornando o carbono orgânico nessa permafrost em dióxido de carbono e metano.

Isto é bastante má notícia. No total, mais de 1.300 bilhões de toneladas de carbono estão trancadas em solos da permafrost. E as emissões de carbono de permafrost fazem um já mau forçamento de calor proveniente da queima de combustíveis fósseis ainda pior.

Níveis de metano em Barrow, Alasca

(Os níveis de metano atmosférico tal como registados por várias estações de relatórios e monitores globais têm vindo a aumentar mais rapidamente nos últimos anos. No Ártico, as leituras atmosféricas têm tendido a manter-se acima da média global – uma indicação de que as emissões locais estão a gerar uma sobrecarga para a região. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Como se todas as emissões humanas e as potenciais emissões da permafrost não fossem já suficientemente más, temos mais uma grande fonte de carbono no Ártico a considerar – hidratos de metano. Uma potencial fonte de libertação de metano controversa, certamente. Mas uma muito grande, que seria negligente ignorarmos. Devido ao facto de que o Ártico se manteve, em geral, muito frio nos últimos 3 milhões de anos de longas eras glaciares e breves interglaciais, este reservatório maciço de carbono tem tido oportunidade de se acumular nas águas relativamente rasas, que agora aquecem rapidamente, do oceano Ártico, e até sob grandes secções da permafrost que agora descongela. Muito deste carbono está sob a forma congelada de gelo-metano, chamado hidrato. E à medida que o Oceano Ártico aquece e o gelo do mar recua para expor oceano azul ao aquecimento dos raios do sol pela primeira vez em centenas de milhares de anos, há uma preocupação entre alguns cientistas de que uma quantidade não insignificante desse metano congelado submerso irá libertar-se , passar os limites da interface oceano-atmosfera ou da permafrost que descongela, e adicionar mais forçamento de calor à atmosfera global. O mar raso da Plataforma Continental da Sibéria foi identificado por alguns como contendo tanto quanto 500 bilhões de toneladas de carbono na forma de metano congelado. E um aquecimento da Terra alimentado a combustíveis fósseis poderá estar agora mesmo a arriscar erupções, a um nível de um feedback amplificador, a partir deste grande reservatório de clatratos juntamente com uma série de outros reservatórios muito grandes espalhados por toda a bacia do Oceano Ártico e em todo o sistema oceânico global.

Uma Imagem Mais Clara? Ou Uma Muito Mais Complexa?

Então qual, de entre os vários suspeitos – usuais e incomuns – pode ser responsável pelo pico recorde de metano que aparece agora na medição da METOP?

Antes de tentarmos responder a esta pergunta, vamos puxar outro gráfico de metano – este do Observatório Copernicus:

Leituras Globais de Metano por Copernicus

(O gráfico de metano de Copenicus de 25 de fevereiro, que faz o rastreamento das leituras de metano à superfície, dá-nos uma indicação de maior resolução das leituras de metano à superfície do que a medida NOAA METOP. Esta segunda medição proporciona alguma confirmação de um sobrecarregamento de metano no Ártico, mesmo quando fontes de picos de emissões humanas se tornam mais evidentes. Picos ominosos também vêm aparentemente de incêndios florestais nos trópicos e de regiões no Ártico perto de Yamal, Rússia, Escandinávia do Norte, e os mares Barents e Kara. Fonte da imagem: O Observatório Copernicus).

Aqui podemos ver a variação nas leituras de metano de superfície de acordo com a Copernicus. Uma imagem de maior resolução que pode oferecer uma melhor ideia da localização do ponto-fonte dos picos diários globais de metano. Aqui vemos que as principais fontes de metano são predominantemente a China, Rússia, Médio Oriente, Europa, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Incêndios em África e na Amazônia, e, por fim, o Ártico.

Embora a medição Copernicus não mostre o mesmo nível de sobrecarrega no Ártico como aquele que tende a aparecer na medição METOP, é uma confirmação de que algo no ambiente perto do Ártico está a gerar picos locais acima das 1940 partes por bilhão para grandes regiões desta zona sensível.

A medição pelo Copernicus, como mencionado acima, também mostra que os picos humanos são bastante intensos, mantendo-se como a fonte dominante de emissões de metano globalmente, apesar de uma contínua sobrecarga perturbadora no Ártico. Picos em África, na Amazónia, e Indonésia também indicam que as florestas em declínio e os incêndios relacionados nestas zonas tropicais estão também, provavelmente, a proporcionar um feedback amplificador às emissões humanas em geral.

Dados os picos deste mês e a disposição geral das leituras de metano de superfície ao redor do mundo, parece que a grande emissão de metano de base humana está a ser reforçada por feedbacks das emissões locais de reservas de carbono tanto nos trópicos como no Ártico. Este sinal de reforço, embora um pouco menor do que o sinal relacionado com os combustíveis fósseis em algumas medições, é preocupante e sugere que o aviso de Robert Max Holmes no iníco deste post pode ser por demais relevante. Pois os feedbacks do Sistema Terra às enormes e irresponsáveis emissões de combustíveis fósseis ​​parecem já estar a começar a complicar a nossa imagem de uma Terra em aquecimento.

Links:

CO2: O Termostato que Controla a Temperatura da Terra

Pico Ominoso de Metano no Ártico Continua

Pico de Metano Enorme Vindo de Fracking nos EUA

Libertação de Metano da Permafrost Pode Desencadear Aquecimento Global Perigoso

Preocupação com a Libertação Catastrófica de Metano

A4R Rastreamento Global de Metano

O Observatório Copernicus

NOAA ESRL

RealClimate

NOAA / METOP

Gorjeta para Griffin

Traduzido do original 2 C Coming On Faster Than We Feared — Atmospheric Methane Spikes to Record 3096 Parts Per Billion, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 26 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

em https://alteracoesclimaticas…

Três Tipos de Aquecimento do Ártico

em https://alteracoesclimaticas…

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Os Céticos do Metano e da Extinção: O Novo Desafio Das Alterações Climáticas

Os Céticos do Metano e da Extinção: O Novo Desafio Das Alterações Climáticas


Os novos céticos na ciência climática estão em negação na questão do metano e da extinção. Como podemos ultrapassar a negação. Já foi um desafio ultrapassar a campanha de negação do aquecimento global; as pessoas não querem ouvir sobre extinção no nosso tempo de vida… E quanto aos governos? Não se pode fazer negócio e promover uma economia baseada no consumo e a guerra quando a possibilidade de extinção está nas noticiário. Como vamos dar a volta a esta? O gelo do Ártico está a derreter e vai desaparecer completamente em entre 1 a 3 anos. As emissões de CO2 estão a aumentar em vez de diminuir. O Aquecimento Global tem um “Fugidío” anexado agora. Como vamos apanhá-lo?

