Excerto da introdução à re-publicação deste artigo sobre a exclusão de cientistas russos pela Royal Society, por Robin Westenra no seu blog Seemorerocks

A nossa própria Royal Society está entre os piores. Kevin Hester teve a sua própria experiência:

“Eles organizaram a “Semana da Ciência”, onde eu tive o meu ………… ‘Run-in” com Sir Peter Gluckmann, A simples menção de hidratos de metano” provocou o “olhar fixo de morte” do chefe dos governos para a Ciência. Tire as suas próprias conclusões “. – Kevin Hester

Nos 26 anos desde a criação do IPCC, estetem nos avisado para reduzirmos as emissões de CO2 e não o fizemos. Existem mais de 1000 centrais a carvão a serem planeadas no mundo inteiro e nada irá fazê-los parar. - Kevin Hester
Nos 26 anos desde a criação do IPCC, estetem nos avisado para reduzirmos as emissões de CO2 e não o fizemos. Existem mais de 1000 centrais a carvão a serem planeadas no mundo inteiro e nada irá fazê-los parar. – Kevin Hester

Cientistas Russos Excluídos de Apresentar Pesquisas Importantes Enquanto o Director da NASA Goddard Tenta Desacreditar Pesquisa Científica Observacional

Envisionation,
05 de Outubro de 2014
Na sequência do meu post recente sobre a tentativa do Dr. Gavin Schmidt de classificar como lixo a pesquisa de cientistas russos, liderados pela Dra. Natalia Shakhova e o Dr. Igor Semiletov, agora surge que estes últimos nem foram sequer convidados para a reunião de alto perfil na Royal Society.

O evento, realizado há duas semanas, ainda está a causar polémica para além do twittar negativo pelo Director da NASA Goddard, Dr. Gavin Schmidt. Schmidt focou a sua apresentação no desacreditar do trabalho dos russos, usando modelos teóricos, sem experiência em metano, ou dados credíveis. O resultado final é que a equipe russa compôs uma carta ao Presidente da Royal Society, Sir Paul Nurse, pedindo uma oportunidade para apresentar as suas descobertas, incluindo as contribuições de mais de 30 cientistas que trabalham na região há mais de 20 anos.

Um dos maiores triunfos de longa data da comunidade científica tem sido um compromisso com a análise apolítica de pesquisa importante. Todos nós sabemos que existem tensões geopolíticas entre a Rússia e o Ocidente, mas estarão estes agora a fazer uma entrada indesejada numa área que poderia colocar um enorme risco para a humanidade em geral?

O risco de libertações em grande escala do gás de efeito estufa mortal, metano, da Placa Continental do Ártico da Sibéria Oriental (East Siberian Arctic Shelf (ESAS)) pode ser um tema de debate na comunidade científica, mas para excluir propositadamente um lado do debate e denunciar abertamente os seus resultados não apenas imoral, é imprudente.

A carta, assinada por Semiletov e Shakhova em nome de mais de 30 cientistas, anuncia ao Presidente da Royal Society que a evidência mostrada pelo Dr. Schmidt (baseada no trabalho do Dr. David Archer) é puramente teórica e que, apesar de ambos serem modeladores do clima muito qualificados, nenhum deles tem experiência em metano ou na área em questão, A Placa Continental do Ártico da Sibéria Oriental.

Enquanto a reunião estava a decorrer, uma expedição estava em progresso na ESAS, com mais de 80 cientistas russos e suecos. Então, por que é que esses cientistas ocidentais de alto perfil tentam desacreditar um grande e crescente corpo de pesquisa? É uma pergunta difícil de responder, mas a intenção é certamente evidente.

É uma questão que merece toda a nossa preocupação se implicar um risco de devastação ambiental que emane de qualquer região do mundo. O sistema Terra não reconhece a soberanias ou interesses nacionalistas. A colaboração internacional e o respeito são essenciais se quisermos entender as mudanças que estão a acontecer como resultado da mudança climática feita pelo homem. A Terra está a aquecer e muitos feedbacks [retroacção] do aquecimento, como a libertação de metano, não são totalmente compreendidos, mas sabe-se que causaram mudanças enormes no clima global.

A divisão entre o campo de modelagem climática e os cientistas que realizam a pesquisa observacional é completamente sem sentido. Parece perfeitamente lógico que os dados recolhidos por um grupo deverá ser utilizado pelo outro, a fim de tornar os modelos mais precisos. Se os modelos climáticos não têm base na realidade, então como podemos nós confiar na sua fiabilidade?

O desprezo demonstrado pelo Dr. Schmidt para com os seus colegas internacionais deveria agora ser posto de lado e as portas da Royal Society abertas para permitir que a equipe russa apresente as suas descobertas. É de todo o interesse que assim aconteça, logo, Sir Paul, passo-lhe a si …

Autor: Nick Breeze

(Outros vídeos da Dra. Shakhova, inclusive um legendado em Português, no fundo desta publicação)

Carta da Dra. Shakhova e do Dr. Semiletov ao Sir Paul Nurse:

04 de Outubro de 2014
Por correio e e-mail

Caro Sir Paul Nurse,

Estamos satisfeitos por a Royal Society reconhecer o valor da ciência do Ártico e ter sediado uma importante reunião científica na semana passada, organizada pelo Dr. D. Feltham, o Dr. S. Bacon, o Dr. M. Brandon, e o Professor Emérito J. Hunt (https://royalsociety.org/events/2014/arctic-sea-ice/).

