São Paulo, seca de Inverno; Lisboa, inundação de Verão: É Aquecimento Global ou Macumba?

São Paulo, seca de Inverno; Lisboa, inundação de Verão: É Aquecimento Global ou Macumba?
Todos comentam como o tempo está estranho, mas poucos se indagam sobre o mecanismo de aquecimento global que está por detrás das tempestades, inundações ou seca.
Todos comentam como o tempo está estranho, mas poucos se indagam sobre o mecanismo de aquecimento global que está por detrás das tempestades, inundações ou seca.

Enquanto São Paulo – Brasil enfrenta a maior seca dos últimos 84 anos, chamada mesmo de ‘crise da água’, em Lisboa – Portugal cai granizo do tamanho de bolas de golfe e a chuva intensa provoca inundações, segundo as notícias no ‘Observador’. Mas no Brasil é final do Inverno, ou estação das chuvas, e em Portugal é um final de Verão. Serão isto acasos da Natureza, sensacionalismo dos média, ou é resultado das alterações climáticas? O último. São provocadas pelo aquecimento global e pelo aquecimento acelerado no Ártico. E isto não está para brincadeira, concluo já.

Vamos primeiro à seca de São Paulo;

o dilúvio de Lisboa será explicado já a seguir. Não é apenas em São Paulo que há seca. Neste momento os estados da Califórnia e do Nevada apresentam mais de 80% das suas área em estado de seca “extrema”! As reservas de água estão tão em baixo que, mesmo que venham Invernos bem molhados, a seca deverá ficar por lá pelo menos mais um ano. E enquanto que em Los Angeles criou-se um novo emprego de “polícia da água”, alguém que verifica os sistemas de rega e outros possíveis abusos, no estado de São Paulo há apenas reservas para 100 dias de água e o racionamento continua para cerca de 3,9 milhões de pessoas em 29 cidades. A última estação das chuvas foi mais seca que a estação seca, disse Mauro Arce, secretário para os recursos hídricos, ao The Guardian.

Para as chuvas em falta no Brasil culpou-se o fenómeno que é conhecido como os “rios voadores”, que são volumes de vapor de água massivos libertados das árvores da Amazónia. Os cientistas brasileiros chamam a atenção para a ausência destes rios não se dever a uma esquisitice da natureza mas um sintoma da continua desflorestação da Amazónia combinada com as alterações climáticas. A seriedade da crise de seca tem sido negada pela comunidade política já que as eleições de Outubro estão mesmo à porta. Sublinhado para não nos esquecermos deste ponto mais tarde.

Não podemos ficar por aqui na explicação deste evento de seca; e Lisboetas: isto também vos diz respeito, mesmo estando do outro lado do Atlântico; quem emite CO2 ou peida metano, afecta todo e qualquer cidadão à volta do globo. Se gostam dos vossos filhos e têm preocupação quanto ao seu futuro (muitos cientistas dizem para se preocuparem já com vocês e não só com os vossos filhos, sendo de realçar o Guy McPherson) especialmente vocês! esta é uma boa altura para usarem os vossos super-poderes de pais e mães e provocarem uma mudança significativa no mundo.

As florestas estão a inverter o seu papel e tornar-se fontes de libertação de carbono em vez de de absorção! Percebem o que isto significa? À medida que a Amazónia seca, arde e é desflorestada (apenas o incidente de fogos deste último Agosto tinha varrido uma área de 500.000 a 1.500.000 acres – x2 para uma grossa aproxímação a hectares) a Amazónia inverte de ser um absorvente de carbono para um emissor de carbono. A Amazónia armazena hoje 120 gigatoneladas de carbono e representa cerca de 10% da absorção global de carbono da atmosfera através da respiração das plantas. Pais e mães: robertscribbler.wordpress.com é uma leitura que aconselho começar a fazer parte do vosso dia a dia. Sem água os vossos planos de gerações futuras são inviáveis.

E não é apenas na Amazónia que as florestas estão a passar de absorventes a emissores de carbono. O Centro de Agências Canadianas para os Fogos Florestais reportou este Julho que os fogos daquele Verão até então tinham afectado uma área 6 vezes maior e sem precedentes nos últimos 10.000 anos. Na Sibéria, o calor recorde que se acomodou durante o Inverno e ficou para o Verão atingiu um pico de 25 a 30 graus centígrados no Ártico. Este ano os fogos na Sibéria começaram em Abril onde uma combinação de uma permafrost ou pergelissolo a descongelar, um rápido aumento das temperaturas médias na Sibéria causadas pelo aquecimento global antrópico (o termo comumente usado é “antropogénico“) a vulnerabilidade da camada do solo e vegetação para secarem rápidamente, e sendo a permafrost uma fonte quase inesgotável de metano a ser libertado à medida que descongela, o seu potencial para arder é práticamente ilimitado.

Inundação em Lisboa

E como é que em Lisboa, estando igualmente quente como na Califórnia, Canadá e Sibéria, chove a potes, enquanto aqueles passam sede e ardem? E já agora, como é que em Espinho, uma cidade do Norte de Portugal famosa pelo Sol, o peixe e o surf mas muito menos pela sua água fria de doer os ossos, a água do mar está a rondar os 20 a 21ºC já por duas semanas consecutivas e nada de inundações?  Antes de passar para a descrição técnica, talvez ajude incluir no cenário as cheias em Kashmir. na Índia, agora no início de Setembro e as quais foram as maiores dos últimos 50 anos e colocaram 450 aldeias debaixo de água; as cheias da Europa Central na República Checa, Alemanha, Áustria, Bosnia e Sérvia; deslizamentos de terras perto de Hiroshima no Japão; desde Maio que me lembro de cheias preencherem as notícias este Verão, a começar pela China, em Maio, quando meio milhão de pessoas foram deslocadas.

Segundo robertscribbler.wordpress.com, cada vez mais os cientistas estão a mostrar como a perda do gelo no Ártico, consequência do aquecimento provocado pela humanidade, é o contribuinte primário dos eventos meteorológicos extremos a que assistimos com cada vez maior frequência. O volume do gelo diminuiu em 80% desde 1979. Esta erosão resulta num abrandar da Corrente de Jato polar. Este abrandar, por sua vez, cria uma maior frequência de padrões de bloqueio que leva à persistência das condições meteorológicas por longos períodos numa mesma área. Sam Carana, do Arctic-News.blogspot.com explica que à medida que o Jet Stream polar (corrente jato) se torna mais ondulada, ar frio pode mais fácilmente descer do Ártico para latitudes mais baixas por uma crista descendente da Corrente Jato enquanto o ar quente pode mais fácilmente chegar a latitudes mais altas através de uma crista ascendente da Corrente Jato. A elevada evaporação das águas quentes do Atlântico condensam ao encontrarem uma corrente fria e assim temos a nossa chuva e granizo repentinos.

Na esperança de que esta publicação tenha sido elucidativa e não extensa demais, se você chegou ao fim, aqui está o ponto que considero mais importante e o qual sublinhei mais acima no texto: “A seriedade da crise de seca tem sido negada pela comunidade política já que as eleições de Outubro estão mesmo à porta.” É que…

Todos os dias testemunhamos evidência da extinção humana a curto prazo. Não tanto por causa do desequilíbrio crescente do ecossistema e ruína dos sistemas de suporte de vida do planeta, mas antes devido à ausência de mudança na distorção social que a impulsiona.

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