Uma compilação com algumas das referências mais interessantes na ciência e Internet:
Peter Sinclair, Greenmanstudios; David Wasdell, Appolo-Gaia Project; Prof. Kevin Schaefer; Professor Martyn Poliakoff – Periodic Videos; James Hansen; Supreme Master Ching Hai; Peter Ward; Jason Box; Dra. Natalia Shakhova; Dr. Igor Semiletov; Thom Hartmann, entre outros…

Segue em baixo a transcrição do vídeo traduzida para português:

Quando a realidade parece muito difícil de enfrentar, batemos em retirada com mecanismos de defesa. Havia a garota que sempre explicava que ela na realidade não queria algo após ela descobrir que não poderia obtê-lo. Ela era de duas caras. O seu mecanismo de defesa era a racionalização. Ele viu a doença como uma saída. Uma saída para trás, é verdade, mas uma saída. Quando era hora de trazer a madeira, as pernas doíam-lhe. Quando a neve caiu algo se passou com o seu braço. E ele adorava a atenção que recebia. Seu mecanismo de fuga foi o fingimento. O Exército chama-lhe “gold-bricking”. Ele se identificou com um campeão de pesos pesados. Cada luta que o campeão venceu, ele venceu. Cada soco que o campeão levou, ele levou. E ele aguentava-se. O seu mecanismo de fuga foi a identificação com outra pessoa. Ela pensou que se fizesse de conta que uma coisa não estava lá, poderia desaparecer. Se você fingisse que algo não tivesse acontecido, talvez não tivesse. Se você escondesse a verdade, talvez viesse a revelar-se sendo uma mentira. O seu mecanismo de fuga era a supressão. Você experiencia mecanismos de defesa enquanto assiste o vídeo seguinte? Vamos contar em decrescente desde cinco. Em que número eles aparecem?

Este pedaço de gelo pode parecer muito banal à primeira vista, mas, acenda-lhe um fósforo e algo surpreendente acontece. Conforme relatado na edição de ‘The Atlantic’ deste mês, chama-se “hidrato de metano”, e, na verdade, não é incomum de todo. De fato, existem mais de 100,000 triliões de pés cúbicos daquilo na Terra. Em termos de volume, que é como o tamanho do mar Mediterrâneo, e tem uma capacidade de energia maior do que todo o carvão, petróleo e gás natural na Terra combinados. E enquanto o metano queima limpinho, o metano não queimado é um potente gás de efeito estufa, e se escapa pode ser devastador para o meio ambiente.

[Peter Sinclair, Greenman Studios] Você talvez se lembre que em 2007 houve um grande estudo que saiu deste grupo chamado Painel Intergovernamental para a Mudança Climática e eles olharam para modelos de computador de quão rapidamente o gelo do Ártico iria desaparecer, e no início de 2007, isto é o que eles nos estavam a dizer. Que iríamos ver uma queda gradual no mínimo de gelo do Ártico, descendo provavelmente para onde ainda teríamos uma boa quantidade de gelo restante no ano de 2100, no pior caso, talvez em 2070 veríamos águas abertas … ..no Ártico durante o Verão. Naquele mesmo ano, vimos nas observações reais, uma enorme queda no gelo do Ártico, e essa queda continuou de modo que, em 2012, isto é agora onde estamos.

[David Wasdell, Apollo Gaia Project] Quanto mais rápido aquece, mais vapor de água. Quanto mais vapor de água, mais rápido aquece. Quanto mais rápido aquece, menos gelo. Quanto menos gelo, menos reflexão e mais rápido aquece. Você começa a ficar com a ideia? Tem que ser uma curva descendente no que chamamos de “decaimento exponencial”. E se você projetar essa linha no futuro, como foi feito neste particular … … conjunto de equações e entendimento da perda de massa de gelo do Ártico, então, mais uma vez, mostra zero gelo a flutuar no Oceano Ártico pelo final do Verão de 2015.

A temperatura média do mundo subiu apenas 1ºC, mas lá em cima no Ártico subiu 5ºC … O espelho que está no topo do mundo vai desaparecer. Não vai desaparecer no Inverno, mas o sol não está a brilhar sobre ele durante o inverno, logo … o que importa é o horário de Verão. Um dos principais efeitos que isto tem é que, quando todas estas áreas no norte estão cobertas de neve branca e gelo refletores, ressalta a maioria da energia solar para fora; ressalta-a de volta para o espaço. Mas quando estamos a ver mais e mais água aberta, solo escuro e superfícies escuras, então a energia solar tende a ser absorvida; assim, em vez de refletir 90% de toda a energia, está a absorver 90% de toda a energia, então … isto é o que os cientistas chamam de feedback positivo, e eles não querem dizer que é bom. Não é uma coisa positiva para nós, é mais como um ciclo vicioso. Mais calor significa menos gelo e menos gelo significa mais calor e apenas continua numa espiral e é isso que estamos a ver no Ártico.

[Prof. Kevin Schaefer] Aaah, permafrost! Aqui está. Terra congelada. A permafrost derrete; a matéria orgânica da permafrost derrete também e começa a decompor-se, os microorganismos começam a comê-la. Se não há oxigénio, os microorganismos fazem metano.