Os nossos colegas e nós temos estado a estudar a Placa Continental do Ártico da Sibéria Oriental [East Siberian Arctic Shelf (ESAS) há mais de 20 anos e temos conhecimento detalhado de observação das mudanças que ocorrem nesta região, como documentado por publicações em revistas de topo como a Science, a Nature e a Nature Geosciences. Durante estes anos realizámos mais de 20 expedições, em todas as estações do ano. que nos permitiram acumular um conjunto amplo e abrangente de dados consistindo em dados hidrológicos, biogeoquímicos e geofísicos, e proporcionando uma qualidade de cobertura que é difícil de alcançar, mesmo em áreas mais acessíveis dos Oceanos do Mundo.

Até o momento, somos os únicos cientistas que possuem dados observacionais de longo prazo em metano na ESAS. Apesar de peculiaridades na regulação que limitam o acesso de cientistas estrangeiros na Zona Económica Exclusiva da Rússia, onde a ESAS está localizada, ao longo dos anos temos recebido cientistas da Suécia, EUA, Holanda, Reino Unido e outros países para trabalharem ao nosso lado. A grande expedição internacional realizada em 2008 (ISSS-2008) foi reconhecida como o melhor estudo biogeoquímico do Ano Polar Internacional (2007-2008). O conhecimento e a experiência que acumulámos ao longo destes anos de trabalho lançaram as bases para uma extensa expedição Russo-Sueca a bordo do I/B ODEN (SWERUS-3), que permitiu a mais de 80 cientistas de todo o mundo colherem mais dados desta área única. A expedição foi concluída com sucesso apenas alguns dias atrás.

Para nossa consternação, não fomos convidados a apresentar os nossos dados na reunião da Royal Society. Além disso, esta semana descobrimos, através de um resumo Storify no twitter (divulgada pelo Dr. Brandon), que em vez foi o Dr. G. Schmidt convidado para discutir a questão do metano e explicitamente atacou o nosso trabalho utilizando o modelo de outro estudioso, cujo esforço de modelagem é feito com base em pressupostos teóricos não testados que não têm nada a ver com observações na ESAS. Enquanto o Dr. Schmidt tem experiência em modelagem climática, ele não é um especialista nem em metano nem nesta região do Ártico. Ambos os cientistas, portanto, não têm nenhum conhecimento observacional sobre metano e os processos associados nesta área. Lembremo-nos que o vosso lema “Nullus em verba” foi escolhido pelos fundadores da Royal Society para expressar a sua resistência ao dominação da autoridade; o princípio assim expresso exige que todas as reivindicações sejam apoiadas por fatos que tenham sido estabelecidos pela experiência. Em nossa opinião, não só as palavras mas também as ações dos organizadores traíram deliberadamente os princípios da Royal Society tal como expressos pelas palavras “Nullus em verba”.

Além disso, gostaríamos de destacar a parcialidade Anglo-Americana na lista de apresentadores. É preocupante que o conhecimento científico russo estava em falta e, portanto, marginalizado, apesar de uma longa história de notáveis ​​contribuições da Rússia para a ciência do Ártico. Sendo cientistas russos, acreditamos que o preconceito contra a ciência russa está a crescer devido a divergências políticas com as ações do governo russo. Isso restringe nosso acesso a revistas científicas internacionais, que se tornaram extremamente exigentes quando se trata de publicação de nosso trabalho em comparação com o trabalho dos outros sobre temas semelhantes. Temos consciência de que os resultados de nosso trabalho podem interferir com os interesses cruciais de algumas agências e instituições poderosas; no entanto, acreditamos que não era a intenção da Royal Society permitir que considerações políticas passem por cima da integridade científica.

Entendemos que pode haver debate científico sobre este tema crucial pois relaciona-se com o clima. No entanto, é parcial apresentar apenas um lado do debate, o lado com base em pressupostos teóricos e de modelagem. Em nossa opinião, foi injusto impedir-nos de apresentar os nossos dados com várias décadas, dado que mais de 200 cientistas foram convidados a participar em debates. Além disso, estamos preocupados que os procedimentos da Royal Society neste encontro científico virão a ser desequilibrados a um grau inaceitável (que é o que tem acontecido na mídia social).
Consequentemente, solicitamos formalmente a igualdade de oportunidades para apresentar os nossos dados perante vocês e outros participantes desta reunião da Royal Society sobre o Ártico e que vocês, como organizadores, abstenham-se de produzir quaisquer procedimentos oficiais antes de nós sermos autorizados a falar.

Sinceramente,
Em nome de mais de 30 cientistas,

Natalia Shakhova e Igor Semiletov

Vídeos da Natalia Shakhova sobre as erupções de metano no Mar do Ártico e Permafrost Siberiana

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