[Professor Martyn Poliakoff – Periodic Videos, youtube] Portanto, isto é metano. Um carbono com quatro hidrogénios à volta. CH4. O metano é o composto mais simples de carbono e hidrogénio. E é uma molécula extremamente disseminada em todo o mundo. É a base do chamado “gás natural”, o gás que se encontra fundo na Terra e o qual se pode perfurar e recuperar. É usado para aquecimento e energia em todo o mundo. Também é formado quando o material das plantas se decompõe. Se você tem um charco, um lago pequeno, e material de plantas cai lá dentro e decompõe-se no fundo, se você enfiar uma vara, bolhas de gás vêm para cima. Se você coletar esse gás pode de facto acendê-lo com um fósforo e ele arde, e eu fiz isso quando era mais jovem. O metano, quando passa para a atmosfera, comporta-se como o dióxido de carbono porque ele pode absorver a radiação, radiação infra-vermelha, e causar aquecimento global. E ele absorve a radiação pelas vibrações das ligações carbono-hidrogénio, nas vibrações quando elas esticam e também quando … vibram; chamadas de vibrações tesoura. O metano de facto absorve radiação de modo muito mais forte que o dióxido de carbono na atmosfera, mas o seu tempo de vida, a vida da molécula na atmosfera, é mais curto, porque, eventualmente, reage com o oxigénio e se transforma em dióxido de carbono.

[James Hansen] Há efeitos potencialmente irreversíveis no derreter do gelo do mar. Se começar a permitir que o Oceano Ártico aqueça e que aqueça o fundo do oceano, então vai começar a libertar hidratos de metano.

[Supreme Master Ching Hai] De acordo com Dr. Hansen, o nosso planeta está num caminho perigoso para passar um ponto de não retorno irreversível, com consequências desastrosas. Este … permafrost em derretimento, por sua vez, liberta gás metano tóxico, resultando em mais aquecimento da atmosfera. As razões porque os cientistas estão agora voltando as atenções para o metano é que a pesquisa mostrou que este gás tem uma capacidade de aquecimento 100 vezes maior do que o CO2 nos primeiros 5 anos. É muito lógico, cientificamente falando ou não.

[Peter Ward] O metano é muito pior do que o dióxido de carbono. Está inerte agora no solo, não está a afetar ninguém de nenhuma forma. Quando você o aquece torna-se gás, e então começa a agir imediatamente como um gás de estufa, logo, esta é uma ameaça imediata e de muito curto prazo para a civilização planetária.

[Jason Box] Isso é provavelmente o maior problema que enfrentamos. A elevação do nível do mar também é um grande problema, um muito caro de administrar, mas … a libertação de metano a partir da tundra, uma vez que se põe em curso, chegamos a um ponto em que perdemos a opção de ter uma estratégia eficaz de mitigação.

[Dra. Natalia Shakhova, Centro de Pesquisa Internacional do Ártico] Cerca de oito anos atrás começámos a estudar a Placa Continental do Ártico na Sibéria Oriental, e, na verdade, temos vindo a estudá-la durante os últimos oito anos continuamente, ano após ano, realizando uma a duas expedições por ano. Os hidrocarbonetos que são produzidos dentro da cortina sedimentar foram selados o que impediu o metano de escapar para a atmosfera. É por isso que estamos a dizer que esta deve ser a maior reserva de hidrocarbonetos de todas. O metano na atmosfera, a quantidade total de metano na atmosfera de carbono, é de cerca de 5 Gigatoneladas. A quantidade de carbono conservada sob a forma de metano na placa continental Siberiana do Árctico, é aproximadamente de centenas a milhares de Gigatoneladas. E, claro, apenas um por cento desse montante é necessário para duplicar a carga atmosférica de metano. Para desestabilizar um por cento desta reserva de carbono, acho que não é necessário muito esforço, considerando o estado do permafrost e a quantidade de metano atualmente envolvida, porque o que divide este metano da atmosfera é uma coluna de água muito rasa e uma permafrost a enfraquecer, que está a perder a sua capacidade para servir como vedante. Não a qualquer momento, eu acho que … A qualquer momento soa como pode acontecer hoje, pode acontecer amanhã, depois de amanhã … [Igor Semiletov] Pode acontecer a qualquer momento. – Você acha? – Eu estou pessimista. – O Igor está muito convencido, porque ele passou muito tempo lá. … e onde o gelo do mar devia ter cerca de 2 metros de espessura, tinha 40 centímetros de espessura. Isso significa que todos os processos servem a desestabilização; todos, o gelo do mar, a coluna de água, as correntes a aumentarem, com as correntes quero dizer o movimento da água sob o gelo do mar tem aumentado … tudo parece tão anómalo; mesmo a partir de nossa experiência destes 10 anos, tudo parece anómalo, e é isso que o faz … pensar que … fazendo-o pensar que … … o pior pode acontecer. – Não podemos excluir isso. Talvez seja de 5%, talvez seja menos, mas não podemos excluir, porque … – Em poucas palavras, não gostamos do que vemos lá. Absolutamente não gostamos.

A Extinção em Massa do Permiano é, em essência, é apenas a maior crise que a vida na Terra já sofreu. Pelo final da Extinção em Massa do Permiano, 95% de toda a vida no planeta estava morta. E por que é que isso é importante hoje? Porque hoje uma sexta extinção está em curso. Uma que vai testar a sobrevivência não apenas da civilização humana, mas possivelmente da própria espécie humana. E tem uma semelhança horrível a vários eventos anteriores derivados de aquecimento global, como a Extinção em Massa do Permiano. Durante a Extinção em Massa do Permiano, gases de efeito estufa foram libertados por erupções vulcânicas numa área que é chamada hoje de Armadilhas da Sibéria. Estas, juntamente com o calor do fluxo da própria lava, aqueceram a atmosfera da Terra em, pelo menos, 6ºC. Esse tanto de aquecimento global causou um número de baixas enorme nos animais terrestres e plantas mas, muito pior, aqueceu os oceanos o suficiente para que o metano, congelado sob o mar profundo, derretesse e fosse libertado para a atmosfera. Essa enorme libertação de metano, um poderoso gás de estufa, praticamente duplicou o nível de aquecimento global e matou mais de 95% de toda a vida tanto na terra como no mar.

Olhe para isto. Numa questão de … … dias, poucos dias, temos esta enorme área, olhe para isto, quase a explodir em metano. A única maneira que isso é possível é pelo derretimento de hidratos de metano. É simplesmente a única explicação. [Níveis de metano] [Mar de Laptev] Muitos de nós recusam-se a encarar a realidade.

Muitos de nós tentam fugir, escapar aos nossos deveres e identidades, aos nossos rostos e às nossas famílias, mas todas estas coisas permanecem. Todas as realidades permanecem, sempre que deixamos os nossos sonhos e voltamos para o mundo real.

Qual a evidência científica de libertação de metano no Ártico?

Qual a evidência científica de libertação de metano no Ártico?

Qual a evidência científica quanto à existência e libertação de hidratos de metano do leito do Oceano Ártico?

Níveis Atmosféricos Globais de Metano. A 30 de Agosto de 2014 foram registados 1838 partes por bilião (ppb) demetano a 24.000 pés de altitude (7,5 km). Um número muito superior às médias de 2000-2007 e 2012-2013.
Níveis Atmosféricos Globais de Metano. A 30 de Agosto de 2014 foram registados 1838 partes por bilião (ppb) demetano a 24.000 pés de altitude (7,5 km). Um número muito superior às médias de 2000-2007 e 2012-2013.

Peter Wadhams, professor de Física dos Oceanos e director do Grupo de Física dos Oceanos Polares (Polar Ocean Physics Group) no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da Universidade de Cambridge, entrevistado por Nick Breeze, é uma referência interessantíssima no assunto do aquecimento global e alterações climáticas, especialmente no que diz respeito ao Ártico e metano. Ele esclarece a situação e acrescenta implicações para a humanidade e sustentabilidade do planeta. A entrevista está legendada em português cuja tradução e publicação foi iniciativa da www.NOVACOMUNIDADE.org – O MODELO COOPERATIVO FAMILIAR. Um canal youtube que promete compensar a subscrição.

A transcrição da entrevista será também copiada neste post, para aqueles que preferem ler, assim que disponível. É interessante no mínimo,ouvir um professor com tal historial de carreira falar-nos assim sobre o futuro próximo a humanidade.


Transcrição do vídeo:

Entrevista a Peter Wadhams, Professor de Física dos Oceanos, e Chefe do Grupo de Física do Oceano Polar no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da Universidade de Cambridge. Pode explicar o impacto que a libertação de 50 gigatoneladas de metano teria sobre a atmosfera e quais seriam os efeitos para a vida na Terra e para a Humanidade em particular? Num artigo para a “Nature” nós modelámos o efeito duma libertação de 50 gigatoneladas e convertendo o metano no dióxido de carbono equivalente e olhando para o que isso faz ás temperaturas globais descobriu-se que as temperaturas globais aumentavam até a um máximo de cerca de 0,6 graus e isso seria alcançado 20 anos depois da libertação e assumimos que a libertação ocorreria ao longo de 10 anos. Que 20 anos depois da emissão começar as temperaturas teriam aumentado 0,6 graus. E isso é uma adição bastante substancial para o aquecimento global. Existem pesquisas que mostrem que estamos a caminho duma tão grande libertação de metano? E se a resposta for sim, na sua opinião quão sólidas são essas pesquisas? As pesquisas sólidas que mostram que a libertação está a acontecer, do trabalho que o grupo americano e russo da Universidade do Alaska Pacific Oceanografic Lab tem vindo a fazer todos os verões no mar siberiano, está mostrando que a cada ano estamos vendo cada vez mais e mais emissões de metano no fundo do mar e que atingem a superfície porque a água é rasa, com uma profundidade de cerca de 70 metros, já vimos muitas fotos, filmes, e dados a partir deles mostrando essas emissões. E no próximo ano vamos juntar-nos a eles para continuar a fazer esse trabalho. Então, existe evidência sólida das emissões de metano do fundo do mar raso e também existe evidência sólida de emissões nas águas profundas em Spitsbergen mas aí o metano tem tempo para se dissolver na água durante a subida portanto não é diretamente libertado na atmosfera, enquanto que o metano das aguas rasas é. Então isso é bastante sólido. A questão da quantidade é a pergunta mais difícil porque olhar para o atual ritmo de emissões e para o conteúdo de hidratos de metano nos sedimentos é o que permite estimar quanto metano irá ser libertado num futuro derretimento de sedimentos devido a um aumento da temperatura das aguas. E neste momento para essas estimativas temos que confiar no trabalho que tem vindo a ser feito por Natalia Shakhova e Igor Semiletov. Eles tem um conhecimento especializado das condições do leito marinho e foram eles que estimaram as 50 gigatoneladas. Então esse valor pode ser revisto para cima ou para baixo se mais trabalhos futuros forem feitos nessa área.

Pensa que a civilização poderia sobreviver a uma libertação de 50 gigatoneladas de metano?

Não, não penso que consiga. Se olharmos para as atuais previsões de aumento do aquecimento global o que é um bocado estranho é o facto das projeções institucionais – mesmo as mais cautelosas produzidas pelo IPCC – ainda nos dão cerca de 4 graus de aquecimento até ao final do século. E 2 graus foi o numero tomado arbitrariamente como o nível a partir do qual coisas desagradáveis acontecerão – não sei porque 2 graus mas… –

e esses 2 graus serão alcançados no meio do século, e 4 graus no final do século. Então, as pessoas que calculam o que 4 graus fariam para a produção de alimentos, para a morte de florestas, para a aceleração do aquecimento devido á entrada de vários feedbacks extras… a conclusão geral é bastante medonha: que se tivermos um aquecimento de 4 graus acontecerá o colapso da civilização porque o mundo não vai de forma alguma conseguir sustentar nem de perto nem de longe a sua atual população por isso seria o caos, guerras…

A coisa estranha é que isso está previsto nos relatórios do IPCC… Preveem um aquecimento de 4 graus até ao final do século mas em nenhum lado eles afirmam que 4 graus seria uma catástrofe economicamente e socialmente para o planeta. E agora com este metano do Ártico estamos simplesmente adicionando outro elemento de aquecimento mesmo que seja apenas uma adição de 0,6 isso adianta a data em que aconteceria um aquecimento catastrófico em talvez 20 anos. Por isso iremos entrar num estado em que o ritmo de aquecimento nos está dando algo que levará a sociedade a colapsar e iremos entrar nesse estado mais rapidamente por causa das emissões marítimas.


Bolhas Azul-Pálido, Invadem, Congelam, Depois Desaparecem

Bolhas Azul-Pálido, Invadem, Congelam, Depois Desaparecem
Hidratos de metano libertam-se com o aumento da temperatura pelo aquecimento global
Bolhas de metano em Alberta, Canadá, são um fenómeno similar aos hidratos de metano que se libertam no Ártico ao largo da Sibéria. Cientistas pensam que esta libertação de metano é uma consequência do aumento da temperatura devido ao aquecimento global.

É um lago, sim. Mas também é uma bomba. Essas bolhas azul pálidas, empilhados como panquecas a boiar na parte inferior desta fotografia? São incrivelmente bonitas, sim, mas podem ser perigosas.
São bolhas de gás, pequenos soluços de metano que parecem mágicos quando estão presos no gelo do inverno, mas vindo da Primavera, essas bolhas vão se libertar, ficar à solta, e como uma armada de discos voadores de águas profundas, elas vão fazer o seu caminho para a superfície. Quando o gelo se quebrar elas vão rebentar e silvar para o ar – e desaparecer.

Excepto que elas na realidade não desaparecem. Assim que atingem o ar, bolhas de metano criam problemas. Quantos problemas depende de quantas bolhas são libertadas por todo o planeta. Só neste lago existem milhares, dezenas de milhares delas, como você pode ver. Mas nos oceanos, elas são maiores – muito maiores.

De onde é que metano vem?

O gás metano vem das folhas (e árvores e erva e até animais mortos) que caem na água, onde vão para o fundo e são mastigados por bactérias que cagam metano, produzindo aquele cheiro familiar a “gás de pântano”. Alguns gás é muito mais antigo, espremido de antigos oceanos ou de lá muito em baixo, perto do manto da Terra. Quando esse metano mais antigo sobe à superfície e esbarra em lagos ou água do mar congelados, funde-se numa substância branca chamada hidrato de metano, uma rocha branca pastosa. Enquanto estiver congelado no fundo do lago, o gás está preso, mas quando aquece, o gás silva para fora da rocha ou lama, formando estas bolhas tipo candeeiro de lava que flutuam em colunas de seis, sete, dez pés (3 metros), como estas …

Colunas de metano
Hidratos de metano são como uma rocha branca pastosa. Enquanto estiver congelado no fundo do lago, o gás está preso, mas quando aquece, o gás silva para fora da rocha ou lama, formando estas bolhas tipo candeeiro de lava que flutuam em colunas vários metros, como estas …

Quando essas bolhas alcançam a superfície, o que acontece? Nada que se possa ver, mas quando Katey Walter Anthony, professora de ecologia da Universidade de Alaska Fairbanks, leva os seus alunos para os lagos do Alasca, ela despeja um pouco de água quente sobre o gelo para derreter um buraco; então ela pega em… acho que é um isqueiro de butano, não tenho certeza, e neste vídeo você vai vê-la estalar alguma coisa, e então … Zuux! Os pais não deviam olhar. Mas é muito louco ..,

Há milhares de lagos no Alasca, Canadá, Escandinávia e Sibéria. As temperaturas no Ártico têm aquecido muito mais rápido do que as temperaturas mais perto do equador, o que significa que o permafrost (camada de gelo permanente) por baixo está a derreter e produzir mais emissões de metano. O metano é um gás de efeito estufa; quando entra na atmosfera capta um pouco da luz do sol que reflecte para fora da Terra, detém esse calor e aquece-nos. Muita metano no céu significa que aqueceremos mais rápido; não é bom.

Mas borbulhantes como os lagos estão, podem não ser o nosso maior problema.

Não são panquecas azuis, são bolhas de metano.
Bolhas de metano gigantescas existem. Não nos lagos, mas no Oceano Ártico.

Olhe para qualquer uma destas pequenas panquecas presas no lago, e agora imagine uma com 900 metros de largura – quase um quilómetro de diâmetro. Bolhas de metano gigantescas existem. Não nos lagos, mas no Oceano Ártico. Nunca ninguém as tinha visto tão grandes, ou medido, até um par de Verões atrás um pesquisador russo Igor Semiletov e a sua esposa Nadia, trabalhando com uma equipe americana, encontraram mais de uma centena delas numa pequena parte do mar do Ártico ao largo da Sibéria.

Bolhas de Metano Enormes Encontradas ao Largo da Sibéria

“Estes são campos de metano numa escala nunca antes vista”, relatou ele. “Numa área muito pequena, menos de 3000 quilómetros quadrados, contámos mais de 100 fontes, ou estruturas semelhantes a tochas, a borbulharem através da coluna de água.”, disse ele.

plumas de metano
Campos de metano com fontes ou estruturas semelhantes a tochas, também conhecidas por plumas, a borbulharem através da coluna de água.

Multiplique essas descobertas ao longo do Ártico e temos um problema óbvio. Se todo esse metano extra continua a escapar, vai aquecer ainda mais o ar, o qual vai aquecer ainda mais os oceanos, que vai derreter ainda mais os fundos, o que irá libertar ainda mais metano, o que vai aquecer o ar ainda mais, e então estamos em apuros. Mas como apenas recentemente descobrimos essas plumas de metano de grandes dimensões no mar, não sabemos se elas são realmente bolhas extra, ou comuns. Serão elas um fenómeno do aquecimento global? Ou terão estado a arrotar durante milhares de anos? Natalia Shakhova, uma cientista do Centro Internacional de Pesquisa do Ártico da Universidade do Alasca, acha que podem ser recentes ou relativamente recentes.

“A concentração de metano na atmosfera”, disse ela ao The Independent [Londres] ” aumentou até três vezes mais nos últimos dois séculos, de 0,7 partes por milhão para 1,7 ppm, e no Ártico para 1,9 ppm. Isso é um aumento enorme, entre duas a três vezes, e isso nunca aconteceu na história do planeta”, diz ela. O cientista Igor Dmitrenko, secundado pelo blogueiro do New York Times, Andy Revkin, não têm tanta certeza. A evidência, dizem eles, sugere que essas bolhas andam por aí há 6.000 anos. Ninguém sabe realmente.

Então, sim, nós temos algo novo com que nos preocupar. O metano não fica no céu tanto tempo quanto o CO2, mas enquanto lá em cima, é um gás de efeito estufa potente. (É também um combustível mais limpo, mais barato do que o carvão, logo tem os seus fãs, para não falar a sua beleza extraordinária quando congelado).

A beleza extraordinária do metano... quando congelado.
A beleza extraordinária do metano… quando congelado.

Traduzido do original ‘Pale Blue Blobs Invade, Freeze, Then Vanish’, por Robert Krulwich
Nenhum poluente jamais pareceu tão encantador. Se eu fosse um lindo pedaço de carvão, uma gota de óleo brilhante, ou um pedaço de charmoso de betume, uma espreitadela às ‘fotos lindas de Emmanuel Coupe Kalomiris e eu me esconderia debaixo da minha almofada. O metano é assustador, mas quando está congelado, é tão atraente!

Será que a Humanidade Está a Dar a Volta ao Aquecimento Global?

Será que a Humanidade Está a Dar a Volta ao Aquecimento Global?
"Eu não acredito no aquecimento global" Porque é que 400.000 pessoas nas ruas na Marcha do Povo Pelo Clima, não são uma ameaça ao status quo.
“Eu não acredito no aquecimento global”
Porque é que 400.000 pessoas nas ruas na Marcha do Povo Pelo Clima, não são uma ameaça ao status quo.

Um novo relatório do Global Carbon Project mostra que as máquinas do mundo estão a arrotar mais dióxido de carbono do que nunca. O relatório, que mede as emissões globais de CO2, descobriu que gases de todas as fontes aumentaram mais de 750 milhões de toneladas em 2013 – um aumento de 2,3 por cento neste gás de estufa perigoso em cima do níveis já extremos de 2012. No total, 39,8 bilhões de toneladas de CO2 atingiram a atmosfera em 2013, um aumento sobre as 39,1 bilhões de toneladas em 2012.

Na caminho atual, as emissões globais de CO2 vão duplicar em cerca de 30 anos. Tal aumento maciço de fontes humanas não inclui as emissões de feedback (realimentação) amplificador das reservas de metano ou dióxido de carbono, tais como aquelas que agora, aparentemente, se desestabilizam no Ártico. Este enorme sopro seria mais do que suficiente para desencadear um evento de extinção por efeito de estufa – um que poderia muito bem rivalizar ou exceder o Permiano (também conhecido como “a grande morte”) na sua ferocidade, devido ao muito rápido ritmo de acumulação de calor provocada pelos humanos.

Uma maior adoção de energias renováveis ​​abrandou a emissão global de carbono dos níveis de cenário pior. Contudo, o ritmo de adoção de energias renováveis e o aumento da eficiência energética ainda não é o suficiente para salvar o mundo do terrível rumo do cenário RCP 8,5. Entretanto, os níveis globais de CO2 estavam a pairar perto de seu mínimo anual, um pouco acima de 395 partes por milhão, depois de ter atingido um nível máximo perto de 402 partes por milhão em Maio de 2014. No ritmo atual de aumento, o CO2 global é provável que se mantenha acima das 400 partes por milhão (ppm) de concentração durante todo o ano, já daqui a menos de três anos.

Emissões de Carbono Globais continuam ao longo de 2013 no caminho do pior cenário considerável. Notem que os aumentos da temperatura estimados são para este século.Para contextualizar, levou 12.000 anos para que o mundo aquecesse 5 graus Celsius no início da última idade do gelo. Fonte da imagem: Global Carbon Project
Emissões de Carbono Globais continuam ao longo de 2013 no caminho do pior cenário considerável. Notem que os aumentos da temperatura estimados são para este século.Para contextualizar, levou 12.000 anos para que o mundo aquecesse 5 graus Celsius no início da última idade do gelo. Fonte da imagem: Global Carbon Project

Para colocar em contexto, da última vez que os níveis de CO2 estavam tão altos, as temperaturas globais eram de 2 a 3 graus Celsius mais quentes do que hoje e os níveis do mar eram, pelo menos, 75 pés (~23 metros) mais altos. Mas como os humanos emitem uma série de outros gases de efeito estufa poderosos, a medida global de CO2 por si só não tem em conta o quadro todo. Se todos os outros gases libertados por humanos, e que bloqueiam o calor de se escapar, forem adicionados, o efeito de calor do CO2 equivalente (CO2e) é de cerca de 481 ppm, o que é suficiente para aumentar as temperaturas, a longo prazo, em cerca de 3,8 graus Celsius, e para derreter mais da metade das camadas atuais de gelo no mundo.

No ritmo atual de emissões, vai demorar menos de 30 anos a garantir na atmosfera um valor de CO2 equivalente (CO2e) de 550 ppm – o suficiente para derreter todo o gelo da Terra e para elevar a temperatura entre 5 e 6 graus Celsius a longo prazo.

Esta compilação de números e análises por ‘robertscribbler’, e como ele disse neste mesmo texto, “não inclui as emissões de feedback (realimentação) amplificador das reservas de metano ou dióxido de carbono, tais como aquelas que agora, aparentemente, se desestabilizam no Ártico.

Então o quadro poderá ser bem pior e estamos apenas a iludir-nos a nós próprios enquanto não considerarmos o metano e CO2 a ser libertado neste momento do fundo do Ártico e na Sibéria. Mas e então, quem é que está a considerar o quadro total para que possamos saber qual a verdadeira situação da humanidade quanto ao aquecimento global? Paul Beckwith é um deles, um cientista que tem um estudo feito em Clima Paleontológico e até faz vídeos com gatos e põe no youtube para chamar a atenção das pessoas para esta questão. O quadro prognóstico pelos modelos climáticos é aterrorizante, mas a ciência do clima é super interessante. O que está a ser explorado no mesmo blogue que publicou a transcrição desta entrevista a Paul Beckwith, em português.

E para aqueles que dizem que a tecnologia de energias renováveis está a evoluir imenso (e está), que a Alemanha está a dar o exemplo e com certeza a humanidade pode, e está, a dar a volta a esta situação, e que ‘até houve uma marcha do clima recentemente com 400.000 pessoas só em Nova Yorque!’,… Pois, mas é que parece que muito poucos nessa marcha estão conscientes da ciência do clima. Os poucos que estavam a abanar cartazes sobre metano falavam da captura de metano por fracturação hidráulica, e nada das Gigatoneladas de metano a escaparem do fundo do Ártico e da permafrost na Sibéria. E olhem só o que o Chris Hedges, autor premiado e jornalista que ganhou o Pulitzer e conhecido pela sua crítica ao sistema insustentável do capitalismo, tem a dizer sobre a famosa Marcha do Povo Pelo Clima neste vídeo do show Breaking The Set, da RT, introduzido por Abby Martin: “tais mobilizações são, em última análise, ineficientes, acrescentando que os grupos principais que patrocinam a marcha em Manhattan são desenhados para neutralizar resistências.” Abby perguntou-lhe ainda porque é que 400.000 pessoas nas ruas de Manhattan não são uma ameaça ao status quo. Ele foi muito elucidativo:

“Primeiro porque não havia agenda. Segundo, porque as instituições estabelecidas faziam parte da marcha; grupos como Environmental Defense Fund (Fundo Para a Defesa do Ambiente) que apoiam a fracturação hidráulica e recebem apoios das gigantes petrolíferas como a BP. Eles ficaram dentro dos perímetros que lhes foram dados pela polícia de Nova Yorque, em contraste com a marcha da qual eu fiz parte Segunda de manhã “Flood Wall Street” (Inunda Wall Street), onde, sem permissão, 4000 pessoas sairam às ruas e fecharam as ruas em Wall Street; sentadas no meio da estrada. Até que comecemos a engajar-nos em actos de desobediência civil, especialmente dado o facto de que as elites em poder, e em particular o partido democrático, adoptam a retórica das mudanças climáticas, não vamos fazer grande diferença. O Obama fala de Alterações Climáticas como sendo real e como algo com o qual ele pretende lidar na sua administração, e ainda assim temos visto o Obama a expandir massivamente a perfuração em terreno público, perfurações no mar, fracturação hidráulica, aprovando a extensão sul do oleoduto de Keystone, a qual está desenhada para trazer Petróleo Shell das areias betuminosas de Alberta (…) a retórica do estabelecimento democrático em particular não encaixa na realidade. A realidade é que o sistema político está monopolizado pela indústria dos combustíveis fósseis, carvão, petróleo, gás, e a não ser que comecemos a romper com sistema eles vão continuar com esta forma de ecocídio, destruindo o que resta do planeta para a obtenção de lucros a curto prazo.”

O aquecimento GLOBAL afecta todo e cada ser humano, e tem que ser resolvido por TODO E CADA SER HUMANO. “Se votar mudasse alguma coisa, já estaria proibido” – Edward Bellamy. E não se trata de reciclar, mudar para lâmpadas mais eficientes ou desligar o interruptor da luz; trata-se de uma mudança cultural necessária que torne esta distorção social milenar, e perpetuada até hoje, obsoleta. Trata-se de informação e consciencalização para além dos limites confortáveis do status quo, e abandonando a confiança que depositamos neste. Não se preocupem, ele seguirá com a mudança, mas cada dia mais revolucionado que no anterior.

Para mais clarividência sobre essa tão necessária transformação pessoal e social, vejam a última entrevista de Peter Joseph por Abby Martin na RT.

Leonardo DiCaprio Fala em Colunas de Metano e Extinção

Leonardo DiCaprio Fala em Colunas de Metano e Extinção

Leonardo DiCaprio falou na Cimeira do Clima das Nações Unidas (ONU) no seu novo papel de Mensageiro da Paz da ONU e surpreendeu-me imenso! Disse: “as secas estão a intensificar-se, os oceanos estão a acidificar, colunas de metano a subir do fundo dos oceanos, estamos a ver eventos meteorológicos extremos e as camadas de gelo da Antártida e da Gronelândia a derreterem a velocidades sem precedente, décadas antes das previsões científicas.” Ele proferiu de facto as palavras “colunas de metano a subir do fundo dos oceanos”! Juro!

Senhoras e senhores, é a primeira vez que alguém num cargo tão conceituado e num evento político de tal dimensão, fala em colunas de metano a saírem do fundo dos oceanos. Eu estou estupefacto!! Não sei se hei-de celebrar ou desconfiar que aqui há rato. Celebrar o quê se a descoberta de metano a ser liberto do fundo dos oceanos é um factor de previsão da extinção da humanidade, podem vocês perguntar? Haha, sinto necessidade de me explicar. A celebrar a consciencialização global de que o que temos em comum é a vida neste planeta, e de que esta está em sério risco de não durar mais que umas décadas, um entendimento que pode finalmente abraçar a humanidade para além das distorções de posse, classe, nacionalismo, guerra, e todas as distorções perpetuadas por este sistema socioeconómico retrógrado e milenar.

Sinto vontade de chorar cada vez que entro numa sala e estão a olhar para a televisão a entreterem-se com gente famosa que exibe a desigualdade humana com orgulho, com seres humanos milionários a correrem atrás de uma bola, com seres humanos que estão no outro lado do mundo a serem rasgados e oprimidos em stress crónico pela chuva diária de bombas e sem saberem se amanhã será o seu dia, enquanto estes que se entretêm com a bola e com os famosos que passam na TV expressam o seu ódio pelos bombardeados ao invés de dor e tristeza, pois a imagem inimiga dos seus irmãos humanos foi lhes lavada no cérebro e vendida pelos mesmos humanos que estão a enriquecer com os combustíveis fósseis e levar-nos à extinção. Sim, vendida! Nem sequer foi imposta. Ou não pagaste para ter acesso aos canais?

“O mundo, tal como o fizemos, é um processo do nosso pensamento. Não pode ser mudado sem mudarmos o nosso pensamento.” – Albert Einstein

Se queres MESMO mudar o mundo, tens que começar por ti própria, e desligar essa televisão.

Quanto ao Leonardo DiCaprio falar em Extinção Humana, vejam vocês próprios. Ele é o narrador da série documental “Green World Rising” a qual é produzida pela Tree Media e apoiada pela Fundação Leonardo DiCaprio. Aqui têm o segundo episódio traduzido para Português “Last Hours“. O primeiro episódio está em inglês e chama-se “Carbon“.

O comentário que se destacou no topo da lista debaixo do vídeo “Carbon” é de Guy McPherson, o professor emeritus da Universidade do Arizona que abandonou a carreira académica para palestrar, dar entrevistas e escrever sobre a evidência científica que suporta a previsão, segundo ele com uma certeza praticamente absoluta, da seguinte citação de outro cientista, Jonh Davies…

“O mundo está provavelmente no início de um evento de efeito estufa descontrolado o qual vai acabar com a maioria da vida humana na Terra antes de 2040.”

– Guy McPherson citando Jonh Davies

… e diz o seguinte: “This is the most ignorant film I’ve seen in a long time. 2 C is locked in, and it’s a political target, not a scientific one.” Em português: “Este é o filme mais ignorante que vi em muito tempo. Os 2º C (de aumento da temperatura média global – hoje estamos com um aumento de 0.85 ºC) estão garantidos, e trata-se de um alvo político, não científico.” Espera aí! Se ainda só estamos a 0.85º C depois de emissões de CO2 desde 1850, ainda falta muito para chegar a 2ºC, qualquer um notaria agora. Eu sei que parecem nada mais que loucos a dizerem baboseira, para a maioria de nós; mas apenas porque não conhecemos bem a ciência climática. As emissões de CO2 demoram 40 anos a surtir efeito de aquecimento na atmosfera, do mesmo modo que fechar as janelas de um carro num dia de Sol também demora um pouco até que pareça um forno. E mais: Nós pusemos mais CO2 na atmosfera nos últimos 29 anos do que nos 236 anos anteriores combinados. Esse CO2 ainda não começou a contar para o aquecimento, mas já está na atmosfera! Dá um arrepio na espinha, não dá? Os 2ºC agora parecem mais uma certeza e a ideia de extinção começa a gerar curiosidade dentro de nós.

O Guy McPherson dá a cara porque não tem nada a perder (ao contrário de muitos outros cientistas que até de ameaças sofreram) e o que ele diz não é inventado por ele; são de facto estudos, conclusões e citações de outros cientistas ou instituições académicas ou ambientais. Ate mesmo a previsão de que a humanidade já não tem hipótese de evitar a extinção a curto prazo, é partilhada por outros cientistas.

Para perceber melhor como um professor emeritus deixa a carreira académica e a sua comunidade auto-sustentável e isolada da civilização para vir falar todos os dias até ao fim da sua vida sobre a ideia mais triste e aterrorizante que se pode imaginar… não sei se vais conseguir perceber, mas aqui está uma apresentação traduzida para português que poderá revelar um pouco mais.

“we need to put a price tag on carbon emissions” – Leonardo DiCaprio

Aaaah! Assim este aparecimento do São DiCaprio faz mais sentido. Não se pode resolver o problema do aquecimento global dentro deste paradigma económico distorcido da Natureza? Oh, põe-se um preço na natureza então; ta resolvido. Está nos a vender o mesmo que o AlGore quando aquele político reapareceu.

Amigos, há corporações que põe de lado biliões de dólares só para pagar multas que já sabem poderão vir a pagar. Apenas 1 bilião de notas de dólar deitadas umas em cima das outras têm o comprimento de 67,9 milhas, ou 109 quilómetros.  Chegariam desde a superfície da Terra até à porção inicial da troposfera; ou numa referência mais familiar, deitadas na estrada iriam do Porto a Coimbra. Para além de que não pode existir dinheiro sem corrupção. A corrupção é a base fundamental do dinheiro e a causa de raiz do aquecimento global, assim como da pobreza e da guerra.

 Sinto muito, mas parece-me que o Guy McPherson esta mais próximo de acertar na sua previsão; especialmente de cada vez que ligamos aquela caixinha de desinformação, a televisão.

Mais sobre eventos de seca e as suas causas: aqui!

Mais sobre o Ártico e metano: aqui!

Mais sobre o degelo na Antártida e Gronelândia: aqui!

Blogues científicos sobre Alterações Climáticas e Aquecimento Global: aqui! e acolá!

Correntes Quentes Invadem o Ártico Pela Primeira Vez em Milhares de Anos

Correntes Quentes Invadem o Ártico Pela Primeira Vez em Milhares de Anos
Águas, correntes, quentes, invadem o Ártico. Metano ameaça de extinção
Correntes quentes invadem o Ártico pela primeira vez em milhares de anos, pelo Estreito de Bering, vinda do Atlântico Norte e Pacífico, o que ameaça derreter ainda mais o gelo e os hidratos de metano que ameaçam a humanidade de extinção.

Pela primeira vez em milhares de anos, águas quentes estão a fluir para o Oceano Ártico. Água quente do fundo do oceano está a aparecer nas imagens de superfície. Não há modo de colocar isto no contexto do “normal”. Temperaturas ao longo da história mantiveram o Ártico congelado num balanço equilibrado durante milhares de anos. Mesmo que houvesse um “ciclo natural” foi completamente atropelado pela quantidade enorme de poluição que está a ir para a atmosfera.

Mais de 90% do desequilibrio energético da Terra tem ido para os oceanos, quase desapercebido pelas pessoas que monitorizam as temperaturas na atmosfera. O oceano aquecido está a atravessar o Estreito de Bering e a entrar no Mar de Chukchi, Mar de Barents, Mar Siberiano Oriental, e pior que tudo, no Mar de Laptev.

Existem concentrações de hidratos de metano em todas estas áreas, a uma profundidade de 1,500 milhas (2400 Km) ao longo de milhas e milhas de leito marinho. Existem fracturas ali que dão ao manto de metano uma via para chegar à superfície a qual tem estado selada pelo gelo de forma segura.

Os hidratos de metano e o gelo estão a derreter

Este artigo foi traduzido do original “For the first time in thousands of years, warm water is flowing into the Arctic Ocean – ‘There is no way to put this into the context of ‘normal'”  o qual faz referência ao blogue Arctic News (Notícias do Ártico) desenvolvido com o contributo de 23 cientistas e jornalistas, entre eles o autor do artigo referido, Harold Hensel.
Referências da wikipédia ao Estreito de BeringMar de Chukchi, Mar de Barents, Mar Siberiano Oriental, e Mar de Laptev foram adicionadas para facilitar a contextualização geográfica ao leitor.